quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ESTILINGUE






 
Todo menino tinha um estilingue,
Não faz muito tempo,
Para matar passarinho,
Saiam em bando fazendo pontaria,
Ninguém nada sentia
Ou falava:- Coitadinho!

Na casa dos meninos
Compraram televisão,
Tinha o Torneio Rio-São Paulo,
Os meninos foram pro curso de inglês,
Foram procurar trabalho,
Pontaria ninguém mais fez.

Voavam os passarinhos,
Ninguém tinha tempo,
E a televisão mostrava guerras,
Artilharia, aviões, voando.
Tudo isto em outras terras.
Ninguém nada sentia.

Veio a internet,
A coisa piorou
A guerra aumentou num jogo de vídeo.
A fumaça a tela encobria
Olhando aquele espaço vítreo,
Com a mão fazia pontaria.
E o ex-menino nada sentia.


Hoje sentado se faz pontaria
A guerra hoje é de botões,
Não tem mais o Rio-São Paulo.
O ex-moleque, hoje pai, do estilingue também esqueceu,
Seu menino vai ao Inglês, a computação.
Nos espaços, até vê  uma ave que ocupa o céu.
Mas em frente à televisão
Entre bombas, ele seu menino,
Também vibra com o avião
Que mata seres humanos
Sem nenhuma compaixão.


              18/08/2011

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