sábado, 26 de maio de 2012

HÁ DEZ ANOS


HÁ DEZ ANOS




Aos quinze anos

Tentei fazer para você

Uma poesia de amor.

Desenganos!

Até hoje não sei por que

O vento a levou.



Hoje já faz dez anos

Comecei a lembrar

Foi a vida

Voando em desenganos

Que me fez teu nome chamar.



Comecei no borrão

De minha caneta

Fúnebre como eu

Em tinta preta

Descrever o que foi meu.

Comecei a te falar...

Recordar,

Lá no ginásio

Lado a lado na carteira

Teu jeitinho...

Toda faceira

Sempre, sempre a me olhar...

Eu, todo encabulado,

Era moleque coitado,

Não sabia te falar.



Hoje num boteco,

Um lugar qualquer

Habitual a mim

Distante de ti,

[Pois quando a vida quer assim se faz]

Lembro.

A obra prima que escrevia,

Triste recordação!

Foi levada por um vento

Sem nenhuma consideração

Com meus sonhos,

Os tragou a solidão.



Agora escrevo

A fossa da obra prima

Que eu, poeta, tenho a sina

De mil poesias escrever

Para ti,

E nenhuma permanecer.



29/04/1971

www.tony-poeta.blogspot.com.






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