quarta-feira, 16 de maio de 2012

O EXPRESSO DO ORIENTE


O EXPRESSO DO ORIENTE




Na adolescência tinha três sonhos. Um realizável a qualquer hora: era conhecer Paris; desinteressei-me no caminho, mas pode ser que ainda resolva ir. Outro seria procurar o Mestre no Himalaia, atualmente impossível, por falta de preparo físico. O terceiro é andar no Expresso do Oriente. Este sonho continua se metamorfoseando em minha mente, sempre presente e atual.

A fantasia envolve esta  linha que não sabemos o trajeto, numa paisagem que desconhecemos, com funcionários de bordo sempre enigmáticos e passageiros de todos os tipos, desde mulheres linda e apaixonada, a ladrões de carteira amores e bagagens, espiões, policiais e as tramas formam-se no trem,  quando anda correndo as estepes desconhecidas, acompanhados de Mongóis primitivos, em seus cavalos velozes prontos a fazer justiça em seu território.

Tanto na realidade, como na ficção dezenas de filmes e noticias foram relatados, e neles cada vez mais minha imaginação viajava pelas estepes.

Do louco amor pela mulher encantadora que abandonara o marido e o suicídio deste após uma violenta depressão, seguida de descontrole.

O aventureiro com pouco dinheiro que teve sua carteira roubada e, se tornou serviçal para poder comer. O espião que buscava o segredo que o inimigo levava e lutou com todos os riscos para cumprir sua missão. O governante que levava um grupo, em assembleia, para decidir leis que protegessem a população. Tudo, com o chefe de trem atento e controlando com discrição, não interferindo nos amores e nas dores de seus viajantes, mas firme decidindo a solução final.

Mas nas noticias e nos filmes nunca vi o maquinista. Será que tem um?

Nunca também vi a estação que encerra a linha. Todos param alegres ou fracassados nas estações intermediarias; não se vê noticias do final da linha. Teria o trem um destino?

Sim, realmente este trem ficou martelando toda minha vida até hoje, ele faz parte de minha imaginação.

Mas, hoje não mais quero ir as estepes para andar no luxuoso trem, nem correr o risco de passageiro me tornar lavador de privadas e faxineiro dos vagões. Dispenso os amores não imagináveis que ele pode me dar. Não quero ver espiões e inspetores na mais emocionante ação, não quero as reuniões para resolver os problemas de um povo. Não! Não quero mais ir a este trem.

Hoje, com a vida equilibrada, quero manter-me quieto e sereno, pois nossa vida, sem maquinista e sem estação final, apenas com estações intermediaria e cheia de imprevistos é o Trem do Oriente.



17//05/2012

www.tony-poeta.blogspot.com

3 comentários:

  1. Muito criativa essa crônica finalizada - de forma surpreendente - comparando a vida cotidiana com uma viagem no Trem do Oriente.
    Parabéns!

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  2. Destacado no Blog Cultura e Humanismo de Rafael Rocha

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