quarta-feira, 7 de março de 2012

ETERNO ADOLESCENTE - pensamento -


ETERNO ADOLESCENTE







Eterno adolescente



Sou criança incerta de ontem



Que tenta hoje compreender



O mundo incerto do amanhã








07/03/12

tony-poeta pensamentos

chuva


CHUVA





Está calor

Fazia calor

Fará calor.

-O jornal dizia.



Cinco nuvens

Alvas

Puras

Solitárias

Bailavam

Bailavam no céu.

Eu torcia

Como torcia

Para o tempo deflorá-las.





07/03/12

tony-poeta pensamentos


terça-feira, 6 de março de 2012

AMOR FANTASMA


AMOR FANTASMA





Fantasmas todos temos

Em grandes quantidades

São meros arremedos

Mas nunca são verdades.



Tem horas que violentos

Fraquejam à vontade

Outras, muito ciumentos

Encobrem a verdade



E aquele que a alma chora

Em jorros de saudades

A sombra que foi embora

Existia de verdade.





06/03/12

tony-poeta pensamentos




solitário


SOLITÁRIO





Solitário



Sempre solitário



Serenamente solitário



Caminho do homem



Que tem um grupo.





Sem grupo



Não há caminho.



Apenas pesadelos.





06/03/12

tony-poeta pensamentos

SONHOS


SONHOS





Sonhos do futuro

Podem ser concretos

Basta os fazer.



Mas...

Variam as fantasias

Os sonhos desvanecem...

Divagam...

Correm para o Oceano.



No final

Os sonhos,

Ah! Os sonhos

Morrem no mar

Bem no fundo

Sem viver.







26/01/1997

tony-poeta pensamentos

CHECKUP


                            CHECKUP







Uma das coisas mais duvidosas da medicina é afirmar que: Fulano de tal tem tanto tempo de vida. Geralmente o médico erra. Não por incompetência, mas pelos dados da ciência não computarem os dados filosóficos da vida.

Por maiores convicções filosófico-religiosas que tenha o profissional, não consegue ter a mínima idéia do que irá acontecer no momento seguinte. Em trinta e oito anos de medicina vi pacientes morrerem por um “inocente” furúnculo, e outros viverem anos com um tumor considerado gravíssimo.

Em meados dos anos oitenta, com o considerável avanço diagnóstico quase todos Grandes Hospitais começaram a propagar o CHECKUP como preservação da vida. Os exames laboratoriais tinham aumentado em muito a precisão. O conhecimento bioquímico havia dado um grande salto, a tomografia começava a engatinhar, bem como o ultrasom; com melhorias realmente importantes no conhecimento do funcionamento global do organismo.

Na época Dr. Oscar Pereira, urologista estava com um doente internado. Sem o glamour dos grandes Hospitais, era um doente do Rural internado no prédio original da Santa Casa de Marília. O Hospital pioneiro dos primórdios da cidade cedeu lugar, com o progresso da região a outro mais moderno e adequado as exigências. Por motivos sentimentais foi conservado. Na época servia de enfermaria. Era um prédio acanhado. Para a época de construção deve ter sido dos melhores, com um saguão central  fazia a distribuição para três quartos mais amplos e, um postinho de enfermagem, logo à entrada.

Este senhor; chamarei de José, portava uma hiperplasia prostática, que o impedia de urinar. Tinha perto de sessenta anos, mas parecia muito mais velho pelos percalços da vida rural. Como estava debilitado o médico solicitou o clinico, eu no caso, para prepará-lo para cirurgia, demorada e debilitante. Poderia agravar o quadro do paciente e colocá-lo em risco de morte.

Doente examinado; pedi todos os exames necessários: Eletrocardiograma, Raios-X, exames laboratoriais, ou seja, o recomendado para nos dar segurança.

Na mesma semana um senhor, que chamarei Outro José foi a São Paulo, sem nenhuma queixa para internar e ficar por dois dias fazendo exames. Foi a um grande Hospital com tudo de mais moderno, inclusive o que ainda não havia chegado ao Interior.

Pronto os exames do Sr. José, passei a visita rotineira, visitei Sr. José, estava bem e, após uma hora encontrei Dr. Oscar na sala dos médicos. Fui dar-lhe a boa noticia:

-Oscar, pode operar o paciente, todos os exames estão absolutamente normais.

- Ele acabou de falecer, ele retrucou.

- Como?

- Estava dormindo, morreu.

-Com os exames normais?

- Sim.

O Outro José em São Paulo não teve melhor sorte. Com os exames normais, na pasta que o hospital lhe forneceu, teve um mal-súbito no elevador, dentro do hospital e morreu na hora.

Esta infeliz coincidência pode ser aproveitada para uma revisão de conceitos. Na ânsia de novas tecnologias e descobertas, plenamente válidas, acabamos por abandonar práticas já sedimentadas, com a errônea idéia de serem obsoletas.

Heidegger, um filósofo da metade do século passado, deu grande ênfase em seu pensar na questão CUIDADO. Dizia ele, em outras palavras, que nossa responsabilidade no mundo é o cuidado. CUIDADO DE SI. Oras se somos responsáveis por nós mesmos, e realmente o somos, qual a função da Medicina como um todo?

Vamos considerar a sociedade um tecido. É sociologicamente chamado Tecido Social. No nosso existir nos relacionamos com a família, amigos, muitas vezes com importância maior que a própria família e com nossa comunidade. Ao mesmo tempo interagimos com o ambiente que nos rodeia, local, natureza, alimentos e vetores de doenças, predadores, vírus, bactérias úteis e patogênicas e assim por diante. Nosso cuidado pessoal consiste em viver o melhor adaptado possível nesta trama ampla. O filme Avatar, faz uma bonita metáfora neste sentido. Quando este relacionamento falha surge à doença; ou seja, um fator agressor, tanto uma bactéria como uma fator climático provoca a patologia.

É aceito em Psicossomática que sem a participação do próprio individuo a enfermidade não se instala. Adoecer é um estado de desequilíbrio. Obviamente existem outros fatores, incluindo o genético, senão seriamos eternos.

O dito popular bem antigo falava: “Morreu como passarinho”, ou seja, de tristeza. Homens e animais realmente morrem assim, pois abandonam seu cuidar de si. A função da saúde é Cuidar e não curar. A cura é conseqüência. O profissional de saúde a Equipe médica de nosso tempo, não pode diferir do Xamã, Benzedor, Feiticeiro e todos que passaram pela história; cuidavam. A medicação, com efeito real no organismo, química como é hoje, tem que ter a magia das ervas, chás, garrafadas e infusões e mesmo fumaça e rituais mágicos

Como em outras civilizações, o fato do doente se sentir assistido, amparado, enfim cuidado, é que vão propiciar as forças para ele mesmo cuidar de si e se curar. Independente da potência orgânica de um remédio. O objetivo sempre foi o mesmo. É isto que faz a humanidade ter a população atual, mesmo com guerras de extermínios e epidemias.

Quando se fala que “o médico é um sacerdote”, não se está referindo ao fato de ter cinco empregos como acontece atualmente, já que a comparação é mais antiga. A sentença se refere que ele, como sacerdote, tenta refazer a harmonia entre o ser e todo seu meio. Esta é a função holística de um sacerdote de qualquer cultura e pensamento. Ou seja: Dar meios para o enfermo Cuidar de Si.

Os dois José, um que foi fazer os exames provavelmente por acreditar que suas posses davam salvo conduto a viver bem, independente do cuidar de si e, só foi ao Hospital por exigência da família, e o outro, pela vida sofrida, sem urinar, solitário numa enfermaria não sentiram ou não aceitaram o apoio da saúde como um todo e desertaram. Morreram como passarinho.

A propaganda de Checkup nunca mais foi veiculada pelos grandes hospitais.





06/03/12

tony-poeta pensamentos










segunda-feira, 5 de março de 2012

as duas primeiras viagens - Primeira Viagem - As primeiras impressões.


AS DUAS PRIMEIRAS VIAGENS





PRIMEIRA VIAGEM – AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES.



Passado o vestibular para medicina voltei para meu emprego. Sempre trabalhara e estudara. Trabalhava na Semp, no Rio Bonito; para lá de Santo Amaro em São Paulo. Era correspondente de vendas. Gostava do emprego. A política da firma, objetivando vendas, era escrever longas cartas para o pessoal do interior e de outros estados, tentando tocar a vaidade do comprador pelas palavras, para colocar o produto.  

Não tinha sido chamado na primeira chamada; já estava programando o ano. Não se divulgava lista de excedentes.

Certo dia, tinha acabado de sentar em minha Olivetti, minha mãe telefonou. Fui chamado em Marília. Saí imediatamente, peguei alguma roupa e fui à rodoviária. Durante a semana conseguiam-se ônibus mais facilmente. Era cedo, daria para chegar a tempo.

Passando Bauru o Prata quebrou. Iria demorar um carro reserva. Peguei carona em um caminhão. Não teria paciência de esperar.

Era um senhor de quase sessenta anos, veio me contando que Marília era a maior frota de caminhões do interior, explicando como era a vida da cidade, sua política e daí por diante. Foi uma viagem agradável, apesar do sol que batia de cara em nosso rosto e, de minha pressa. Estava muito quente.

Parei direto na Faculdade, confirmei o interesse da vaga com a Lourdes. Estava realmente sob forte tensão, além do desejo de ser Médico, tinha sido pego de surpresa. Não daria para fazer a matricula no dia, o banco já estava fechado. Peguei um taxi até o Grande Hotel, onde me hospedara no vestibular, para esperar o dia seguinte, pagar a matricula, ir à faculdade e tomar o trote.

Jantei no Atlântico. Para passar o tempo resolvi ir ao cinema. Como nada conhecia, o garçom informou que logo em a frente, na Sampaio Vidal mesmo havia um. Fui até o cine Marília.

Era dia de filme japonês. Nunca havia assistido nenhum. Era o único brasileiro ao redor. Mesmo assim resolvi entrar para controle da ansiedade, que já era imensa.

O filme era do Samurai Cego. Pensei:- para passar o tempo vale tudo.

Como não conhecesse nada de Samurai, a paisagem e os costumes começaram me interessar. A história fantástica de um cego, ouvindo barulho de uma cobra dando bote de cima de uma arvore e, sentado, num movimento rápido pegou a espada embaionetada no cajado com que andava, e cortou a cobra em longitudinal. Impressionou-me a criatividade do diretor. Gostei tanto do filme que assisti todos que passaram posteriormente.

Na saída sentei para tomar uma cerveja no Cine Bar e o Sr. Rubens, vendo-me  solitário veio conversar. Naquele horário já não tinha quase ninguém e o dono, que me tornei amigo posteriormente, queria desculpa para tomar cerveja, sem a Lenira ficar brava.

Falei do filme e do fato de ter um dia só para filmes nipônicos. Contou-me então da Tradição do Cine Marília, de seu festival de cinema, do Premio Curumim e todas as glórias que a casa trazia consigo. Foi muito interessante e com certeza melhorou muito o olhar sobre a cidade.

Dia seguinte fiz a matricula e o trote foi só o corte do cabelo. Já estava em aula. Fui direto para sala de anatomia. Fui apresentado ao cadáver que trabalharia o ano todo. Era o Perigoso, um ex-jagunço que morrera idoso na mendicância. Triste história, digna de filme.

Estava pela primeira vez na vida tocando um defunto e ainda fizeram-me o favor de me contarem sua história. Tive medo e outros sentimentos que não consegui identificar. Éramos quatro alunos por corpo. Lembro-me até hoje onde era minha mesa. As outras, naquele dia não tive coragem de olhar.

Veio um recado: o trote seria a noite no bar da Prefeitura. Pelas três horas. Quando sai fui rapar careca. A Barbearia era do Piola, que vendo um calouro da medicina contou que era doador, que mantinha o cadastro dos doadores da cidade, que sempre arrumava o sangue necessário. Realmente vim saber posteriormente de sua grande Benemerência.

À noite fui conhecer e levar o trote no Bar da Prefeitura. Achei-o muito interessante, era uma estrutura de madeira sobre o espelho d’água sob a parte coberta do prédio. Muitas mesas ocupavam o local e, bem movimentadas. Muitas meninas o freqüentavam. Para quem vinha de São Paulo era fantástico, não havia estes pontos de encontro, geralmente eram só rapazes, sem nenhuma mulher.

Ninguém estava muito interessado em um trote solitário. Mandaram-me fazer um discurso e, fomos tomar cerveja.

No outro dia à tarde iria para São Paulo, já era sexta feira.



tony-poeta pensamentos

06/03/12