quarta-feira, 14 de março de 2012

CARICIAS


CARICIAS





Suaves mãos alisam minha face,

Acelera-se meu coração

Vindo célere o amor e a paixão

Existir em minh’alma com realce.



Sinto calor, pureza, delicias

Que alegre cupido brincalhão

Criou em mim nos traços da ilusão

E na forma suave de carícias.



Dada hora dou por fé, só estou,

Só neste quarto escuro, calado.

Nada do amor, e então pasmado



Busco as carícias. O amor parou?

-Sim! Foi-se junto à escuridão fria

Da noite que sumiu com o dia.





1965

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PENSAMENTO IDIOTA - CONFUSÃO


PENSAMENTO IDIOTA – CONFUSÃO





Ninguém nos põe em confusão.

Se nela estamos, estamos presentes, fomos andando.

Se o rolo enrola, nós também enrolamos,

Se não dermos corda, ele para.

Quanto mais enrolado, maior participação.

Se tiver muitas pessoas, lembre que somos uma delas.

Se der errado, ninguém nos enrolou.

É que nos metemos onde não podia.

Se der certo, não somos o esperto,

Podíamos ter evitado tanto trabalho.

Pense nisso!





14/03/12

tony-poeta pensamentos


tente sentir

imagem Google

TENTE SENTIR





Não veja,



Não ouça.



Sinta

A aproximação



Não cheire

Sinta o perfume



Não fale

Ouça o silencio.



Use seu ser sutil



Para buscar a vida

Não precisas ser guru

Nem iluminado



Pois a vida

De tão sutil

Não vemos

Com os olhos

Eles mentem

Nem com o ouvido

Que nos engana

Nem com o nariz

Que distorce.

A vida mora dentro de nós.



A vida

É de dentro para fora.



Fora...

Apenas um jogo de manequins

Que são vestidos

Conforme imaginamos.



O mundo é vibração

De cada ser vivente.

Só tem uma ordem

O sentir.

Sinta o mundo!







14/03/12

tony-poeta pensamentos


terça-feira, 13 de março de 2012

DONA MARIINHA


DONA MARIINHA



Bastava abrir uma janela e dava-se de cara com Dona Mariinha. Eram três vizinhos, Pai e duas filhas. Estas casaram e Sr. Salvador comprou o terreno de fundos, que dava frente à outra rua e ali vivia a família Santos. Ao meio a fofoqueira Dona Mariinha.

Esta senhora de setenta e cinco anos, viúva, pensionista ficava o dia todo em casa, não saia; dizia ter dor nas pernas e costas. Fazia alguma comida, pouco se sentia o cheiro, lavava duas ou três peças de roupa, varria por cima o jardim e o corredor e... Olhava pelas janelas. Tinha dois filhos adultos que raramente eram vistos. Entravam e saiam de casa sem falar com ninguém, provavelmente nem com a mãe.

Como muito manhosa, não tinha amigos, ninguém a visitava.

A família Santos, que cercava a sua casa, não lhe via com bons olhos, mal falando bom dia ou boa tarde, quando se deparava de frente nas janelas.

Alem de vigiar a Família Santos, esta senhora também vigiava o ponto de ônibus em frente à casa. Via que entrava no ônibus, quem descia, quem conversava com quem, as brigas de namorados. Enfim, olhava tudo que acontecia.

Certa noite deu aquela briga de família na casa dos Santos. Da. Leonor, mulher de Salvador comprou uma maquina fotográfica para Rafael seu neto, filho da Marli, sua filha da casa a direita. Acontece que Rafael tinha quebrado com a bola a vidraça de Meire, sua outra filha, da casa a esquerda e o avô o tinha posto de castigo.

Como acontece em toda família, seu primo Ricardo ficou com ciúme e sentiu-se injustiçado: - Como ele quebra a vidraça e ganha presentes, e eu que fiquei quieto, não? Meire tomou as dores e foi falar com a mãe, Sr Salvador lhe deu razão, Marli tomou defesa da mãe que começou a chorar. Fabio e Gustavo os dois genros se propuseram a comprar uma máquina para Ricardo e resolver o problema.

Na verdade aumentaram à briga. As esposas começaram a acusá-los de omissos, folgados, que queriam resolver os problemas dos filhos dando presentes e assim por diante. Foi às três famílias dormir de cabeça quente, já tarde.

Pela manhã cada um abriu sua janela e deu de cara com dona Mariinha. Saíram Fabio, Gustavo e Marli que iam trabalhar de ônibus, sempre estavam juntos pela manhã. Continuaram resolvendo o problema da máquina no ponto de ônibus. Da Mariinha olhava.

À noite, todos sentaram. Sr. Salvador falou: Temos que dar um jeito nesta velha; eu já sei como...

-Ela ficou ouvindo nossa conversa no ponto de ônibus, falou Marli...

- Não agüento mais esta vigilância retrucou Gustavo...

Todos estavam de acordo, tinha que ser dado um jeito

O Patriarca falou, vamos levantar nossos muros acima da janela e mudar o ponto de ônibus mais para baixo.

Mas como? Perguntou Fabio.

-Meu primo Aristides trabalha no escritório da empresa, vai ser fácil, disse com um sorriso de superioridade, típico de seu modo de ser, o chefe do clã.

-Mas não tenho dinheiro para fazer o muro agora, deixa o meu lado sem. Completou Fabio diminuído.

-Deixo, não. Falou Salvador. Te empresto, depois você me paga.

Dia seguinte começou a reforma. Levantaram o muro em uma semana e, neste tempo o ponto de ônibus mudou de lugar.

Daí em diante, raramente se via Dona Mariinha, ou andando como fantasma com a vassoura no corredor, ou olhando para o nada frente a casa.

Meire, três meses depois, chega triste em casa. Trabalhava no Hospital e o lar era seu descanso, raramente trazia problemas.

Gustavo estranhou, falou:- que houve? Você está triste.

-Dona Mariinha morreu...

Aquela velha fofoqueira? Coitada! O que houve?

A família estava reunida, como fazia todo dia à tarde, Meire explicou:

-Chegou quietinha, encolhidinha, sem falar nada, deu três suspiros e... morreu.

-Mas de que morreu? Perguntaram quase ao mesmo tempo...

-Meire já chorava, falou: Dr Caio disse que foi solidão.





13/03/12

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HOSPITAIS EM MARILIA


HOSPITAIS EM MARILIA





Alem da Santa Casa Marília possuía o Hospital Marília, como Hospital Geral, atendendo qualquer demanda. A Gota de Leite sempre funcionou como Maternidade e

O Hospital de Clinicas como Hospital Escola. Estamos nos anos oitenta.

Os hospitais tinham seu grupo de médicos por afinidade, já que não existiam restrições aos médicos atuantes no Município de freqüentar um, ou outro estabelecimento.

O Hospital Marília, que fui poucas vezes, tinha assim suas equipes, Dr. João Neves na ortopedia, Dr. Jader Stroppa na urologia, Dr. Sallum, Dr. Timo, Dr. Pastori e Gustavo Godoy Pereira que operava junto na cirurgia geral, Dr. Pérsio, Dr. Aurélio da Motta entre outros. era onde a gente deixava recados caso houvesse necessidade de deixar algum recado. O hospital, bem menor que a Misericórdia, vivia de seus médicos e de sua tradição, plenamente integrado a cidade.

Com as mudanças políticas que envolvia um todo, além da saúde, os doentes particulares que eram a base do Hospital escassearam.

Enquanto a Santa Casa tinha como provedor Dr. Christiano Altenfelder, que também era provedor da mesma instituição em São Paulo. Ele possuía um enorme resguardo político, arrumando verbas para as Misericórdias cada vez que a situação ficasse critica, o que era freqüente; o Hospital Marília ia se equilibrando conforme podia, com dificuldades cada vez maiores.

A Bolsa de Valores começou por esta década a chamar atenção de quem tinha para investir, com grandes booms e grandes quedas, porém virando manchetes de jornais, o que antes era ignorado. Em anos anteriores tinha-se colocados bolsas de títulos de acesso popular, vendáveis a prestação, que gerou grande curiosidade e interesse. A população começou olhar para esta aplicação, além dos títulos ao portados, que apesar de não aparecerem ao Imposto de Renda, tinha rendimento fixo e baixo para altíssima inflação da época.

Nesta época o Dr. Porto e Dr. Osvaldo Vicente, assumiram a Clinica Radiológica do Dr. Trentine e começaram a investir em aparelhagens no Hospital, criando até uma entrada própria na rua ao lado. Jovens e interessados concluíram que a solução viável seria uma abertura de capital. Com um aporte de Caixa, o Hospital teria tranqüilidade para passar a turbulência.

Como ninguém entendia desta aplicação foram feitas inúmeras reuniões, onde se inteiraram do funcionamento, quanto e como abrir o Capital. Chegaram finalmente a uma conclusão. Seria um aporte de determinada quantia, dividida em um numero correspondente de ações, com ações preferenciais e ordinárias. Foi aberto o Capital numa reunião que chegou a madrugada.

Aberto o Capital, os médicos da Santa Casa também resolveram investir, já que a situação da saúde nos anos oitenta era completamente incerta. Foram comprar suas ações.  Contava-se na Sala dos Médicos da Misericórdia a seguinte história: [omitirei o nome do agente, pois não presenciei, chamarei de Juvêncio] Que um médico dedicado e também desconhecendo tal mercado foi à tesouraria do outro Hospital efetuar sua compra. Pediu quarenta mil em ações.

O tesoureiro começou a fazer o documento de vinte mil preferenciais e vinte mil ordinárias. O colega se revoltou: - Não vim aqui para comprar nada ordinário, se é ordinário, não presta, afirmou.

De nada adiantou a orientação do funcionário. –Não quero nada ordinário, repetia, mesmo sendo explicado que todos aplicadores dividiam em dois o bolo.

Comprou tudo em Preferencial e foi embora contente.

Completado o aporte, foi feita a reunião para destinação em melhorias do capital arrecadado. Foram vendidas todas as ações. Dr. Juvêncio foi, e descobriu então, o que já lhe tinham explicado e não escutado:

Só acionistas com títulos Ordinários votam, Preferenciais recebem apenas o capital em caso de falência.

Mesmo assim saiu indignado:- Como pode uma coisa Ordinária votar e o Preferencial não?





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13/03/12

INTEGRAÇÃO




INTEGRAÇÃO







Dividir?



É o amor.



O amor é duplo,



Divisão de entes



Divisão de ser.



O amor



Divide o ser



Como célula



Um é meio.



Dois forma um



É a integração.





15/06/1985

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domingo, 11 de março de 2012

AFINIDADE


AFINIDADE





Afinidade é uma linguagem muda que conecta as pessoas, uma linguagem não presencial, sutil, totalmente sutil, que une os seres.

Se o amor gera a prole e a continuidade da espécie, a afinidade a mantém unida e coesa. O que une uma população independente de sexo é a afinidade.

Afinidade prescinde de presença. É uma linguagem puramente virtual, posso ter amizade com uma pessoa sem conhecê-la, só dos amigos me falarem dela, e ela agir do mesmo modo, ser um amigo desconhecido. Quando num momento de aborrecimento uma frase proferida por mim, ou meu amigo dependendo da referencia que tomamos, citada por estes contatos comuns, vai trazer calma e esclarecer o pensar. Não implica em conhecimento pessoal obrigatoriamente.

Ao ler os filósofos ou as religiões que professamos, todos nós professamos por um filosofo ou uma religião mesmo que não tenhamos conhecimento, a palavra do afim nos consola, mesmo que tenha morrido há séculos.

Nossa sociedade muitas vezes confunde afinidade com amor. Afinidade é um amor sim, mas sem desejos sexuais, eróticos, de contato ou de reprodução; é a forma de amor entre criaturas para que possam viver bem se amparando mutuamente. Afinidade é uma linguagem de outro amor. Muitas vezes pessoas se afastam por não entender que a afinidade não tem sexo e seu prazer. O prazer dela é em outro nível, e também necessário para todos os viventes.

Afinidade não tem raciocínio, lógica, valores, sexo e nem espécie. A afinidade do agricultor com seu cão ou seu burrico; a calma que sente na presença do animal fala uma outra língua. A afinidade une espécies. Vemos continuamente fotos postadas na face book de animais amamentando crias de outras raças, às vezes inimigas. Isto é afinidade, o relacionamento da sociedade civilizada ou não, dando coesão a seus elementos para que a continuidade do amor se mantenha após o nascimento.

Amamos sim nossos amigos e afins, conhecendo-os real, virtual ou só de ouvir falar, isto é bom, pois aquele que amamos também nos ama, e esta troca permitem que a natureza continue jorrando vida.





11/03/12

tony-poeta pensamentos