terça-feira, 27 de março de 2012

SER EU DE NOVO



SER EU DE NOVO.




Passe logo esta manhã,

Que chegue à tarde

Talvez o amanhã,

Para que a angustia acabe.



De um sonho

Quem sabe?

Meu ser renasça.

Numa fonte da juventude.

Possa eu rejuvenescer!

E aí:

Terei de volta

O rolar livre

Como folha no campo

Sentir a chuva

O sol e o vento

Louvar a noite.

Ser eu de novo!

Aí serei completo

Sendo

Apenas natureza.



28/08/2008

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segunda-feira, 26 de março de 2012

O que ovocê vai ser quando crescer?

O que você vai ser quando crescer?








Uma pergunta que ninguém deixa de fazer a uma criança: O que você vai ser quando crescer? Na verdade uma pergunta cobrança. Diria assim, traduzida as intenções ocultas: Quanto você vai se esforçar e se programar, para ser alguém de destaque na sociedade? A pergunta despretensiosa é na verdade uma cobrança inquisitiva. Nela exige-se que a criança estude, se comporte, tenha os valores sociais de onde vive e projete um futuro.

Todos nós acabamos de fazer esta cobrança cruel. Na verdade se por um lado tem a qualidade de manter os valores sociais e dar coesão a sociedade. Por outro, tem o defeito de fazer o pequeno ser viver o futuro. É na realidade, uma imposição de futuro uma projeção.

Estamos exigindo que se pense o futuro, portanto. O presente, passa deste modo, a ser apenas um rito de passagem, sem valor real, pois o tempo é o futuro: O que você vai ser? Este assassinato do presente tem, sim, conseqüências. Estamos perdendo o hoje.

Noto em meu trabalho, uma juventude triste. Mesmo curtindo as músicas do momento, vestindo-se adequadamente a época e indo as baladas; no fundo se percebe tristeza nas repostas monossilábicas e no olhar baixo.

A maioria trabalha, nem todos estão estudando, mas já completaram o ciclo básico. Não há, portanto problema de falta de escolaridade. Mas, são evasivos, temerosos. Não podia ser de outro modo.

Ao entrar no mundo do trabalho, no auge da juventude, recebe no seu salário o desconto da previdência. Ou seja, o desconto de aposentadoria. Estão, ao mesmo tempo, no começo e fim. Mesmo não percebendo claramente a relação; que é difícil de associar, pois as atividades são intensas, trabalho, estudo alguns, casamento ou noivado, outros com familiares em seus ombros; pesa ainda a sobrecarga de: o que você vai ser? E: como será sua velhice? O futuro que lhe jogaram na primeira pergunta não chegou, estendeu-se a segunda. Não mais é o que você vai ser, mas também como você será como velho e como vai esperar a morte.

Note-se que é um roubo de infância e juventude. Cada vez mais aumenta as horas na escola. A vida moderna e a necessidade de trabalho dos pais assim o exigem. Quando poderia desfrutar o presente, fazer o que gosta, amar, enfim ter uma vida mais livre, a necessidade obriga dedicação, Você tem que ser o melhor funcionário. E preparo para quando se aposentar, ou seja, ficar dependente e morrer. Não é nada alvissareiro.

A incerteza quanto ao presente tem graves conseqüências. Vemos uma violência e marginalidade crescente em todo mundo e a venda de antidepressivos batendo todos os recordes, como os remédios mais vendidos; necessitando meios de controle. Por outro lado a medicação para potencia sexual, que inicialmente se dirigia a idosos, já é consumida em abundância em jovens, aparentemente sadios.

Nossa sociedade encontra-se em uma fase mais acelerada de transição, tanto o comportamento com nossas crianças e jovens, como suas conseqüências são aceitáveis. Mas, cabe aos governos minimizarem, o que não acontece. Para os governantes revoltas são casos de policia e, cada vez que a sociedade entra em ebulição, ao invés de contê-la e procurar corrigir as causas, coloca-se mais policiais em serviço, aumentam as proibições [toda proibição é burra; demonstra incapacidade de lidar com o problema], aumenta-se o castigo e as penas. Marginaliza-se cada vez mais uma sociedade, que já não tinha ponto de fixação no presente, pois tem que viver num futuro que desconhece.

Ou seja, piora-se o que já não estava bom. Estes governantes demonstram um desconhecimento de história [devia ter exame de historia e sociologia para governar] Pois se a sociedade está em ebulição, ela está dizendo que quer novas mudanças e, que alguns pontos sejam de outra maneira. A função do governante é atender a sociedade e tentar, pelo menos amenizar, as agressões que a mesma está impondo e ao mesmo tempo sofrendo.

Mudanças sempre houve na raça humana, desde quando iniciamos a civilização. Levará mais ou menos tempo para um aparente equilíbrio, dependendo das atitudes de seus elementos. Temos que pensar nisso.







tony-poeta pensamentos

27/03/12




OUTONO


OUTONO




Outono

Caem as folhas

Caem planos

Caem amores.



Morrem?



Renascem!



Cada folha que cai

Reascende no chão

A beleza do amor

Reacende na alma

O sol da primavera

Refaz no pensar

A sabedoria do inverno



E refaz a vida

Eternamente.





26/03/12

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BUSCO AMAR


BUSCO AMAR






Sou poeta

Vejo de outro ângulo

Excêntrico, corro os olhos.

Busco amor...

Em todos os gestos

No movimentar das mãos

Na graça do andar

Na expressão de cada rosto,

No sorrir e no chorar.

Meu Universo

Permite sentir

Amar.

Mas...

Também não amar.





26/04/1985

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domingo, 25 de março de 2012

MORREU DE TANTO FICAR NA NET


MORREU DE TANTO FICAR NA NET






Há três dias postaram esta noticia. [MORREU DE TANTO FICAR NA NET]. Não houve muitos comentários. Creio que gerou alguma preocupação. As pessoas diante de fatos preocupantes e, que podem ter a ver com seu comportamento, evitam falar. Como já estava há horas escrevendo, também tirei a pressão. A pressão é um santo exame. Está com dor de cabeça: Mede a pressão. Bebeu demais: Mede a pressão; Dor de corno: mede a pressão várias vezes; e assim por diante.

A pressão estava normal, como em todos os casos anteriores exemplificados. Era quatro da manhã. Preocupado olhei o monitor. Tinha uma moça.

Moça não, uma fada nua; com olhos de jabuticaba hipnotizantes, boca vermelho cereja formando coração, no delinear fino e delicado dos lábios, que deixava entrever a língua sensual e carnuda em movimentos sutilmente provocantes..

Pensei imediatamente na noticia, imaginando que o infeliz rapaz começara a ter tais visões antes de falecer. Mas a tela forçava minha fixação. Transportou-me a um Paraíso a Dois onde tudo era perfeito. A decoração impecável não era desarrumada, mesmo que tirasse as coisas do lugar. Deixei meu sapato, logo na entrada e prontamente reapareceu na sapateira. Fui urinar e os pingos, fora do vaso imediatamente desapareceram e, como que por milagre um perfume de rosas do campo inundou o ambiente.

A fada nua estava vestida em roupas de festa para me servir champanhe. Preferi uísque e sua veste mudou para uma calça jeans que dava formato perfeito ao corpo e uma blusa super sensual que deixava ver a silhueta dos seios e dos mamilos.

Tudo que passasse ao redor era ignorado. A musa era só carinhos, só caricias e, não reclamava, não fazia dengo, não tinha mal humor. Apenas agradava com o toque sutil de quem tem amor.

Pensei: Ou entro na tela, ou ela vem para o quarto. Ainda lembrei-me de imaginar o rapaz falecido, mas o bom senso disse:- Dane-se!

Concentrei-me. Era melhor entrar na tela. Mesmo sendo uma fada, iria dar trabalho arrumar meu quarto, pelo menos dez pares de calçado estavam fora da sapateira, a cama não tinha sido arrumada. Tinha sobre ela um pijama de frio e um de calor. Tinha esfriado a noite, era realmente dentro da tela o lugar ideal.

A musa deu aquele sorriso super doce do outro lado. Seus olhos brilharam com as cores mais envolventes que eu jamais tinha imaginado. Seu corpo como um bale se moveu a meu encontro, para o encontro divinal. Vivo ou morto, não mais importava. Cores forte apareceram na tela e, de repente...

Queimou o monitor.



25/03/12

tony-poeta pensamentos




MEU EGO, SÓ MEU


MEU EGO, SÓ MEU.




Procuro meu ego

No teu,

Mas como! se é só meu?

Força estranha

Que com escárnio avança

Entre meu e teu.

Será que teu ego é meu?



Se quando  só e abandonado

Não sei quem sou?

Quando perdido

Procuro identidade

Busco o amor... É verdade!

Mas, o que é amor senão um auto encontro.



Sou e somos apenas

Fagulhas jogadas ao espaço

Buscando manter nossa luz

Que sempre próxima do fim

Precisa da chama ao lado.

Dai o apego.



Não posso perder!

[Diz o amante, o amigo, o companheiro...]

Esta lamparina sociedade

Precisa de todos os egos

O meu próprio ego

Chama-se apenas,  vaidade.



25/03/2012

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sábado, 24 de março de 2012

A CAMA


A CAMA





Em lençóis brancos de doçura e asseio,

Quatro pés, um estrado e um colchão,

Um cobertor e um travesseiro

Teremos um terço da vida e, então

Veremos quanta coisa que de corriqueiro

A nossa mente não chamou atenção.



Ali, nos brancos lençóis é o lugar

Onde o sonho é televisão

E somos personagens; podemos amar

A quem não nos dá atenção,

Podemos fazer castelos no ar

Sem nenhuma preocupação.



É ali que saramos quando doentes.

É ali que descansamos da agitação,

Esquecendo as dores ardentes

Que nos perturbam o coração,

Dando-nos estados diferentes

E, mudando esta ou aquela opinião.



É ali o palco do ato

Que devemos nossa criação.

É ali que tudo acontece de fato,

Tanto na realidade, como na imaginação.

É um reino em que somos reis

Senhores de toda e qualquer ação.





1967

Publicado em O NEURONIO 07/1969

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