sexta-feira, 7 de julho de 2017

ANTES DO ALMOÇO

foto Google


ANTES DO ALMOÇO

Dez horas da manhã, dia de buscar os remédios para a pressão. Eu e Ana, minha esposa, fomos a farmácia. Aproveitando a saída compraríamos outras coisinhas.
Logo na entrada farmácia quase fomos atropelados por um senhor de classe média, de cara fechada que passou bruscamente a nossa frente. Conversou com uma senhora, que já estava no balcão, ora em português, ora em alemão, notava-se que o atendimento era pela Farmácia Popular. Além do azedume da classe burguesa e da fala, mal se dirigia a balconista que tentava ser atenciosa. Saiu bufando com sua medicação gratuita.
Ana observou que o País é generoso, fornece gratuitamente medicação para não brasileiros. Acrescentei que o elemento que acompanhava a senhora, dada a postura e a cidade burguesa que moramos, provavelmente é o mesmo que reclama das Políticas Sociais, ora em extinção, em valor muito inferior ao benefício que estavam gratuitamente recebendo.
Antes de dirigir-nos ao carro, após efetuada as compras, deparamos com uma jovem em andrajos pedindo dinheiro para comer. Ainda estávamos na farmácia. Como hábito peguei algum trocado para oferecer, o que o fiz mesmo com a mesma cercada pelos balconistas que a olhavam desconfiados, ou com medo inexplicável, dada a inofensividade e precariedade da pessoa. Atrás de nós ouvimos um senhor reclamando que nem podia comprar seu remédio em paz e não merecia este abjeto desprazer.
Ainda no caminho para a condução, iríamos ao Hiper Mercado, sob uma marquise abandonada onde sem tetos se protegem, a polícia fazia uma “batida” nos “moradores”, estes com as mãos para cima aguardando a consulta ao computador da viatura. Uma inspeção de rotina onde todos pobres e desempregados tornam-se suspeitos, são revistados, numa inserção social negativa e discriminatória, para atender uma população apavorada que acredita que pobre é vagabundo e criminoso. São exatamente estes coitados que nas madrugadas frias são agredidos, tem seus parcos pertences roubados, suas cobertas levadas ou rasgadas por anônimos em função de um delírio que cada dia mais se torna coletivo.
Já no Super mercado, comprado o necessário nos dirigimos ao caixa. Um senhor de aproximadamente setenta anos embalava suas compras já registradas. Comecei a dispor as minhas no balcão quando fui empurrado. Este senhor, na contramão, de volta ao setor de compras: resolveu trocar um vinho, o levava na mão. Não pediu licença, nem desculpas, nem olhou em minha direção, como só ele existisse. Pensei em retornar a agressão, mas me contive. Na verdade, não sou agressivo, felizmente.
Ao retornar para casa comentei com minha esposa, que saudades da sociedade que conheci, onde fazer compras era um prazer, as pessoas se conheciam, as balconistas nos chamavam pelo nome e demonstravam afeto, as pessoas pertenciam a uma comunidade onde todos compartilhavam. Até os mendigos locais tinham nome e não precisavam pedir. Será que uma sociedade onde o triunfo monetário mede as pessoas e as classifica em castas tem futuro? Como pode um homem provavelmente aposentado não respeitar ninguém, mesmo não sabendo quem está a seu lado?
Pensando bem, a era da internet e dos telefones que acompanham as pessoas aonde vão, sempre teclando, é uma solução justa para uma sociedade sem pessoas, habitada por sombras que se movem taciturnas sem sorrisos. Do pedinte ao aposentado, todos estão se tornando invisíveis com medo de tudo que os rodeia.

07/07/17
Tony-poeta


quinta-feira, 6 de julho de 2017

TANGENTES

IMAGEM GOOGLE


TANGENTES


Tangenciando o viver
Seguem os afetos,
Se manifestam
A cada encontro
De corpos.

Luzes:
Negras
Azuis
Vermelhas...
Marcam o instante
De uma jornada
Sempre solitária...

06/07/17

Tony-poeta

domingo, 18 de junho de 2017

DOMÍNIO DE ESPAÇO


imagem mais que palavras

Domínio do espaço


Falar
É nomear sentimentos
Catalogar objetos.

Criar arabescos
Em formas verbais
Separar o bem e o mal.

Balbuciar
Amor e medo
Delimitando espaços:
- Dizer amo ou odeio
Nada mais.

16/06/2017

Tony-poeta

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mentecapto poema de Érico Jorge Gomes


imagem Google

Mentecapto
Poema de Érico Jorge
Gomes

A mente talvez se chame mente, porque engana a gente;

Quem de nós nunca acreditou nas verdades que ela cria? Fantasia...

O partido político talvez se chame partido porque é sempre dividido;

Para se chegar ao poder o partido engana a gente através do político;

Sendo assim o político deveria se chamar Mente;

O pior que a gente olha o cara e fantasia; 

Achando que ele não veste uma;

Afinal quem nunca acreditou nas verdades que eles criam?

O partido mente; o político mente; a mente, mente;

O povo não capta, fantasia;

E quando olha pra trás; 

 : ---- o (ooou no _ú)


Mentecaptou?

o combustível da sociedade ÉRICO JORGE GOMES

O COMBUSTÍVEL DA SOCIEDADE

por Érico Jorge Gomes

Com ela tudo fica mais fácil;
É algo inerente ao ser humano e está mais forte do que nunca;
Virou o combustível da sociedade;
Potencializado pelas ferramentas de dispersão instantânea, que cabem na palma de sua mão;
Se você está no comércio ou no ramo de serviços, para vender algo por 100,00, peça 120,00;
Para estabelecer uma meta comercial, diga para a sua equipe que o ponto de equilíbrio é um pouco mais, ah vou além, diga que é o dobro. Sobre prazos de entrega diga sempre que são menores;
Na política? Para ganhar uma eleição, prometa o que não pode fazer, mas é o que o eleitor espera; depois que ganhar, para realizar uma obra, faça aditivos para dar o troco a quem te ajudou; se não esqueceram aquilo que você disse lá trás mas não pôde fazer, jogue a culpa em alguém: ou no outro poder, ou na pessoa que estava no seu cargo anteriormente;
Ainda na política, na prestação de contas, não se esqueça sobre o que você fez “por fora”, e você fez, pois todos fazem, isso deve ser maquiado como se tivesse sido feito por dentro, afinal a conta precisa bater contabilmente; Bom política é melhor deixar pra lá né?
És um consultor?  Adquira o que não pode comprar só para mostrar status e poder, se o que você projetou para um cliente não der resultados jogue a culpa em “fatores não quantificáveis”;
Se indicar um amigo para alguém que exerça uma atividade que não é a sua, peça a comissão, afinal sem você ele não teria conseguido;
É veículo de comunicação? De qual lado que você está? Divulgue apenas o que é interesse do lado que você defende, afinal é ele quem te paga, potencialize o que é bom e desqualifique o que é ruim, em último caso você pode usar o combustível da sociedade, ele dará apenas um processo que demora a ser apurado e se perde com o tempo; ah não se esqueça de se declarar neutro sempre.
Aconteceu um acidente no seu carro? Tente avariar outras peças que não foram atingidas, mas estão desgastadas, afinal seguro é para isso;
Por acaso você é funcionário? Pois bem, falte e compre atestado médico falso, utilize o equipamento da empresa que você recebeu pro trabalho para fins particulares, use toda a verba de alimentação mesmo que não tenha usado, pegue notinhas fiscais a mais por conta disso, se foi viajar minta e diga que chegou bem tarde para ganhar hora extra, dê uma “xuxadinha” aqui e outra ali nos dados que dependem de você para mostrar eficiência, e por aí vai, as técnicas são infinitas em todos os segmentos e a lei estará sempre ao seu favor;
Era estudante e ainda tem a carteirinha? Use-a para pagar meia em tudo.
Esse combustível é formidável! Quanto mais você utiliza, mais vai querer utilizar, pois ela vicia;
Vicia a tal ponto que tudo isso passa a ser normal e você continua uma pessoa idônea de sucesso;
Neste mundo o blefe vale, como se fosse um jogo de truco gigante que ao invés de jogar em dupla ou em trio, você estará jogando em rede, em meio a sua bolha solitária;
Chega um momento onde, sem você perceber, o truco virou rouba-montes, mas o monte estará sempre fora do seu alcance, pois o controle do jogo fugiu completamente das suas mãos;
E você não tem mais saída a não ser encarar a verdade, palavra que você já deixou de lado;
E mesmo que você tenha conquistado o mundo, ainda te falta tudo.
É nisso que dá usar esse combustível da sociedade, é algo que foi adulterado, te envenenou e você precisa de coragem para enfrentar a ressaca que está por vir.
Uma vida de mentiras leva a ressaca de verdade.












sábado, 6 de maio de 2017

população


IMAGEM GOOGLE


POPULAÇÃO


A gigantesca população

Que hoje habita

É convulsão
Desencontros

Seres perdidos

Que no íntimo buscam

Se complementar

Neste frenético buscar

Na loucura do encontro

Da comunhão plena

Do aconchego

Do compartilhamento

Do amor




Tony Poeta.

domingo, 23 de abril de 2017

A NOITE PASSA




A NOITE PASSA

A noite passa
nem depressa nem devagar
nós damos o ritmo.

A alegria e o sofrimento:
cria de nós mesmos,
apenas efeitos
de pensamentos.

Que a vida passe
e passemos sorrindo
somos apenas uma fantasia
fazendo fantasias.

Que sejam de amor.

23/04/17

Tony-poeta