sábado, 10 de março de 2012

AMORES DO DIA


AMORES DO DIA



Amanhecer,

O poeta se refaz da noite.

Sonhos e fantasia se misturam,

Voam a algum lugar desconhecido onde fica guardada a poesia que movimenta o amor.

Apenas ouve longinquamente as harpas que enlevaram suas fantasias.

Está de volta a terra e seus problemas,

O amanhecer perde a poesia.

O amanhecer é a preocupação com o amanhã.

As dificuldades não resolvidas tomam à dianteira.

A poesia ficou no éter.

Na terra, olha a seu lado

Dorme a amada, ainda sonhando,

Fazendo a transposição do amor para jardim da harmonia.

È hora de agir, pensa o poeta.

Tenho de refazer o sonho, para que renasça com o dia.

Como pode a noite matar toda poesia e trazer-me de volta ao quarto frio?

Pega o papel, começa a escrever:







Os amores do dia

Evaporam-se na noite

Juntam-se aos sonhos

E viajam para o reino encantado

Das fantasias.



Pela manhã

Você ao meu lado

É sempre recomeço.



Recomeço ansioso

Tímido, encabulado

Que pede palavras doces

Sorrisos de alegria

Nos gestos leves

De caricia

Em tua tez encabulada.



As novas juras

Que revolucionarão o dia

Nesta guerra de amor

Alimentará

Na noite

Os sonhos

Que subirão ao éter

Para ornar como flores

Os jardins do Paraíso.



Assim serão todas manhãs

Onde o amor renascerá junto ao sol

Com seu calor envolvente

Que aquecerá nossos dias

Preparando as caricias de amor

Das noites sempre sonhadoras.



A musa abriu os olhos

Sorriu, ainda vendo embaçado

Deu-lhe um beijo

Disse: Bom Dia!





10/03/12

tony-poeta pensamentos

A MIJADA DO LACAN


A MIJADA DO LACAN







Os hábitos urinários de um cão macho são de difícil controle. Lacan nos deu algum trabalho, em parte devido nossa inexperiência. Nunca tivemos cão dentro de casa. Mas, contornamos o problema e ele só urina no jornal que colocamos, ou próximo dele. Parece que o conceito de local, para ele, é mais amplo que o nosso. Quanto às fezes, só a faz na rua em local com grama e mato.

Portanto, acabou por ser bem administrada  as necessidades, salvo quando nos visitam seus “primos” os Yorkshire do Rodrigo e do Carlos. Parece que os três comandam o rim e produzem urina ininterruptamente, marcando, remarcando, marcando de novo o território. São todos machos. Para desespero das mulheres que sobem as cortinas, tiram objetos do chão e tomam todas as precauções, sempre infrutíferas.

Como a Ana viajou, fiquei só eu e ele em casa.

Damo-nos muito bem, eu tento entendê-lo e ele faz o mesmo comigo. Creio até que leve uma certa vantagem, pois enquanto me distraio no telefone, leitura e computador ele tem todo tempo para me observar, o que só deixa de fazer quando está dormindo. Para ele a sesta é sagrada. Tanto é que a noite, na hora dele dormir, fica insistentemente lambendo minha perna. Não gosta de dormir só e sempre pede companhia a alguém próximo. Como aprendeu que, dando uma lambida vou verificar o que ele necessita, uma das linguagens que usa é esta. Um tanto molhada, mas eficiente. Sempre dá certo.

O fato de estar só, a moça que nos ajuda só vem de dia, dá a liberdade de usar o banheiro e as demais dependências do pequeno apartamento de portas abertas. Ficar sozinho, preso, com a porta emperrada não deve ser nada agradável.

Notei que Lacan, que acompanha tudo atenta e presentemente, ficava olhando minha urinada. Até aí tudo bem, me esforçava para não respingar fora do vaso.

É interessante notar que já vi piadas de respingos da urina em todas as línguas, sempre com charges engraçadas. Portanto a falta de pontaria deve ser um problema Universal. Para isto adaptei meu esquema. Como é proibido passar o Piso de Banheiro nas gotas excedentes; quando só, levo um pano de chão ao banheiro; coloco um frasco do cheiro escolhido pela esposa ao lado. Não pode ser qualquer Pinho. Ela diz que fica cheirando banheiro de Rodoviária. A vida toda passei os dias trabalhando, o banheiro doméstico só usei a noite por todos estes anos, para mim cheiro de banheiro é cheiro de pinho. Mas, tudo bem, compro o cheiro escolhido. E se houver algum erro de pontaria, passo o pano, ponho algumas gotas de cheiro, sempre erro e sai bastante, mas não vem ao caso, repasso o pano e está tudo cheirando nos conformes.

Como dizia, Lacan observava atentamente. Certo dia notei uma mancha grande de urina no pé do vaso. Era uma boa quantidade. Verifiquei se tinha feito corretamente a higiene local após meu uso, estava tudo certo. Limpei, coloquei o cheirador. Após algum tempo, de novo. Como não tivesse ido ao banheiro era o Lacan. De olhar aprendeu.

Realmente começou a urinar ao pé do vaso. Aguçou minha imaginação. Fiz várias hipóteses: Podia estar competindo pelo domínio do território. Li que os cães e outros mamíferos marcam a posse do território por urinadas; ou então que seria um mecanismo de submissão, aonde iria a meu território e se declararia subalterno, menos provável. Poderia também, e esta sim me deixou pensativo, que tivesse aprendido que o lugar de urinar era ali, como já tinha feito com as fezes; Seria fantástico. Continuei a análise, comprei mais cheiro e sacos alvejados para definir melhor o processo cientifico.

Ana chegou. Não lhe falei nada. Deixei que observasse por si. Foi rápida a observação:

-Não chega você, e agora o cachorro mija fora do vaso! Exclamou.

Achei a atitude não cientifica, lembrei-me de Sócrates que teve que expulsar Xantipa sua esposa, antes de tomar a cicuta, pois ela estava se escabelando, sem manter a classe antes da morte. Expliquei que a observação era importante para avaliar o raciocínio canino. Que não tinha relatos nos livros de etologia, argumentei, argumentei em vão, Xantipa continuava a se escabelar. Determinou que a porta do banheiro permanecesse fechada.

Fui obrigado a obedecer. Lacan entendeu voltou ao jornal, nem de birra mijou na porta do lavatório. Agora conservo a porta fechada, com receio que a não obediência provoque a compra de uma enorme argola, onde a chave será colocada e pendurada na cabeceira da cama, e para usar o banheiro terei que pedir ordens. Do jeito que acontece nas repartições públicas.





10/03/12

tony-poeta pensamentos






PARECER

PARECER







O pare

                                                      Limita o ser



Não tente!



                                              Parecer é fantasia.



SEJA!!!!!!!!







10/03/12

TONY-POETA PENSAMENTO

APOCALIPSE


APOCALIPSE





Apocalipse

Quem sabe?

Cavalo ou cavaleiro,

Com ou sem sela

Montaria que bate

Na guerra,

No íntimo?

No ritmo

Leal

No jogo e no logro

No final

No juízo

No Paraíso.

De volta ao inicio,

No fogo?





31/08/1995

tony-poeta pensamentos


sexta-feira, 9 de março de 2012

TEMPO DE AMOR -PENSAMENTO


TEMPO





A teu lado

Passo o tempo

Tempo só de amor...



O tempo passa...

Mas para!

Da um tempo,

Para olhar este tempo,

Tempo de nosso amor.







09/03/12

tony-poeta pensamentos

CORRER ou AMAR pensamento


CORRER ou AMAR





Para que correr?

Este frenesi produtivo

É necessário?



Viver

É apenas:

Respirar

Guerrear

Reproduzir...

E seu resultado,

Amar...

Apenas amar,

Mais nada.





09/03/12

tony-poeta pensamentos

O DEDO


O DEDO





Uma cobra

Afronta

Pica

Mata

Desafia

Aponta o nada

Aponta o tudo

Aponta a falta.



Não há poesia!



Uma cobra

Que aponta

Marca o nada

O desprezo

Nasce no dedo

Que nada sabe.





19/05/1995

tony-poeta pensamentos