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O JOGO
O Buraco do Pedrão tinha um campo de várzea. O time era
afinado, costumava ganhar todos os jogos, se bem que a torcida adversária
reclamasse que o Juiz era da comunidade e, a torcida local, muito agressiva. Na
verdade não permitia torcedores do outro time. Um ou outro que tinha coragem de
ir assistir o jogo ficava bem no meio de torcida do Pedrão e não tinha coragem
de falar nada.
O Operários, apesar de ter um bom time jamais ganhara um
jogo. Alegavam que além da torcida não comparecer, havia o problema das traves.
O goleiro do Pedrão era o Pedrinho, neto do fundador da
comunidade. Era baixinho, tinha um metro se sessenta. Para não fazer desfeita à
tão importante figura, resolveram o problema fazendo traves sanfonadas. As traves feitas de tubos adaptáveis, que
aumentavam e diminuíam conforme a necessidade. Assim, no gol do Pedrinho esta
era diminuída, ficando do tamanho de uma trave de futebol de salão e a do outro
lado ficava normal. No intervalo adequavam as traves.
Jurandir, goleiro do Operários não se conformava e tinha por
birra vencer o Pedrão. Era ele que marcava os jogos do time. Como se sabe: jogo
de várzea é marcado no boteco.
O ponto de encontro ficava entre as duas comunidades.
No ultimo jogo, Jurandir junto ao calção levou um tubo de
cola de rápida secagem; no intervalo colou a trave aumentada de modo que a
mesma não diminuísse. O jogo estava zero a zero.
A torcida do Pedrão ficou agitada, a diretoria não se
conformava por não conseguir diminuir a trave. Como o jogo tinha que continuar;
havia sido oferecida uma taça pelo Isaias, dono do boteco e este estava
presente, deram inicio ao segundo tempo.
Jurandir, na primeira bola que pegou, valendo-se do seu
forte chute. Era um homem de dois metros de altura e musculoso, bateu com toda
a força em direção do gol adversário, chutando do próprio gol. Como o campo era
menor, a bola chegou com facilidade rente ao travessão e Pedrinho não a
conseguiu alcançar, já que era baixinho. Um a zero.
Trocaram o goleiro que saiu sentindo-se injuriado, colocaram
um goleiro com maior altura, mas não adiantou o jogo acabou neste um a zero.
Foi aí que o juiz agiu. Expulsou Jurandir, proibindo-o de
voltar a jogar no Pedrão. Anulou o gol alegando que gol de goleiro não vale;
apesar de estar na regra: mas regras podem ser mudadas, e com a pressão da
torcida local o time foi embora, enquanto a direção do time do Pedrão com uma
lamina de bisturi removia a cola do gol que acabara de ser sabotado
criminosamente.
Tony-poeta
13/11/12
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