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O COPO E A ESTRELA
Há uma estrela delicada
Que me espia através da porta
E, ela virgem não se abala
De com sua luz doce entrar
Nos umbrais deste recanto.
E se aconchega, vem mansamente
Como a amante cariciosa,
Pede-me mil noites de amor,
Fala doce, num sussurro
Envolvente vem cativar-me.
Mas o copo, com voz rouquenha
Toda cheia de desencontros
Argumenta, brinda o colega
Explodindo em palavreados:
- Sou eu que amigo misticamente
Faço o mundo ser-te brando
Nos giros de teu abstrato
Não importa a razão. Ébrio
Tens um país de utópico sonho.
-não o escute, sinta a luz,
Muitos antes já sentiram
Como tu. Me ouves agora
Viveram em minha terra
Meu lar é de amor e, existe
Aqui nesta luz sussurrante
Que te abraça e acaricia...
-mas minha música é real,
É envolvente, tem o tom místico
Dos incensos do Oriente
Tem sonhos feitos de espumas
Do mar, da areia, do amor...
-Eu sou o canto virginal!
-E eu, a orgia, o bacanal
Que no corpo quente e bronzeado
Da morena que se aconchega
Te aquece toda em amor.
-Eu sou o sonho e a luz eterna.
Eu sou a realidade!
De repente chega à alvorada:
A estrelinha definha... Apaga...
Suado o copo fica oco... Mudo...
Nada resta! Foi uma noite!
Sinto-me só e vazio.
14/11/1969
Tony-poeta
Publicada em “Os Antípodas”
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