segunda-feira, 5 de março de 2012

O JOGO DA VIDA


O JOGO DA VIDA





Observador da vida

Olhei seu jogo.

Tentava

Aprender jogar.



Confuso:

Vi desenganos,

Muita gente chorar

E, procurava a regra,

A regra de se jogar.



Atônito,

Eu poeta não entendia

Este jogo sem poesia

Este jogar por jogar

Que nenhuma regra seguia.



Desisti.

Não iria jogar

Pois não sabia.

Aí, tudo ficou claro

Que loucura!

Entendi...

Ninguém joga!

Seres se desesperam,

Se matam,

Se descabelam,

Apenas...

Tentando amar



Era tarde...

Tony-poeta pensamentos

05/03/12






viver, mais nada


VIVER MAIS NADA





A mata

Encontra o mar

O tempo para.



O tempo anda?



Refugio nativo

Não tem tempo

Não vai

Só vê.

[Sorver

A vida]

Apenas viver

Mais nada.





05/03/12

tony-poeta pensamentos

domingo, 4 de março de 2012

FESTA ENTRE AMIGOS





FESTA ENTRE AMIGOS





O Tatá foi ao consultório papear. Era amigo do Dr. Simão Andrade Ribeiro que já havia sido vice prefeito na gestão do Dr. Adorcino Oliveira Lirio. Eram amigos pessoais, a política os unira. Tatá, Dr. Otávio de Barreto Prado era ex-prefeito, candidato a vice no momento e seu filho, que chamávamos de Loy, candidato a vereador.

Dr. Simão mediu-lhe a pressão, estava alta.  Nestas alturas foi transformado em doente, como era arredio Dr. Simão me chamou. Verificamos que a saúde não estava confiável e o mesmo teria que parar a campanha. Transmitimos isto a ele e o medicamos.

Tatá falou que não interromperia de jeito algum. Não iria ganhar; o candidato a Prefeito de sua chapa era fraco, mas seu filho precisava de um empurrãozinho.

Loy crescera num ambiente político com todo conforto, acabou não estudando e estava casado, mantendo a família num emprego publico estadual, onde não ganhava o suficiente. O pai queria que voltando aos contatos políticos, como vereador, o filho deslanchasse. Ficou irredutível:- Sem meu auxilio na campanha ele não se elege, dizia ele.

Tatá era realmente querido da população, na sua gestão conseguiu trazer para Marília a XI Região Administrativa. Foi um grande avanço para uma cidade, que perdera a verba da Indústria de Óleo. Mudaram para outros municípios. A lavoura passou para o Café, mais vantajoso para os agricultores e menos verbas locais. A Região Administrativa trouxe empregos e, diminuiu a dependência de Bauru que era muito grande.

O trunfo maior era a honestidade, que sabíamos ser real; saiu mais pobre da Prefeitura: manteve seus negócios, tinha uma casa boa em frente ao Tênis Clube, um carro e mais nada.

Mesmo com nossa argumentação impositiva, saiu falando que ia fazer campanha. E assim o fez por três dias. Morreu de Infarto fulminante, em cima de um palanque, na hora que falava ao público.

A amizade com o Loy continuou, Dr. Simão e eu tentamos ajudá-lo. Num curso que ministrei na FAMEMA-FUNDACENTRO para formar a primeira turma de Técnicos de Segurança do Trabalho da cidade o incentivamos e após receber o certificado Dr. Simão colocou-o no Macul, onde era médico há anos. Conversou com Dona Nair, que era a responsável. Ali faria um extra e melhoraria o ganho.

O contato com nosso técnico de segurança era fácil. Morava vizinho de muro com meu sogro, o José Jorge do Café Profeta e em frente da Maria Terezinha Coimbra, minha cunhada. Ele e sua esposa Sueli viviam em contato direto com a família da Ana. A Terezinha era casada na época com Antonio Sérgio, o Sergio, uma pessoa esforçada era muito metódico. O que era dele tinha um ciúme doentio. O que todos sabiam.

Num final de ano resolvemos reunir a família, com a do Loy e um amigo meu, o Rubens que era solteiro, na casa do Sérgio. Costumávamos nos reunir em datas especiais e aniversários. Cada um levava alguma coisa e ficávamos bebericando e papeando até de madrugada. Loy era muito falador, bom papo.

Estávamos reunidos, beliscando os salgados e bebericando. Loy tomava cerveja e como quebra gelo, uísque. Dada hora resolveu “brindar o Santo” e arremessou a bebida, o copo foi junto. Era um copo de cristal da Baviera acoplado em um suporte de prata, portanto solto. O cristal estilhaçou em mil pedaços. O desastrado falou: - Credo!  mais nada. Eu e o Rubens imediatamente olhamos para o Sérgio. As mulheres batiam papo

separado, como é costume, aliás, nunca o entendi. O anfitrião falou que não era nada, que a Couraça ou a Loja dos Presentes providenciaria outro, pegou a vassoura para juntar os cacos, por causa das crianças.

Na volta Rubens comentou que o Sergio era um cavalheiro, com a fama que carregava, diante da quebra de um cristal artesanal, ainda consola quem provocou o acidente.

Ana prontamente rebateu, o cristal era da Sueli, presente do casamento, estava apenas emprestado para a noite.

Loy morreu naquele ano de acidente na Serra de Botucatu, a trabalho da Repartição Estadual.



05/03/12

tony-poeta pensamentos







  


JOGO DO AMOR













JOGO DO AMOR!





Jogo do amor

Não é jogo

É guerra.

Guerra de possessão

Objetivo:

Ignoto coração.





04/03/12

Tony-poeta pensamentos






A SAUNA DA AVENIDA SANTO ANTONIO

 
A SAUNA DA AVENIDA SANTO ANTONIO.



Fui convidado a conhecer uma sauna, partiu do Osvaldo Sigolo, amigo com quem batia papo freqüentemente no Marcassa.

Osvaldo era fiscal do ICMS, obeso, bonachão, muito culto e falador, gostava de pescaria. Era bastante culto e realista. Como nunca tivesse ido a saunas tentou me convencer. Falou que na quinta feira, a referida casa de banho ficava restrita a um grupo. Era saudável e ele a usava para desintoxicar das cervejas e desinchar a gota que acometia seus pés. Ele realmente vivia de chinelos com os pés inchados. Meio desconfiado, acabei convencido.

A sauna ficava na Santo Antonio próximo a Jose de Anchieta, era uma casa não muito velha, térrea, que foi adaptada para tal fim. Cheguei com meu sabonete e minha toalha de rosto. A sauna fornecia o toalhão branco e um sabonete descartável, mas me alertaram que era melhor levar meu sabonete e uma toalha de rosto para sentar, já que é um ambiente de nudismo. Percebi depois que não era assim, todo mundo andava com a toalha como saia, à romana.

Entrei, passando a porta de entrada havia uma segunda porta, onde ficavam os armários. Lá nos despíamos e nos enrolávamos na toalha branca. Pegávamos o sabonete da casa, isto os que não o levaram, [não era realmente dos melhores], ou nosso próprio sabonete; alguns levavam xampu.

Adentrávamos a sala de distribuição de aproximadamente seis por quatro metros. Com alguns sofás de couro, que poderiam ficar úmidos. À esquerda havia uma sala de massagens, que nunca vi ser usada, logo mais perceberão o motivo. A frente já se vislumbrava uma piscina de dois por um e meio metros para o banho gelado.

O que me horrorizou, pois provoca um pico hipertensivo que pode chegar a 300. Pode provocar um infarto ou AVC fulminante Após minha explicação, algumas semanas depois, concordaram que não era aconselhável e pararam de utilizá-lo. A esquerda da sala saia um corredor onde ficavam os banheiros, os chuveiros e uma sauna seca e outra úmida.

Da sala de descanso saindo à direita, ficava, o que vim a descobrir, a vida da sauna. Ao lado tinha uma cozinha, com um excelente operador; que também era o responsável por tudo, se não me engano chamava-se Luiz. E uma porta dava acesso a um corredor amplo que lateralizando o prédio e acessava um galpão. Lá ficavam as mesas de Truco.

A rotina consistia. Após adentrar fazia-se o banho, alguns faziam no tempo recomendado, outros o faziam bem rápido. Após o chuveiro o trajeto era direto para as mesas de truco. Na verdade eram poucos que faziam o ritual completo. A mesa era o objetivo.

Interessante notar que, nas quintas feiras, todos eram entendidos em sauna. Os próprios freqüentadores ajustavam as temperaturas, levavam a essência de eucaliptos, que diziam as mais cheirosas; enfim realmente faziam um banho a contento, pena que para alguns muito rápidos.

Após o banho todos iam para o quintal. Lá jogávamos truco, normalmente três contra três e o grupo perdedor pagava a conta. Bebíamos cerveja, e Luiz preparava o peixe. Era sempre peixe. Além de ser a especialidade do cozinheiro, quase todos eram pescadores, até eu tirei uma careirinha de pesca. Iam ao Paranazão ou o Rio Verde e, reservavam os maiores peixes para serem saboreados nas quintas. Poucas vezes tivemos que comprar. Por volta das nove horas terminava nosso tratamento de desintoxicação.

Ali conheci Dr. Francisco Trentine. Pioneiro na radiologia, na época diminuindo atividade, Dr. Porto e Dr. Osvaldo Vicente estavam começando. Não faltava em nossas reuniões. Uma pessoa adorável, culta. Tinha, com toda certeza, em sua casa a melhor aparelhagem de som da cidade e, comprava tido que saia. Adorava um bom samba, era um excelente e exigente garfo; tanto é que fazia o cardápio das quintas com o Luiz. Era mais fanático ainda por um bom vinho.

Estivera ele e esposa, e outro casal há pouco tempo na Itália, sem compromisso com excursão. Alugaram um carro e foram andar pela região produtora de vinho.  Esta região tem os próprios produtores, com embalagem limitada e não chega aos centros de consumo. Conta ele que, num pequeno vilarejo, e lá são realmente pequenos, experimentou o Vinho dos Deuses. Com o casal de amigos conseguiram uma hospedagem sem nenhum conforto, e por lá ficaram três dias degustando o licor celeste.

Descobrimos o dia de aniversário do médico companheiro. Caia numa quinta. Certificamos-nos se passaria na sauna. Afirmou que iria e receberia os parabéns mais a noite. Preparamos uma surpresa.

Osvaldo Sigolo, que conhecia o gerente do Pastorinho iria arrumar um bom vinho branco Frances, outros ficaram encarregados de um bom peixe e Luiz determinou o que deveria ser comprado. Tudo certo. No dia Dr. Trentine veio, sem saber de nada, como de costume.

Na hora que a comida estava pronta, íamos cantar os Parabéns, quando Sigolo trouxe um presente, em nome de todos. Entregou ao aniversariante. Percebia-se que era uma garrafa. Dr. Trentine abriu avidamente. Era um vinho Sangue de Boi.

Nunca vi ninguém ficar bravo daquele jeito. Xingou, disse que ninguém nunca lhe ofendera de tal modo em toda sua vida, que não precisava disso depois de velho e não parava de blasfemar.

Luiz trouxe rapidamente o peixe, e o vinho que há três dias estava descansando, na temperatura adequada, como é praxe para um conhecedor. Só depois de experimentar o vinho Frances, que realmente era de ótima procedência, se acalmou e começou a brincar novamente.

A sauna depois de algum tempo foi fechada por seu dono, freqüentei-a por cerca de dois anos; após o grupo se dispersou. Uma pena!





04/03/12

tony-poeta pensamentos






ETERNIDADE [poema de uma cabeça sem pensamento]









ETERNIDADE

[poema de uma cabeça sem pensamento]





Quando morrer

Voltarei à origem

Serei os sais da terra.

Emociono-me!



Haverá um fabricante

Que os aproveitará.

Serei sais de banho

Que acariciarei

O corpo nu

Da mulher desejante.



Ela se excitará

Com meu cheiro.





04/03/12

tony-poeta pensamentos


O MACACO DO CIRCO





O MACACO DO CIRCO.





Dr. Érico Cardeal contou esta história com um sorriso enigmático nos lábios.

Refere que estava começando a clinicar em Marília e às três horas da manhã apareceu o dono de um circo e um macaco.

O macaquinho tinha um numero especial.  Estava doente. O coitadinho estava parado quieto e parecia ter febre o dono do circo informou.

Na época não havia veterinários em Marília e, se algum visitasse a cidade era para animais de fazenda, não para um pequeno macaco. Além de não conhecer nenhum, não teria como o achar.

O dono do circo reforçou que tinha ótimas referencias de seu serviço e que, mesmo sendo médico de humanos queria que ele tratasse o macaco.

Dr. Cardeal tentou fazê-lo ver, que pelo tamanho era melhor procurar o Dr. Ademar de Toledo, ou Dr. Mendes, que como pediatra, poderia dar uma atenção melhor a referida criatura.

O dono do circo contra argumentou que não conhecia a cidade, que era madrugada e não seria certo acordar dois médicos ao invés de um. Além do mais as referencias que tinha é que: ele seria o homem certo.

Dada a insistência, o médico resolveu examinar o animal. Fico imaginando Dr. Érico que era formado em medicina francesa, onde se apalpa aparelho por aparelho, até chegar a um diagnóstico, uma medicina minuciosa e detalhista, [ele era realmente] examinando o macaquinho. Perguntei se o paciente se comportou bem.

Disse-me que sim, que o pobrezinho de tão adoentado não teve nenhuma reação mais brusca de rejeição.

Disse ainda que demorou muito mais que no humano para reconhecer a anatomia, apesar de ser parecida. Mesmo sem estetoscópio infantil conseguiu ver uma pneumonia no animal.

-O pior, disse ele, foi dosar o remédio para aquele peso. Levou mais de meia hora fazendo contas. Por fim liberou o paciente e seu dono, que foram acordar o farmacêutico para adquirir a medicação.

Perguntei se o farmacêutico saberia medicar o macaco, Dr. Érico disse que: o dono do circo falou que sabia e estava acostumado.

Alguns dias depois, na Av. Sampaio Vidal, indo ao banco encontrou o dono do circo. Este o cumprimentou afetivamente pela atenção dispensada, pediu mais uma vez desculpas pelo incomodo noturno.

Dr. Érico então perguntou:- E o macaco?

O dono do circo respondeu solene:- Morreu, eu sabia que tinha que internar, mas não tem hospital de bichos. Mais uma vez agradeceu a atenção.

Entendi então, que o sorriso maroto era a decepção de não ter curado o paciente.



03/03/12

Tony-poeta pensamentos