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HÁ DEZ ANOS
Aos quinze anos
Tentei fazer para você
Uma poesia de amor.
Desenganos!
Até hoje não sei por que
O vento a levou.
Hoje já faz dez anos
Comecei a lembrar
Foi a vida
Voando em desenganos
Que me fez teu nome chamar.
Comecei no borrão
De minha caneta
Fúnebre como eu
Em tinta preta
Descrever o que foi meu.
Comecei a te falar...
Recordar,
Lá no ginásio
Lado a lado na carteira
Teu jeitinho...
Toda faceira
Sempre, sempre a me olhar...
Eu, todo encabulado,
Era moleque coitado,
Não sabia te falar.
Hoje num boteco,
Um lugar qualquer
Habitual a mim
Distante de ti,
[Pois quando a vida quer assim se faz]
Lembro.
A obra prima que escrevia,
Triste recordação!
Foi levada por um vento
Sem nenhuma consideração
Com meus sonhos,
Os tragou a solidão.
Agora escrevo
A fossa da obra prima
Que eu, poeta, tenho a sina
De mil poesias escrever
Para ti,
E nenhuma permanecer.
29/04/1971
www.tony-poeta.blogspot.com.
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