
foto premiada Google.

MINHA TERRA
Minha terra
é onde habito; o restante não me pertence.
Terra é
a comunhão do meu suor, meus risos e minhas lágrimas. A terra me penetra e a
penetro, sou terra apenas.
Terra é
o compartilhamento de meus momentos de alegria junto às plantas, aves, animais
e insetos que me rodeiam e participam, entendendo ou sem entender, da jornada da
existência. Somos restritos a terra e todos a ela pertencemos. Lá onde se
enterrou a placenta que me nutriu serei enterrado, refazendo o ciclo da natureza.
Lá nascerá uma erva daninha ou uma roseira e será certamente uma prazerosa
continuação do que sou.
Meus vizinhos,
são tantos, seguem a mesma poesia de metamorfose, todos lutam, todos tem sua
recompensa, todos sofrem. Quem garante que meu choro não fará a flor exalar seu
perfume para meu consolo?
Será
que minha felicidade não provocará a dança sublime dos insetos rodeando a
vegetação que se abre em toda amplidão para pertencer ao momento de êxtase?
E os
pequenos micróbios e bacilos, será que não dançam também junto a todos e não
sonham com a vida?
Sou onde
estou; não tenho heranças, estas pertencem a quem vive e compartilha o lugar. A
terra distante pertence à outra sinfonia, nada adiantou a Alexandre, O Grande invadir
terras desconhecidas se chegando a seu canto, ao lugar que era realmente seu,
foi enterrado junto com as marcas de sua infância e seu viver.
A terra
é apenas uma pousada onde passamos a breve existência, juntamente com tudo que
nela habita. A terra é parte da metamorfose de um corpo que recebeu vida
provisória, e na união de todos os moradores se faz um todo chamado viver.
Não tenho
heranças, as casas anteriores estão abandonadas, como abandonarei minha morada
que receberá eternamente novos moradores.
22/09/2013
Tony-poeta
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