terça-feira, 25 de junho de 2013

O GRANDE OBJETIVO DA VIDA ATUALMENTE É FICAR RICO.



O grande objetivo da vida atualmente é ficar rico.


O Capital venceu o homem, a família pode ser individual e independente, o relacionamento é pregado que seja pouco afetivo para na separação não ter nenhum trauma.
A saúde é protegida por check-ups periódicos e, caso se adoeça entre um e outro é apenas erro do profissional ou do laboratório, cabendo um processo com indenização estipulada para repor o trauma, mesmo que o doente tenha morrido.
Filho é um ser que frequenta as escolas de dia, inglês, capoeira, futebol, etc. e dorme a noite. Nos finais de semana come no Shopping e vai a aniversários. A escola é o suficiente para ensiná-lo a ganhar dinheiro para a vida.
Devemos nos vestir e ter o corpo dos personagens da televisão, quanto mais parecidos com eles maior a chance de sermos felizes e atingirmos a glória.
Como a sociedade não nos dá nenhum objetivo, esperamos a velhice sabendo que iremos morrer, por equação matemática, mas não acreditamos muito. Para nós só os outros de nossa idade morrem e nós usamos toda a lucidez que nos restou, para ganhar mais uns trocados para serem usados em alguma aplicação segura.
Se o lucro for bom, iremos à fila do Louvre ou de Versalhes para nos mostrarmos instruídos. Ah, sim! Sentaremos em um café famoso e leremos um jornal numa língua que não entendemos para dizer que estamos adaptados.
Já que não sabemos o objetivo da vida, vamos circulá-la e ver se ele se manifesta.

Tony-poeta
25/06/13

CUIDAR



 
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CUIDAR


A grande função da medicina, tanto dos médicos como das especialidades auxiliares: Enfermagem, Fisioterapia, Bioquímica e ouras mais é o cuidar; o restante é acréscimo a esta arte.
Tanto a religião como a filosofia tem um ponto de concordância o corpo é o objeto da vida, seja ela apenas mero efeito ou espirito.  O nascituro recebe como objeto um corpo e este tem que ser cuidado para que cresça e reproduza, eternizando a espécie.
Na hora que o cuidado com o corpo falha vem à doença, é a hora que podemos ajudar. Todo e qualquer tratamento começa pelo cuidado. Enquanto hoje a medicina com seu avanço trabalha com aparelhos e drogas de rápida ação e eficiência, um xamã no meio da mata cura seus iguais com palavras estranhas e uma cortina de fumaça. São duas maneiras de ajudar o ser que adoeceu a cuidar de seu corpo-objeto e voltar à forma ideal. Quando um doente começa a se recuperar o comentário é: - Está reagindo!
A relação médico paciente é o elemento básico em qualquer tratamento, um relacionamento frio, mesmo com toda a tecnologia pode não fazer esta ligação vida-objeto e fracassar.
Todos irão um dia morrer, é a regra. Mas enquanto houver uma fagulha mínima de vida, o cuidado é a exigência; tanto do ser com seu corpo; como daquele que exerce a função de curador fazendo esta ligação, pois esta é realmente a vida.
Viver é a ligação do ser com seu corpo, mais nada.

Tony-poeta
25/06/13



segunda-feira, 24 de junho de 2013

noite de frio






Noite de frio
Chove
Recolho-me
Encolho-me
Contraio o corpo
Que espreme a alma:
Esta solta faíscas
De sonhos de amor.
BOA NOITE!

Tony-poeta
25/06/13

ALUCINADO



 
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ALUCINADO


Me alucino
Te alucinas
Nos alucinamos.
Alucinados,
Lado a lado
Alucinamos no outro
Os sonhos frustrados.

Me alucino
Te alucinas
Alucinados
Sonhamos
Andamos
Amamos
Brigamos.
Não vemos
O mundo:
Passou ao largo
Também alucinado.

24/06/13
Tony-poeta

domingo, 23 de junho de 2013

O FARMACEUTICO, A BENZEDEIRA E A PARTEIRA



 

O farmacêutico, a benzedeira e a parteira.


Em 1975, quando comecei a clinicar, vários colegas médicos resolveram se estabelecer em cidades próximas de Marília, ou seja, na Alta Paulista e no Paraná. Na época a residência médica era incipiente e a maioria saiu direto da Faculdade para exercer a profissão. Felizmente a formação era satisfatória.
Ao chegarem à cidade em que iriam exercer a medicina se depararam com o seguinte quadro. Nas cidades maiores já existiam outros colegas, o que não provocou maiores traumas já que havia uma organização; aos que foram a cidades menores encontraram um prédio mal equipado, com alguns leitos e Centro Cirúrgico programado para pequenos procedimentos, pequenas cirurgias: cesáreas e apêndice, por exemplo, e fraturas. O Hospital com Atendentes de Enfermagem, que eram os profissionais existentes na época, formados em curso breve de poucos meses, um aparelho de R.X. de pouca penetração e mais nada.
A medicina nestas cidades era exercida pelo farmacêutico, benzedor e a parteira, aliás, pessoas muito bem quistas na cidade, sendo recomendado aos profissionais recém-chegados manter um bom relacionamento com os mesmos, caso contrario teria dificuldades com a população local.
A ambulância, ou a perua Kombi era sempre presente na localidade, na ausência de médico os doentes que tinham sintomas não resolvidos, eram colocados no veiculo e levado a cidades maiores onde congestionavam os Prontos Socorros. Não tanto como atualmente, mas já havia espera e agitação na porta. A condução ficava horas esperando e os que não foram internados retornavam a cidade local.
O numero de cidadãos queixosos era escasso; muito destes profissionais que substituíam os médicos tem atualmente seus nomes homenageados como nome de rua.
Com a evolução técnica, começou a se exigir cada vez mais exames especializados. Não que estes sejam absolutos, o que é uma falsa impressão; a maioria dos exames repete o exame clínico que é estudado em qualquer faculdade de medicina. O Ultrassom foi uma grande melhoria da percussão onde o médico batendo com o dedo indicador pelo som identificava os órgãos.  A tomografia é uma melhoria do R.X. onde fazendo penetração de imagens a cada centímetro com ajuda do computador se consegue uma imagem tridimensional das estruturas, e assim por diante. Houve grande melhoria de diagnóstico em tempo e precisão, sempre baseado na medicina de base que é ensinada.
A sofisticação em diagnóstico e aparelhagem é cara e, na maioria dos casos dispensável. Um profissional treinado pode perfeitamente fazer a triagem dos doentes que necessitam de um exame mais detalhado e os que podem ser tratados pelo exame clínico, afinal os exames imitam o homem e não ao contrário.
Como o preço é alto e nos casos de exame de laboratório o reagente uma vez aberto tem que realizar um numero X de exames, caso contrario vence e tem que ser desprezado, as pequenas cidades ficaram mais uma vez na mesma situação de 1975, sem médicos, com o agravante que os “farmacêuticos” que na verdade eram práticos desapareceram junto com as parteiras e benzedores. A situação piorou. Sem ninguém para atender a quem necessitava, os veículos se multiplicaram juntamente com as viagens aos centros maiores, com congestão em ambulatórios e Prontos Socorros.
A ideia do Governo de trazer profissionais de outros Países para realizar este atendimento básico, evitando encaminhar toda a população doente a centros maiores me parece válida, já funcionou com profissionais não médicos. Como estes profissionais vem com contrato por tempo determinado é plenamente possível que os médicos do País se organizem e no final do contrato digam se estes ficam ou se serão substituídos por médicos aqui formados.
A meu ver, o que não pode é a população ficar sem nenhum atendimento.

Tony-poeta
23/06/13