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O MÁGICO E AS CRIANÇAS
O mágico chegou ao aniversário. Com seu fraque preto. Era
muito, mas muito alto em relação às crianças. As crianças olharam
interrogativas:
- Quem será este homem grande de roupa gozada?
- Sentem no chão, ordenou o mágico.
Todas as crianças sentaram e curiosas aguardavam.
- Vou fazer mágicas.
- Gigi, a aniversariante pegue seta varinha mágica.
A menina pegou e a varinha ficou torta. Gigi nada falou, os
olhinhos revelavam susto.
- Não tem importância. Tenho outra vara. Tome!
Os olhinhos brilharem. A varinha entortou novamente. A
menina olhou para baixo.
- Não tem importância, falou o mágico, abriu uma caixa e
tirou uma vara maior, muito maior, as crianças riram. Então colocando o bastão
ao lado começou os truques. As crianças
começaram olhar embevecidas.
Cada demonstração, todas olhavam com enlevo no olhar de
sonhos, sorriam com sorrisos suaves de descobertas. E a função continuou.
Pais e avós assistiam, fotografavam o mágico, as crianças e
os truques. Todos os movimentos foram fotografados. Cada olhar de aprovação, dúvida
ou espanto ficou marcado. Cada sorriso, cada beicinho de frustração, que
precedia o da vitória, estava na foto. Tudo foi registrado.
Ao terminar a sessão, ao olhar em cada foto faltava à fantasia.
Não estava registrado: a comparação do mundo real, o mundo do mágico e o mundo
da fantasia. A foto registrou os puros e lindos sorrisos, os embevecidos
olhares, os momentos de espanto e alegria. Mas faltava.
Faltava a fantasia, a pura fantasia de pequeninos seres ainda
sem malicia enfrentando o mundo; jamais estas fantasias aparecerão em fotos,
pois este mundo pertence a outro registro e outra dimensão: Pertence ao
registro da poesia.
27/10/12
www.tony-poeta.blogspot.com
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