domingo, 13 de agosto de 2017

DIA DOS PAIS - escrito por Érico Jorge Gomes meu filho


O seu dom é arte...
E se mistura com o conhecimento que adquiriste para sobreviver...
Proteger a vida...
E procriar...
E as crias copiam,mesmo sem tentar...
Podem até lutar contra...
Mas no fundo tudo se repete...
Porque a carga concebida...
É a mais forte das ligações...
Algo que nunca se quebra...
E se multiplica...
Pela herança...
Do simples prazer de pensar...
Da verdadeira generosidade de ajudar...
E da ótica nada usual do viver bem, sem ostentar...
Mesmo que não concorde, hoje é o seu dia...
Dia de celebrar...
Comercial ou não,a data existe...
E já que tem tudo o que precisa...
Nada mais justo do que comemorar...
Tenha pra si mais um poeminha para guardar...
No seu valioso acervo de emoção.
Com amor.
Feliz dia dos pais.
Seu filho.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

pulsão de destruição



PULSÃO DE DESTRUIÇÃO


A pulsão de destruição, denominada por Freud de Pulsão de Morte, geradora de polemicas e controvérsias, a meu ver é o que mantém a vida.
Nossa vida originou-se de uma reação química da natureza em condições propicias para que se multiplicar...
Como todos elementos da natureza, os movimentos são egoístas, individuais, agressivos e sem distinção de bem ou mal. A natureza é expansão individual de cada elemento numa procura louca que não entendemos, para atingir um todo uno e absoluto de um só elemento.
A necessidade de amparo, dada a fragilidade do elemento formado, fez necessária a formação de colônias de iguais e, obrigou o relacionamento dos mesmos, de modo antagônico a força destruidora original. A necessidade criou o amor e amizade.
Esta criação, porém é limitada, o relacionamento harmônico entre dois ou mais seres leva a inércia, tende a parar o movimento da pulsão inicial e esta reage com todo seu poder de destruição. A estabilidade e a acomodação geram o conflito para que a expansão própria do universo não seja interrompida, numa equação acomodação/morte.
Jamais existirá uma sociedade de paz entre seres vivos. Vida é movimento e este guerra e destruição.
Mas, sou poeta e continuo a sonhar com um mundo perfeito que foge da lógica da criação. Que se crie a paz, mas nunca se acomode que será seguida de morte e guerra.
Guarujá, 07/08/2017
Tony-poeta.


domingo, 9 de julho de 2017

COMO CONHECI A FOME

COMO CONHECI A FOME

Nasci em São Paulo, Capital. Passei minha infância em bairro nobre, Jardim Paulista. Meu pai publicitário tinha condições de dar o suficiente sem grandes gastos, o que era comum em uma cidade de imigrantes e descendentes dos mesmos. Comecei a trabalhar com catorze anos, como a grande parte de meus amigos, alguns ainda tenho contato. Trabalhava em Multinacional, estudava a noite, uma vida programada e sem incidentes.
Na região onde vivia não havia fome, começava o fluxo DE Imigrantes na Capital, apareceu o absurdo pau-de-arara, mas, este não atingia a parte nobre. Quando muito os trabalhadores de outros estados alocados nas construções que começavam a aparecer. Mesmo amontoados nos depósitos de material de construção dos edifícios que se erguiam; onde dormiam, faziam sua comida e ali viviam, despertavam minha atenção, porém os olhava sem entender nada.
Foi assim até que entrei em Medicina em Marília. Uma cidade bonita, é até hoje, com uma lavoura pujante, uma cidade muito agradável.
Logo no primeiro ano da faculdade, o Departamento de Medicina Preventiva resolveu fazer um mapeamento da periferia e, aproveitando o ensejo nos colocou a campo para conhecer a futura clientela. Saímos em grupos de seis alunos para aplicar os questionários.
Duas residências marcaram estas visitas. Na primeira, uma casa muito humilde de madeira com dispensa praticamente vazia, uma lata de azeite Galo se destacava, mostrava uma degeneração social e uma tentativa triste de uma posição já perdida.
Na outra o choque foi pior. Uma senhora passiva, malvestida nos informou que o seu filho tinha falecido há dois dias. Não havia nenhum sinal de luto, apenas a falta quase absoluta de viveres e uma porção de crianças e adultos vegetando numa casa de madeira em péssimo estado de conservação. Indagada sobre o luto, a mesma falou sem mostrar sentimentos, nem de dor, nem de revolta, que agora era bom e havia um anjinho para olhar por eles lá do céu.
No quarto ano, já nos primeiros contatos com doentes, na disciplina de propedêutica saltava aos olhos a fome e a desnutrição dos pacientes oriundos da zona rural, muito pobres fora das grandes fazendas. Algumas crianças lembravam as crianças desnutridas de zonas de conflito, apenas pele e osso com os olhos estalados e sem reação a manipulação.
Em 1975 comecei a trabalhar no Departamento de Medicina Preventiva, coincidindo com a grande geada que assolou a região e a maioria dos pequenos proprietários perdeu tudo, inclusive a terra, tomada pelo financiamento da lavoura.
Na época estava vigorando o fornecimento de leite, desde o nascimento até os dois anos de idade. A criança era pesada, o leite fornecido e orientava a mãe como preparar corretamente; no mês seguinte no retorno onde se aferia o ganho de peso, existe um padrão mais ou menos uniforme na infância e era fornecido mais alimento. Foi uma decepção, as crianças voltavam sem ganho de peso, muitas vezes desnutrida ou com infecções intestinais ou pneumonia.
De início, frustrado, culpei as mães, até conseguir entender que haviam crianças de mais de dois anos e a mãe não ia alimentar um e deixar o outro definhando. Este leite era ou diluído, ou quando a mãe conseguia comprar farináceos, muito mais baratos, “engrossava” o liquido e alimentava duas ou três crianças, logico, inadequadamente.
Na mesma época, fui convidado para o Corpo Clinico da Santa Casa, como incentivo assumi a responsabilidade pelos doentes do Funrural. O salário era ridículo, perto de duzentos dólares e a responsabilidade de na ausência de especialista atender todos os doentes não assistidos. Nesta época não havia equipes de especialidades, as poucas que existiam era incipiente, e cada medico cuidava de seus doentes, não havendo médicos de Plantão. Atendia todas ocorrências de pediatria a geriatria.
Foi aí que conheci a miséria, os boias-frias, muitos antigos sitiantes que perderam suas terras e uma população que trabalhava nômade nas colheitas. Esta população corria de Minas Gerais até o Paraná, trabalhando aonde tinha serviço, toda família se deslocava. Muitas vezes dormiam ao relento no meio das carreiras de café onde estendiam lonas. Eram contratados pelos “gatos” locadores de mão de obra que fornecia barracos para moradia ou, ao relento como já falei.
Os que se alojavam eram transportados na carroceria de caminhões, sem cobertura ou qualquer proteção e com acidentes frequentes.
A miséria era visível e palpável, o descaso a dignidade humana era patente. Os problemas sociais eram diários no ambulatório, a fome, desnutrição e doenças infecciosas se destacavam. Para piorar cada acidente levava ao ambulatório muitos doentes acidentados, graves e não tínhamos retaguarda suficiente para tantas pessoas necessitadas de uma só vez.
Com a melhora do ambulatório, e com o parco ganho da especialidade, Clínica Médica, resolvi voltar a São Paulo. A crise estava instalada no País e o desemprego era gigantesco. Estávamos no Governo FHC. Fui atender no período da tarde na Cohab Artur Alvim os doentes de tuberculose.
Uma nova realidade, além da população desempregada, morando várias famílias em um apartamento popular, com só um empregado ou o pai e a mãe aposentado. Um novo problema se destacou, os imigrantes bolivianos.
Estas pessoas, trabalhavam em tecelagem, moravam em aposentos coletivos com toda família, homens, mulheres e crianças, tinham apenas um turno para “usar” as camas que rodiziavam e tinham medo de serem deportados. O ambiente não humano favorecia a tuberculose e, o tratamento para poder ser efetuado, anotávamos apenas o nome e idade do paciente, sem endereço e sem saber os que usavam os aposentos comuns. Se insistíssemos em saber mais detalhes eles desapareciam dado o medo de serem identificados. As condições de moradia só foram conseguidas com muito tato e confiança.
Precariamente, sem o mapeamento dos comunicantes da enfermidade, fornecíamos a medicação sabendo que o problema não estava sendo resolvido. Findo o contrato, não houve renovação e me retirei.
No Governo Lula, atendendo em Bertioga já havia uma organização melhor, a fome não mais se destacava, os doentes estavam com dentes tratados, roupas arrumadas, mais confiantes e com uma melhoria real de suas condições. O País saíra do Mapa da Fome.
Hoje com o desastre da administração pública que é contrária a qualquer programa social a fome voltou. Como já sou septuagenário não verei a repetição da degradação, mas temo que ela venha acontecer.

09/07/17
Tony-poeta





 
FOTO ANNA FTG imagem Google

CONTANDO


IMAGEM GOOGLE

CONTANDO...

O capitalista conta dígitos de seu saldo e sorri.
O subempregado conta moedas para tentar passar o mês.
O desempregado marginalizado conta seus entes mortos
O poeta conta os sorrisos que poderiam existir se todos fossem iguais.
A vida passa sem sorrir ou chorar, não conta nada, apenas caminha.

09/07/17

Tony-poeta

sexta-feira, 7 de julho de 2017

ANTES DO ALMOÇO

foto Google


ANTES DO ALMOÇO

Dez horas da manhã, dia de buscar os remédios para a pressão. Eu e Ana, minha esposa, fomos a farmácia. Aproveitando a saída compraríamos outras coisinhas.
Logo na entrada farmácia quase fomos atropelados por um senhor de classe média, de cara fechada que passou bruscamente a nossa frente. Conversou com uma senhora, que já estava no balcão, ora em português, ora em alemão, notava-se que o atendimento era pela Farmácia Popular. Além do azedume da classe burguesa e da fala, mal se dirigia a balconista que tentava ser atenciosa. Saiu bufando com sua medicação gratuita.
Ana observou que o País é generoso, fornece gratuitamente medicação para não brasileiros. Acrescentei que o elemento que acompanhava a senhora, dada a postura e a cidade burguesa que moramos, provavelmente é o mesmo que reclama das Políticas Sociais, ora em extinção, em valor muito inferior ao benefício que estavam gratuitamente recebendo.
Antes de dirigir-nos ao carro, após efetuada as compras, deparamos com uma jovem em andrajos pedindo dinheiro para comer. Ainda estávamos na farmácia. Como hábito peguei algum trocado para oferecer, o que o fiz mesmo com a mesma cercada pelos balconistas que a olhavam desconfiados, ou com medo inexplicável, dada a inofensividade e precariedade da pessoa. Atrás de nós ouvimos um senhor reclamando que nem podia comprar seu remédio em paz e não merecia este abjeto desprazer.
Ainda no caminho para a condução, iríamos ao Hiper Mercado, sob uma marquise abandonada onde sem tetos se protegem, a polícia fazia uma “batida” nos “moradores”, estes com as mãos para cima aguardando a consulta ao computador da viatura. Uma inspeção de rotina onde todos pobres e desempregados tornam-se suspeitos, são revistados, numa inserção social negativa e discriminatória, para atender uma população apavorada que acredita que pobre é vagabundo e criminoso. São exatamente estes coitados que nas madrugadas frias são agredidos, tem seus parcos pertences roubados, suas cobertas levadas ou rasgadas por anônimos em função de um delírio que cada dia mais se torna coletivo.
Já no Super mercado, comprado o necessário nos dirigimos ao caixa. Um senhor de aproximadamente setenta anos embalava suas compras já registradas. Comecei a dispor as minhas no balcão quando fui empurrado. Este senhor, na contramão, de volta ao setor de compras: resolveu trocar um vinho, o levava na mão. Não pediu licença, nem desculpas, nem olhou em minha direção, como só ele existisse. Pensei em retornar a agressão, mas me contive. Na verdade, não sou agressivo, felizmente.
Ao retornar para casa comentei com minha esposa, que saudades da sociedade que conheci, onde fazer compras era um prazer, as pessoas se conheciam, as balconistas nos chamavam pelo nome e demonstravam afeto, as pessoas pertenciam a uma comunidade onde todos compartilhavam. Até os mendigos locais tinham nome e não precisavam pedir. Será que uma sociedade onde o triunfo monetário mede as pessoas e as classifica em castas tem futuro? Como pode um homem provavelmente aposentado não respeitar ninguém, mesmo não sabendo quem está a seu lado?
Pensando bem, a era da internet e dos telefones que acompanham as pessoas aonde vão, sempre teclando, é uma solução justa para uma sociedade sem pessoas, habitada por sombras que se movem taciturnas sem sorrisos. Do pedinte ao aposentado, todos estão se tornando invisíveis com medo de tudo que os rodeia.

07/07/17
Tony-poeta


quinta-feira, 6 de julho de 2017

TANGENTES

IMAGEM GOOGLE


TANGENTES


Tangenciando o viver
Seguem os afetos,
Se manifestam
A cada encontro
De corpos.

Luzes:
Negras
Azuis
Vermelhas...
Marcam o instante
De uma jornada
Sempre solitária...

06/07/17

Tony-poeta

domingo, 18 de junho de 2017

DOMÍNIO DE ESPAÇO


imagem mais que palavras

Domínio do espaço


Falar
É nomear sentimentos
Catalogar objetos.

Criar arabescos
Em formas verbais
Separar o bem e o mal.

Balbuciar
Amor e medo
Delimitando espaços:
- Dizer amo ou odeio
Nada mais.

16/06/2017

Tony-poeta