domingo, 9 de julho de 2017

COMO CONHECI A FOME

COMO CONHECI A FOME

Nasci em São Paulo, Capital. Passei minha infância em bairro nobre, Jardim Paulista. Meu pai publicitário tinha condições de dar o suficiente sem grandes gastos, o que era comum em uma cidade de imigrantes e descendentes dos mesmos. Comecei a trabalhar com catorze anos, como a grande parte de meus amigos, alguns ainda tenho contato. Trabalhava em Multinacional, estudava a noite, uma vida programada e sem incidentes.
Na região onde vivia não havia fome, começava o fluxo DE Imigrantes na Capital, apareceu o absurdo pau-de-arara, mas, este não atingia a parte nobre. Quando muito os trabalhadores de outros estados alocados nas construções que começavam a aparecer. Mesmo amontoados nos depósitos de material de construção dos edifícios que se erguiam; onde dormiam, faziam sua comida e ali viviam, despertavam minha atenção, porém os olhava sem entender nada.
Foi assim até que entrei em Medicina em Marília. Uma cidade bonita, é até hoje, com uma lavoura pujante, uma cidade muito agradável.
Logo no primeiro ano da faculdade, o Departamento de Medicina Preventiva resolveu fazer um mapeamento da periferia e, aproveitando o ensejo nos colocou a campo para conhecer a futura clientela. Saímos em grupos de seis alunos para aplicar os questionários.
Duas residências marcaram estas visitas. Na primeira, uma casa muito humilde de madeira com dispensa praticamente vazia, uma lata de azeite Galo se destacava, mostrava uma degeneração social e uma tentativa triste de uma posição já perdida.
Na outra o choque foi pior. Uma senhora passiva, malvestida nos informou que o seu filho tinha falecido há dois dias. Não havia nenhum sinal de luto, apenas a falta quase absoluta de viveres e uma porção de crianças e adultos vegetando numa casa de madeira em péssimo estado de conservação. Indagada sobre o luto, a mesma falou sem mostrar sentimentos, nem de dor, nem de revolta, que agora era bom e havia um anjinho para olhar por eles lá do céu.
No quarto ano, já nos primeiros contatos com doentes, na disciplina de propedêutica saltava aos olhos a fome e a desnutrição dos pacientes oriundos da zona rural, muito pobres fora das grandes fazendas. Algumas crianças lembravam as crianças desnutridas de zonas de conflito, apenas pele e osso com os olhos estalados e sem reação a manipulação.
Em 1975 comecei a trabalhar no Departamento de Medicina Preventiva, coincidindo com a grande geada que assolou a região e a maioria dos pequenos proprietários perdeu tudo, inclusive a terra, tomada pelo financiamento da lavoura.
Na época estava vigorando o fornecimento de leite, desde o nascimento até os dois anos de idade. A criança era pesada, o leite fornecido e orientava a mãe como preparar corretamente; no mês seguinte no retorno onde se aferia o ganho de peso, existe um padrão mais ou menos uniforme na infância e era fornecido mais alimento. Foi uma decepção, as crianças voltavam sem ganho de peso, muitas vezes desnutrida ou com infecções intestinais ou pneumonia.
De início, frustrado, culpei as mães, até conseguir entender que haviam crianças de mais de dois anos e a mãe não ia alimentar um e deixar o outro definhando. Este leite era ou diluído, ou quando a mãe conseguia comprar farináceos, muito mais baratos, “engrossava” o liquido e alimentava duas ou três crianças, logico, inadequadamente.
Na mesma época, fui convidado para o Corpo Clinico da Santa Casa, como incentivo assumi a responsabilidade pelos doentes do Funrural. O salário era ridículo, perto de duzentos dólares e a responsabilidade de na ausência de especialista atender todos os doentes não assistidos. Nesta época não havia equipes de especialidades, as poucas que existiam era incipiente, e cada medico cuidava de seus doentes, não havendo médicos de Plantão. Atendia todas ocorrências de pediatria a geriatria.
Foi aí que conheci a miséria, os boias-frias, muitos antigos sitiantes que perderam suas terras e uma população que trabalhava nômade nas colheitas. Esta população corria de Minas Gerais até o Paraná, trabalhando aonde tinha serviço, toda família se deslocava. Muitas vezes dormiam ao relento no meio das carreiras de café onde estendiam lonas. Eram contratados pelos “gatos” locadores de mão de obra que fornecia barracos para moradia ou, ao relento como já falei.
Os que se alojavam eram transportados na carroceria de caminhões, sem cobertura ou qualquer proteção e com acidentes frequentes.
A miséria era visível e palpável, o descaso a dignidade humana era patente. Os problemas sociais eram diários no ambulatório, a fome, desnutrição e doenças infecciosas se destacavam. Para piorar cada acidente levava ao ambulatório muitos doentes acidentados, graves e não tínhamos retaguarda suficiente para tantas pessoas necessitadas de uma só vez.
Com a melhora do ambulatório, e com o parco ganho da especialidade, Clínica Médica, resolvi voltar a São Paulo. A crise estava instalada no País e o desemprego era gigantesco. Estávamos no Governo FHC. Fui atender no período da tarde na Cohab Artur Alvim os doentes de tuberculose.
Uma nova realidade, além da população desempregada, morando várias famílias em um apartamento popular, com só um empregado ou o pai e a mãe aposentado. Um novo problema se destacou, os imigrantes bolivianos.
Estas pessoas, trabalhavam em tecelagem, moravam em aposentos coletivos com toda família, homens, mulheres e crianças, tinham apenas um turno para “usar” as camas que rodiziavam e tinham medo de serem deportados. O ambiente não humano favorecia a tuberculose e, o tratamento para poder ser efetuado, anotávamos apenas o nome e idade do paciente, sem endereço e sem saber os que usavam os aposentos comuns. Se insistíssemos em saber mais detalhes eles desapareciam dado o medo de serem identificados. As condições de moradia só foram conseguidas com muito tato e confiança.
Precariamente, sem o mapeamento dos comunicantes da enfermidade, fornecíamos a medicação sabendo que o problema não estava sendo resolvido. Findo o contrato, não houve renovação e me retirei.
No Governo Lula, atendendo em Bertioga já havia uma organização melhor, a fome não mais se destacava, os doentes estavam com dentes tratados, roupas arrumadas, mais confiantes e com uma melhoria real de suas condições. O País saíra do Mapa da Fome.
Hoje com o desastre da administração pública que é contrária a qualquer programa social a fome voltou. Como já sou septuagenário não verei a repetição da degradação, mas temo que ela venha acontecer.

09/07/17
Tony-poeta





 
FOTO ANNA FTG imagem Google

CONTANDO


IMAGEM GOOGLE

CONTANDO...

O capitalista conta dígitos de seu saldo e sorri.
O subempregado conta moedas para tentar passar o mês.
O desempregado marginalizado conta seus entes mortos
O poeta conta os sorrisos que poderiam existir se todos fossem iguais.
A vida passa sem sorrir ou chorar, não conta nada, apenas caminha.

09/07/17

Tony-poeta

sexta-feira, 7 de julho de 2017

ANTES DO ALMOÇO

foto Google


ANTES DO ALMOÇO

Dez horas da manhã, dia de buscar os remédios para a pressão. Eu e Ana, minha esposa, fomos a farmácia. Aproveitando a saída compraríamos outras coisinhas.
Logo na entrada farmácia quase fomos atropelados por um senhor de classe média, de cara fechada que passou bruscamente a nossa frente. Conversou com uma senhora, que já estava no balcão, ora em português, ora em alemão, notava-se que o atendimento era pela Farmácia Popular. Além do azedume da classe burguesa e da fala, mal se dirigia a balconista que tentava ser atenciosa. Saiu bufando com sua medicação gratuita.
Ana observou que o País é generoso, fornece gratuitamente medicação para não brasileiros. Acrescentei que o elemento que acompanhava a senhora, dada a postura e a cidade burguesa que moramos, provavelmente é o mesmo que reclama das Políticas Sociais, ora em extinção, em valor muito inferior ao benefício que estavam gratuitamente recebendo.
Antes de dirigir-nos ao carro, após efetuada as compras, deparamos com uma jovem em andrajos pedindo dinheiro para comer. Ainda estávamos na farmácia. Como hábito peguei algum trocado para oferecer, o que o fiz mesmo com a mesma cercada pelos balconistas que a olhavam desconfiados, ou com medo inexplicável, dada a inofensividade e precariedade da pessoa. Atrás de nós ouvimos um senhor reclamando que nem podia comprar seu remédio em paz e não merecia este abjeto desprazer.
Ainda no caminho para a condução, iríamos ao Hiper Mercado, sob uma marquise abandonada onde sem tetos se protegem, a polícia fazia uma “batida” nos “moradores”, estes com as mãos para cima aguardando a consulta ao computador da viatura. Uma inspeção de rotina onde todos pobres e desempregados tornam-se suspeitos, são revistados, numa inserção social negativa e discriminatória, para atender uma população apavorada que acredita que pobre é vagabundo e criminoso. São exatamente estes coitados que nas madrugadas frias são agredidos, tem seus parcos pertences roubados, suas cobertas levadas ou rasgadas por anônimos em função de um delírio que cada dia mais se torna coletivo.
Já no Super mercado, comprado o necessário nos dirigimos ao caixa. Um senhor de aproximadamente setenta anos embalava suas compras já registradas. Comecei a dispor as minhas no balcão quando fui empurrado. Este senhor, na contramão, de volta ao setor de compras: resolveu trocar um vinho, o levava na mão. Não pediu licença, nem desculpas, nem olhou em minha direção, como só ele existisse. Pensei em retornar a agressão, mas me contive. Na verdade, não sou agressivo, felizmente.
Ao retornar para casa comentei com minha esposa, que saudades da sociedade que conheci, onde fazer compras era um prazer, as pessoas se conheciam, as balconistas nos chamavam pelo nome e demonstravam afeto, as pessoas pertenciam a uma comunidade onde todos compartilhavam. Até os mendigos locais tinham nome e não precisavam pedir. Será que uma sociedade onde o triunfo monetário mede as pessoas e as classifica em castas tem futuro? Como pode um homem provavelmente aposentado não respeitar ninguém, mesmo não sabendo quem está a seu lado?
Pensando bem, a era da internet e dos telefones que acompanham as pessoas aonde vão, sempre teclando, é uma solução justa para uma sociedade sem pessoas, habitada por sombras que se movem taciturnas sem sorrisos. Do pedinte ao aposentado, todos estão se tornando invisíveis com medo de tudo que os rodeia.

07/07/17
Tony-poeta


quinta-feira, 6 de julho de 2017

TANGENTES

IMAGEM GOOGLE


TANGENTES


Tangenciando o viver
Seguem os afetos,
Se manifestam
A cada encontro
De corpos.

Luzes:
Negras
Azuis
Vermelhas...
Marcam o instante
De uma jornada
Sempre solitária...

06/07/17

Tony-poeta

domingo, 18 de junho de 2017

DOMÍNIO DE ESPAÇO


imagem mais que palavras

Domínio do espaço


Falar
É nomear sentimentos
Catalogar objetos.

Criar arabescos
Em formas verbais
Separar o bem e o mal.

Balbuciar
Amor e medo
Delimitando espaços:
- Dizer amo ou odeio
Nada mais.

16/06/2017

Tony-poeta

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mentecapto poema de Érico Jorge Gomes


imagem Google

Mentecapto
Poema de Érico Jorge
Gomes

A mente talvez se chame mente, porque engana a gente;

Quem de nós nunca acreditou nas verdades que ela cria? Fantasia...

O partido político talvez se chame partido porque é sempre dividido;

Para se chegar ao poder o partido engana a gente através do político;

Sendo assim o político deveria se chamar Mente;

O pior que a gente olha o cara e fantasia; 

Achando que ele não veste uma;

Afinal quem nunca acreditou nas verdades que eles criam?

O partido mente; o político mente; a mente, mente;

O povo não capta, fantasia;

E quando olha pra trás; 

 : ---- o (ooou no _ú)


Mentecaptou?

o combustível da sociedade ÉRICO JORGE GOMES

O COMBUSTÍVEL DA SOCIEDADE

por Érico Jorge Gomes

Com ela tudo fica mais fácil;
É algo inerente ao ser humano e está mais forte do que nunca;
Virou o combustível da sociedade;
Potencializado pelas ferramentas de dispersão instantânea, que cabem na palma de sua mão;
Se você está no comércio ou no ramo de serviços, para vender algo por 100,00, peça 120,00;
Para estabelecer uma meta comercial, diga para a sua equipe que o ponto de equilíbrio é um pouco mais, ah vou além, diga que é o dobro. Sobre prazos de entrega diga sempre que são menores;
Na política? Para ganhar uma eleição, prometa o que não pode fazer, mas é o que o eleitor espera; depois que ganhar, para realizar uma obra, faça aditivos para dar o troco a quem te ajudou; se não esqueceram aquilo que você disse lá trás mas não pôde fazer, jogue a culpa em alguém: ou no outro poder, ou na pessoa que estava no seu cargo anteriormente;
Ainda na política, na prestação de contas, não se esqueça sobre o que você fez “por fora”, e você fez, pois todos fazem, isso deve ser maquiado como se tivesse sido feito por dentro, afinal a conta precisa bater contabilmente; Bom política é melhor deixar pra lá né?
És um consultor?  Adquira o que não pode comprar só para mostrar status e poder, se o que você projetou para um cliente não der resultados jogue a culpa em “fatores não quantificáveis”;
Se indicar um amigo para alguém que exerça uma atividade que não é a sua, peça a comissão, afinal sem você ele não teria conseguido;
É veículo de comunicação? De qual lado que você está? Divulgue apenas o que é interesse do lado que você defende, afinal é ele quem te paga, potencialize o que é bom e desqualifique o que é ruim, em último caso você pode usar o combustível da sociedade, ele dará apenas um processo que demora a ser apurado e se perde com o tempo; ah não se esqueça de se declarar neutro sempre.
Aconteceu um acidente no seu carro? Tente avariar outras peças que não foram atingidas, mas estão desgastadas, afinal seguro é para isso;
Por acaso você é funcionário? Pois bem, falte e compre atestado médico falso, utilize o equipamento da empresa que você recebeu pro trabalho para fins particulares, use toda a verba de alimentação mesmo que não tenha usado, pegue notinhas fiscais a mais por conta disso, se foi viajar minta e diga que chegou bem tarde para ganhar hora extra, dê uma “xuxadinha” aqui e outra ali nos dados que dependem de você para mostrar eficiência, e por aí vai, as técnicas são infinitas em todos os segmentos e a lei estará sempre ao seu favor;
Era estudante e ainda tem a carteirinha? Use-a para pagar meia em tudo.
Esse combustível é formidável! Quanto mais você utiliza, mais vai querer utilizar, pois ela vicia;
Vicia a tal ponto que tudo isso passa a ser normal e você continua uma pessoa idônea de sucesso;
Neste mundo o blefe vale, como se fosse um jogo de truco gigante que ao invés de jogar em dupla ou em trio, você estará jogando em rede, em meio a sua bolha solitária;
Chega um momento onde, sem você perceber, o truco virou rouba-montes, mas o monte estará sempre fora do seu alcance, pois o controle do jogo fugiu completamente das suas mãos;
E você não tem mais saída a não ser encarar a verdade, palavra que você já deixou de lado;
E mesmo que você tenha conquistado o mundo, ainda te falta tudo.
É nisso que dá usar esse combustível da sociedade, é algo que foi adulterado, te envenenou e você precisa de coragem para enfrentar a ressaca que está por vir.
Uma vida de mentiras leva a ressaca de verdade.












sábado, 6 de maio de 2017

população


IMAGEM GOOGLE


POPULAÇÃO


A gigantesca população

Que hoje habita

É convulsão
Desencontros

Seres perdidos

Que no íntimo buscam

Se complementar

Neste frenético buscar

Na loucura do encontro

Da comunhão plena

Do aconchego

Do compartilhamento

Do amor




Tony Poeta.

domingo, 23 de abril de 2017

A NOITE PASSA




A NOITE PASSA

A noite passa
nem depressa nem devagar
nós damos o ritmo.

A alegria e o sofrimento:
cria de nós mesmos,
apenas efeitos
de pensamentos.

Que a vida passe
e passemos sorrindo
somos apenas uma fantasia
fazendo fantasias.

Que sejam de amor.

23/04/17

Tony-poeta

quinta-feira, 13 de abril de 2017

objetos

objetos

a vida 

sabia 

que era vazia.


olhava objetos 

tentava os juntar

preenchendo espaços... 

espaços infinitos 


objetos empoeirados 

Não dão traçado 

Para se formatar.


a vida vazia 

juntava objetos 

continuava vazia



Tony poeta

RUAS VAZIAS

RUAS VAZIAS.

Espantei meu sono 

quando dormia 


só falta 


espantar o amor 


percorrendo estradas vazias 


cheia de pessoas 


que passam sem se olhar.


Tony poeta

segunda-feira, 3 de abril de 2017

AS VEZES

IMAGEM GOOGLE sem autoria

AS VEZES

As vezes gente,
As vezes fantasmas.
Habitamos o espaço da fantasia
Construindo um futuro:
Individual e coletivo,
Com sorrisos e desavenças.

No vínculo da presença
Caminhamos...

A vida é convívio,
Presença de fantasmas
Que as vezes viram pessoas...

Tony-poeta

03/04/17

sábado, 18 de março de 2017

a volta

Imagem Hubble Google


A VOLTA

O tempo sempre volta

Mas dá uma reviravolta 

No ser que quer sonhar

Ou o futuro é diferente 

Ou o passado aparentemente 

Estava em outro lugar

Já que o amor

Não se repete

É cada vez que aparece

Traz um reboliço no olhar.



Tony Poeta
18/03/17

GAIOLA DA VIDA

imagem Google


GAIOLA DA VIDA

Presos à vida,
Limitados pela visão,
Nesta estranha geometria
Que nos contém.

Julgamo-nos livres,
Somos ninguém.

Batendo nos contornos
Desta caixa limitada
Que nos joga ao abandono
Somos nada
Nos achando tudo.

Vemo-nos livres
Sem ver as grades
Da gaiola fechada.

18/03/17

Tony-poeta

quinta-feira, 2 de março de 2017

PASSANDO O TEMPO versos livres

imagem Google


PASSANDO O TEMPO


Se não se pensar no tempo
Ele não irá passar,
Será o tempo parado
Um sonho de um só lugar?

Nós apreendemos o tempo
Criamos sua percepção
Mas, ele é diferente na roça
Ou andando de avião.

Voando indiferente ao tempo
Vejo de minha janela
Duas borboletinhas
Beijando a mesma rosinha.
[Dançam e beijam]
Percorrem toda primavera
No roçar das asas brancas,
E o tempo não se marca
Apenas resvala a eternidade.

02/03/17
Tony-poeta


sábado, 4 de fevereiro de 2017

ESTÁTICO

IMAGEM GOOGLE

ESTÁTICO


É manhã, ando na praia
À tarde
Três garças brancas
Vão descansar
À noite
Olho a lua,
Entre nuvens,
Me fazendo meditar.

Todo dia
Ando pelas ruas
[Minha vida é andar]
Tudo se move...
[Nada se move]
Nada muda de lugar.

Como arvore ou tiririca
Vejo o vento passar.
[ Beijo meu patuá]
Este vento
Que traz amores
Leva sonhos
Range a noite
Não muda o lugar.

Todo dia
Como vegetal.
Imóvel
Olho a vida...
Ou é a vida a me olhar?
Nada muda
Nada anda
Estático
Apenas penso...
Penso o mesmo pensar.

04/02/17
Tony-poeta



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

CAMINHANDO

IMAGEM GOOGLE



CAMINHANDO


Solidão persiste
O outro é passageiro.

Tudo é angústia
De um sonho sorrateiro
Que passou acelerado.

Imagens em slides:
Momentos não conservados
Na tenda das ilusões.

Somos só... apenas só
No planeta agressivo
Onde tentamos viver.


31/01/17

Tony-poeta

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

ETIQUETA

No dia que nasci

morri por dentro,

virei um ser social

com regras de etiquetas

impostas por um manual.


O ser morto

que existe em mim

esperneia: 

falando que a natureza
não é assim...


Vivo e morto

sigo socialmente

até ressuscitar.



27/01/2017
Tony-poeta

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

felicidade - pensamento



FELICIDADE: 

É TER ALGUÉM 

COM QUEM REPARTIR NOSSA 

INDIVIDUALIDADE.

Tony-poeta