sábado, 7 de dezembro de 2013

MEU CÃO

MEU CÃO


Deitado
Espera que eu acabe
O que estou a labutar
Levanto
Ele mexe o rabo
Chacoalha-se
Parece que quer agradar.
Sento de novo
Olha-me firme
É a hora do jantar
Dou-lhe o pasto
Cabisbaixo come
Sem nunca reclamar.
Sento na sala
Ele trás a bola
E fico a meditar
- Será que ele quer
Que brinque com ele
Ou apenas quer me agradar?
Não sei a resposta
Cachorros não sabem falar...

07/12/13

Tony-poeta

TENTANDO AMAR

TENTANDO AMAR


Sou sempre eu
Traçando caminhos
Pro mesmo lugar:
O cantinho de amar.

Se as pedras são ásperas:
Ajeito o sapato
Molho a sola no banhado
Equilibro-me nas pinguelas
Tropeço ao luar
E trôpego
Sigo caminhos tortos
Sozinho
Sempre sozinho
Tentando amar.

07/12/13
Tony-poeta



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

QUANDO FORES SONHAR

QUANDO FORES SONHAR


Quando fores sonhar, que nada o perturbe, nem o mundo, pois este é cheio de queixumes, nem o tempo que também tem tempestades, quando fores sonhar, apenas sonhes, não divagues.
Quando fores sonhar, abrace seu amor e compartilhe o sonho, não sorria, pois sorrir de felicidade leva a devaneios e estes retornam a realidade.
Não fales jamais, já que a fala com seus mistérios forma as cadeias de pensar e, em metonímias e metáforas chegaras às tristezas que não queres nem pensar.
Quando sonhares não balbucie cantos de alegria, pois o canto doce e a poesia levarão a demanda de possuir e, as cavalarias que soltaram altos trompetes têm a dor que sempre repetem o som das batalhas do devir e do porvir.
Quando fores sonhar, quieto acasale os corpos, sem movimentos e sem voz, deixe o calor penetrar as entranhas e as mão que acariciem as a maciez de veludo das curvas e, o doce beijo mudo e molhado, em cadencia de uma flor que abre levará a Nirvana e terás a eternidade presente a amparar o sonho.
Quando fores sonhar, apenas sonhe e sinta o gosto de amar.

Tony-poeta
06/12/13


PRISÃO - PENSAMENTO



A sociedade vigia tanto
Que o homem monitora seus sonhos
E só é livre nos pesadelos.

Tony-poeta

A PULGA

A PULGA


Dr. Amauri atendia calmamente quando viu uma pulga andando na manga da camisa branca. Instintivamente levou a mão direita em direção ao inseto, mas este desapareceu como que por encanto:
- Deve ter pulado, pensou ele. Pulgas pulam e longe.
Imediatamente lembrou que há anos não via tal praga. Olhou para a paciente.
Dona Dolores, uma simpática senhora falava dos efeitos da medicação.
- Não me parece que ela tenha pulgas, pensou ele. Enquanto ouvia a senhora pensava:
- Não pode ser. Hoje, dia de acompanhamento, não encosto em nenhum doente, nem nela. Prestou atenção.
- Está limpa com roupa limpa, não, não é ela. Será que foi a Josineide?  Ela parece ter um montão de cachorros. Não! Estava de short e camiseta tudo colorido como usa na praia. Pulga gosta de roupa branca, não! Não foi dela.
Será que o Posto tem pulgas. Nunca teve. É limpo, o encarregado é maníaco por limpeza, aprece freira! Olhou para o chão, tudo reluzente de limpo.
Despachou Dona Dolores e sua ladainha, atendeu Mari rapidamente.
-Será que eu trouxe da casa? Não! Cidinha que trabalha para mim não tem o que fazer, fica o dia todo limpando para justificar seu serviço, lajota não ajunta poeira.
- Então é o Zap! Não pode ser, salsicha de pelo curto com banho semanal com anti-tudo e com medicação no cangote nunca terá pulgas.
Despachou Mari, foi ao banheiro. Retirou toda roupa. Nada da pulga.
-Ela fugiu! Mas de onde veio.
Entrou no carro pensando. Olhou para o chão, cheio de poeira.
- Pode ser do carro. Não! Não é. Nunca fui mordido, se morasse aqui morderia.
Deu a partida, olhou no relógio. Eram três horas, acabara cedo naquele dia. Levou o carro para o Lava - rápido.

06/12/13

Tony-poeta

ETERNA MUDANÇA

arte Taylor James Google

ETERNA MUDANÇA


Cada vez que a vida
Abandona a vida
O poeta chora
Sua despedida.

Nas entranhas do coração
A vida: apenas emoção
Esta estranha confusão
De ser e não ser.

Se não há aonde ir
Não há porvir   
Resta apenas a incerteza
Visão de seus olhos
A que chama beleza
Nos floreios da natureza
Em seus surdos devaneios.

A vida: Apenas um relance
Que abriga por breve instante
O ser antes de partir.

06/12/13
Tony-poeta


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

GRITOS

imagem google

GRITOS


Recolho-me a meu silencio
Gritos escuto
São de humanos.

Triste sina
Viver lamuria
Sem ter a paz.

Animais gritam
No ato da caça
Depois louvam a paz.

O ser da fala
Grita o futuro
Da sonhada caça.

A paz não existe
Cortada de gritos
É o que ouço:
Gritos do amanhã.
Nunca vivem o hoje.

Infelizes!

05/12/13
Tony-poeta



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

passagem

PASSAGEM


Se, sou rito de passagem
Não sei por que me preocupo
E tanto me ocupo
Na vida, esta viagem.

Na vida sou miragem
De um povo antigo
Apenas consigo
Seqüenciar a carruagem.

A vida passa
Eu passo
Ela se adapta
Eu nada mudo
O mundo é coletivo
O meu individual
Só para mim ativo
É apenas virtual.

Se brigo  indignado
Com o povo e a política,
Bem sei que nada muda
A sociedade segue sisuda
Nada adianta o inconformado
Tentar mudar o futuro
Sempre estará defasado.

Mesmo assim me revolto
Com a dor da fome
E a ignorância sanguinária
Que observo e me comove.

04/12/13
Tony-poeta





terça-feira, 3 de dezembro de 2013

DESLOCADO

DESLOCADO


A vida
Só se entende
Com referência:
O Outro faz
Eu vejo
Me apraz
Repito...
Se não gostar descarto.
É assim que tento me compreender.
Mas
O problema é serio
Também não entendo o outro.
Duplo problema
A vida segue
E fico olhando
De fora.

03/12/13
Tony-poeta


TRAVESSIA

imagem google

TRAVESSIA



A borboleta
Atravessa o Canal
Voando
O Canal de Bertioga é largo.
Não cansa
Apenas dança
No zig zag do vento

Longa distancia
Não amedronta
As asas frágeis
O voo segue
Avança
O vento bate
A onda agita
Ela levita
Vencendo a morte.

Mata que avista
Reforça a persistência
Para completar a existência
Segue seu ciclo
Apesar de breve
Há força no viver
Impera a metamorfose
Basta vencer.

03/12/13
Tony-poeta



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MIRAGEM

imagem google

MIRAGEM


Perdido no mundo
Some e aparece a paisagem
A nova imagem
Repete tudo.
Caminhante...
Errante...
Hesitante...
A lágrima escorre.
O mundo
Apenas sensações
Vão...
Voltam...
Saudosas.
Caminha para aonde?
Nunca se sabe
Mas segue andando
No deserto
Caçando miragens...

02/12/13

Tony-poeta

domingo, 1 de dezembro de 2013

AUSÊNCIAS

AUSÊNCIAS


Noite escura, um vento frio
Presença ausente do viver
Vontade de correr no espaço
Vontade de sentir calor
Correr? Ficar? Duvida que mora
Ao mesmo tempo vai embora
No vento em rajadas
Que trás e leva sentimentos
Que acentua a falta
Reforça desejo
Do ser ausente pertencer
Saber que a vida e o viver
É uma presença
Que se ausenta
E retorna
Como o vento.

01/12/13

Tony-poeta

A MAÇÃ

A MAÇÃ


Lembrei-me. Era muito pequeno, uns cinco aninhos. Queria assobiar e não aprendia,
Ficava soprando e fazendo biquinho o dia todo, não saia nenhum som, só sopro mesmo.
Detestava maçã, sei lá por quê? Era pós guerra, a maçã importada da Argentina, cara, portanto. Alguém falou que era necessária para a criança. Meu pai comprava e eu não comia.
Certo dia quando fazia o biquinho minha mãe chegou com a maçã:
- Coma que você consegue assoviar.
Deu certo, mordi a maçã e saiu um barulho. Era o assovio. Foi a maçã!
Hoje tentei assobiar para o Lacan, meu cão. A rinite estava bem atacada com a garoa e a mudança de tempo. Fiz o bico de adulto e soprei. O nariz tapou o ar não circulou e não deu barulho nenhum.
Sempre tive rinite. Não era a maçã.

01/12/13

Tony-poeta

noite escura

noite escura



Que a noite se ilumine como o dia:
Como fazer poesia no escuro e na solidão?
O coração que bate escondido pede luz
Quer que os olhos aguçados guiem a vida
Para poder controlar suas batidas
E viver cadenciadamente cada emoção.

Coração não gosta do escuro
O futuro não é jogo oculto
O caminho que traça o futuro
Jamais pode ser escuro.

Coração quer luz de verdade:
No jogo de amor
Na dança de véus
No riso matreiro
Na boca de mel
No encontro inteiro
Que leva pro céu.
Coração é giro de roda
Na volta do planeta
E se Marte se apresenta
É voar entre estrelas
É furor,
É cometa.

Que o sol acenda a luz
Que a lua está apagada
E a vida amuada.

01/12/13
Tony-poeta



PENSAR OU NÃO PENSAR... POUCO IMPORTA.

PENSAR OU NÃO PENSAR... POUCO IMPORTA!


Nos anos cinqüenta o Brasil era um País predominantemente agrícola, portanto de consumo restrito mesmo nas classes mais altas, havia uma noção de não desperdício e não se gastava e não se consumia o desnecessário por cultura e por não ter oferta. Não havia miséria já que a agricultura da época ocupava muita mão de obra e quem se arriscava nas cidades tinha condições de se manter. Não havia criminalidade, poucos casos me vêm à lembrança. O que existia ocasionalmente eram o estelionato e batedores de carteira. Refiro-me a que vi em São Paulo.
A escola era prestigiada, os professores respeitados, convidados para todas as atividades cívicas do local junto ao Prefeito, o Padre, o Delegado e o Médico. O curso era puxado e se não soubesse não se passava.  As matérias eram diversificadas: Musica, desenho, trabalhos manuais, latim, Frances no Ginásio e no Colegial era acrescido de Espanhol e filosofia.
Com a Industrialização que teve inicio principalmente com a Indústria Automobilística a meta do ensino passou a ser preparar profissionais para a nova atividade. Começou o êxodo rural para suprir a mão de obra escassa, com pessoal de zona agrícola com baixa ou nenhuma escolaridade do próprio estado ou dos demais da federação.
Juntamente iniciou uma mudança na grade curricular, a indústria e comercio nascentes necessitavam de pessoas para trabalhos subalternos cuja condição básica era falar bem, não errar em contas e saber datilografia. Desta maneira foi dada ênfase ao Português e a Matemática. De línguas foi conservado o Inglês apenas, pois o foco foi desviado ao País do Norte, anteriormente nossa referencia era a França. A carga das demais matérias que podiam propiciar uma cultura geral foi começando a ser desvalorizada e assim diminuindo.
As escolas Técnicas se abriram como Universo paralelo a ponto do Bandeirantes uma das escolas mais prestigiadas até hoje, abrir na época ensino técnicas. [Não sei se ainda é mantido].
Este fato relegou a Instrução básica a um segundo plano, o que se fez acompanhar do prestígio do Professor, do salário e o mais importante do simbolismo que representava.
Hoje se formam operários desde a base até o ensino Superior. Quem quiser progredir que faça uma pós-graduação.  A escola prepara para o trabalho: não para pensar e nem para competir em um nível mais elevado.
Infelizmente tivemos uma regressão.

Tony-poeta


DIA DE CHUVA

DIA DE CHUVA


Chove
Dorme
Chove
Dorme
Dá fome
Levanta
Come
Chove
Dorme...

BOM DIA

Tony-poeta