sábado, 13 de julho de 2013

A DOENÇA E SUA CURA



 
imagem google

A DOENÇA E SUA CURA


Desorientado o ser procura uma razão. Talvez alguma coisa tenha falhado? Cambaleia debilitado, a dor é interna e externa; seus sentidos estão nublados por densa cerração, caminha a esmo, parece voltar aos primeiros instantes de sua vida. A dor de inicio da vida se mescla com a dor da instabilidade atual que pode ser o fim. A situação é drástica, urgente, a vida tem que se restabelecer.
Nada mais doloroso que o Vir ao Mundo. O ser no mundo vitima de uma expulsão, como um objeto indesejável que ejetado abandona seu útero seguro que lhe abrigava protegido. Ei-lo no desconhecido. A temperatura esfriou, sente frio. Há luz onde era escuridão e mesmo com sua visão incipiente, machuca. Os ruídos antes abafados em sua morada tornam-se exagerados. Há ruídos, luz por todo lado, o ser encontra com o corpo: tem que descobri-lo e controla-lo. Tudo é estranho, tudo apavora. Há medo, muito medo. Chora!
Um objeto pega o pequeno ser, também objeto e o banha em agua morna. Acalma; já sente o ambiente ficar menos turvo, finos panos o agasalham, a temperatura fica amena: sente-se cuidado.
Ancora num corpo que não lhe parece estranho, leva a boca a uma pele macia e um líquido, na temperatura que viveu por nove meses jorra familiar, suga a principio tímido e descoordenado, ouve uma voz macia, um tanto familiar, parece que já tinha escutado este diapasão, fecha os olhos e adormece no corpo estranho-conhecido em seu objeto a descobrir.
Esta volta às origens na doença é apavorante, nem sempre há alguém para aliviar a angústia e acalmar o choro; o ser separou-se de seu objeto, perdeu o contato, o objeto corpo não mais responde as demandas do ser. Há a dor desconhecida da expulsão agressiva do primeiro momento. O choro não mais encontra o alento da mão que firme acolhe, banha as feridas e o agasalha com panos aquecidos e cheirosos. A cama não tem a maciez de corpo que o acolheu e o leite tão farto não mais jorra. Grita, chora e o mundo parece surdo, nada o acalma.
O paciente, apenas o ser afastado do objeto, procura este contato que é a saúde. Saúde é a vontade do ser, que manejando o objeto corpo, traça um destino; independente de bom ou ruim. O que importa é ter um destino e este corpo caminhar com os acertos e erros comandado pela desconhecida força chamada vida.
O gemido externo ou interno, este som gutural que chama atenção, tenta repetir o choro do primeiro dia: o corpo tenta a fala, ora uma fala masoquista tentando contar as dores do desencontro com o comando vida; ora uma fala sádica e agressiva tentando despertar o seu redor pela sua necessidade que põe em risco sua continuidade; talvez geneticamente lembre-se da família reunida e da comunidade rezando o terço, o padre trazendo agua benta ou o xamã fazendo fumaça; até a velha benzedeira com um raminho de arruda passando por suas orelhas e pronunciando palavras mágicas que o ser da vida consegue entender e retornar ao comando. Ou então xingando e suplicando para todo pessoal paramentado, cheio de estranhos aparelhos, tão mágicos como a fumaça de seu curandeiro, para que soltem a palavra que conecta o corpo com o ser. Pede a este pessoal, que como amigo limpe o chão onde irá pisar das impurezas que possam quando ainda trôpego cair novamente; da camareira-enfermeira que acomode este corpo nos brancos lençóis quentes e acolhedores e o médico que injete uma solução conectiva que restabeleça o contato perdido. O show sadomasoquista é apenas o apelo de um corpo que perdeu o contato com o ser e tenta como no nascimento restabelecer este encontro que é a base do viver.
Curar é entender a linguagem. Não é o aspirador nasal de mecônio que dá o choro; o que dá a vida é este choro que irá acontecer espontaneamente ou com uma palmada. Entender que a vida é luta que começa com a dor e segue com deleite do seio.  Este encontro se perdeu com a moléstia. A doença é um hiato ser-corpo que pode ser definitivo se não for acudido, é uma letra muda da existência.
 Quem cura não é o maquinário, a fumaça ou a arruda aspergida em água, mas sim esta manifestação holística onde os cuidadores falam com o corpo e seu ser e restauram a harmonia chamada viver.

Tony-poeta
13/07/2013

MOÇA NA JANELA


imagem google

 

MOÇA NA JANELA


Pela manhã
A moça na janela
Esperava ele
Eu olhava pra ela.

À tarde
Ainda na janela
Esperava ele
Eu olhava pra ela.

À noite,
A moça fechou a janela,
Foi sonhar com ele
E eu, sonhei com ela.

Tony-poeta
13/07/2013




sexta-feira, 12 de julho de 2013

AMANHÃ






Amanhã
Quando a flor soltar seu perfume
Lembrar-me-ei de ti.
Quando o pássaro nas alturas
Fizer o rodeio das nuvens
Lembrar-me-ei
Amanhã
Quando a flor soltar seu perfume
Lembrar-me-ei de ti.
Quando o pássaro nas alturas
Fizer o rodeio das nuvens
Lembrar-me-ei
Quando a relva
Dançar com o vento
Lembrar-me-ei de ti
Terei a certeza
Que corres através do planeta
Atiçando as ondas dos sete mares
Que se encontra em minha cabeça
Afogada de tanta saudade.

Tony-poeta



O APAIXONADO





O apaixonado
Foi dormir sem ter acordado
Passou o dia sonhando
E a noite, ainda desejando...
Não recebeu o beijo amado
Que o teria acordado.

Tony-poeta

quinta-feira, 11 de julho de 2013

FUMAÇA



 

FUMAÇA


Solto fumaça
Você passa...
Turva o mundo
Visão deformada
Pela fumaça
Não perde a forma
Que se realça
Na magia da graça
De tua passada.
Bate o sol
Arco-íris se forma
Por onde você passa
Na luz você segue
E se esfumaça...
Não vejo mais nada
Envolto em fumaça.

11/07/2013
www.tony-poeta.blogspot.com