sexta-feira, 16 de maio de 2014

PARA UMA MASOQUISTA



Poema uma masoquista



Se queres sofrer ninguém tem culpa
Se escondes forjando sofrimentos
Informo: sequencias de lamentos
Jamais servirão como desculpas.

A vida: sempre bons e maus momentos,
Flash de rir, muito de indecisão
Comporta músculos, coração
Na faca fria do discernimento.

Esconder-se para nas lamúrias
Gozar por dentro, louca luxuria!
No sofrimento ganhar proveitos
É jogo triste, desesperado
De quem teme a força de lutar
Se escondendo apenas no chorar.

16/05/14
Imagem Google.






cantareira



CANTAREIRA


Um menino perto de dois anos, um lago, vários cisnes; lembro-me bem: tinham cisnes negros e brancos ao fundo e meus pais e Carmen uma amiga deles. Eram duas fotos na Cantareira, infelizmente não sei o paradeiro.
Nesta época, 1948 a Cantareira era um passeio dos paulistanos, uma cidade ainda relativamente pequena. Chegava-se de carro, porém estes eram raros na época, a preferência era pelo bonde que fazia ponto em Santana. Pelo que me lembro, perto do quartel.
Claro que não relembro do dia da foto, posteriormente fui algumas vezes ao local, agradável com seu lago e suas aves.
A Cantareira pertence a história de São Paulo, o fato de secar literalmente uma represa, por descuido e desorganização é crime, contra a cidade e seu povo.
A Cantareira chora lágrimas secas na poluição desorganizada da Politicagem.

16/05/14

Tony-poeta.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

LUA CHEIA - crônica.



LUA CHEIA



Na sacada eu e Lacan, meu cão, comíamos amendoim, sim Lacan adora amendoim, e olhávamos a lua.
Esta estava cheia, bem próxima a terra dando para percebe-la como esfera brilhante, solta pelo espaço, livre, juntinha a nosso reino complicado.
- Lacan, vamos a lua... falei.
Seu olhar canino de mil palavras assentiu que sim.
Tão próxima estava que pensei alcança-la. Cheguei em pensamento, eu e meu cão e ficamos olhando a terra e seus agitados e tensos habitantes. Corriam feito loucos em seus carros, sempre blasfemando.
Resolvemos explorar o outro lado do satélite: este canto longe de nosso planeta não deve ser contaminado pela agitação; aqui, até o solo sente o tremor da vida da Terra.
Do outro lado havia paz, havia vida, havia amor, estranhas criaturas se movimentavam lentamente ao ritmo de um minueto, transparecendo paz.
- Como podem vocês aparentar tanta calma e tanto amor? Perguntei a um transeunte sorridente.
- No dia em que aprendemos que temos um inconsciente comunitário e, que se todos tiverem Paz, reinará harmonia.
É neste momento que poderemos cumprir nossa função no breve espaço de nosso tempo, a missão da vida é viver. Só há vida plena se a harmonia guiar.
Agradeci, eu e meu cão olhamos incrédulos. Todos em confraternização, ingênuos diria, usando a linguagem de nosso planeta. Como se vive sem falsidades? Pensava eu e transmitia a Lacan também impressionado no seu saber canino...
- A janta está pronta, gritaram da cozinha.
- Lacan correu e acompanhei voltando para nosso mundinho de inveja e de petróleo. A Lua nos olhava compreensiva solta no espaço.

15/05/14
Tony-poeta


quarta-feira, 14 de maio de 2014

ORDEM E VIDA - crônica



ORDEM E VIDA



Ordem é a sala petrificada de um idoso desolado tecendo recordações; os bibelôs de outrora estáticos nas prateleiras esperando um acontecimento. Nada acontece! Apenas a poeira fica acumulada nas memórias desbotadas. Caso venha a faxineira e movimente o ambiente, já não mais é ordem, apenas recordações, deleites e sonhos passados e sofrimentos congelados.
A vida é o poeta bêbado, duro num fim de semana, que acha perdida em uma gaveta, restos da boemia, uma nota de cem reais esquecida. Pávido se dirige a padaria acordar o Seu Jair, pede cerveja, mostra o dinheiro, e este sonolento e rabugento entrega as garrafas que farão poemas, criarão sonhos e no recital etílico agitarão a vida; o movimento circular trará o sorriso alegre de quem quer viver.
Ordem não é progresso: é congelamento. Por dentro da bolha da ordem borbulham agitados pensares, a bolha sofre pressões, quase de desfaz, aguenta! E do rebuliço saem novas inspirações, novos fazeres, novas angústias, novos movimentos de amor.
Cabelos penteados não fazem sexo. Só a agitação, os cabelos alisados por mãos trêmulas de desejo, soltos ao vento conseguem acompanhar toda excitação, Ordem não faz amor, ordem é o casal com tudo arrumado onde a mulher vê televisão e o homem fica no computador, de tempos em tempos ruminam uma observação surda e sem significado, até que vão a cama, um dorme e outro vê as notícias compartilhadas no Facebook.
Nunca busque a ordem, agite-se, enfrente momentos e curta a desordem, mesmo que esta machuque. Não se descobre o objetivo da vida, nunca! Mas no rebuliço que fizeres terás momentos agitados e alegres e poderás dizer: Eu vivo a vida!

14/05/14

Imagem Google.

REPETECO



REPETECO


Mala as costas
Sempre a andar
Figurinhas trocadas
Álbum incompleto
Sempre voltar.

Vai e vem...
Caminhada ou jornada
Andando a esmo.

Volta em lembranças
Anda em esperanças

Vai e vem

Mudam as faces
[Nem tanto]
Pensamento irrequieto
Volta ao mesmo...

Andar...

Mala as costas...
Não sai do lugar...

14/05/14
Imagem Google.


terça-feira, 13 de maio de 2014

VELEIRO



VELEIRO


O vento soprou
Levou a outras águas...
Calmas!
Distante ficaram
Antigas velas.
O mar sussurrando
Cantando nas vagas
Belezas do amor
Que corteja o passar
Onde o horizonte
Apenas uma linha
Cose poesia
Do mundo passado
Contorna os desenhos
Das velas que o vento
Levou a outro lado.
A vaga troveja
Os versos de ontem
Na dor que carrega
O mar que está calmo.

13/05/14

Imagem Google

segunda-feira, 12 de maio de 2014

VIROSE



VIROSE


Resfriado:
Vivo lonjuras,
Notas dedilhadas dissonantes.

O corpo flutua
Existe porque dói,
Apenas!

O pensamento
Processa detalhes,
Vagos...

Tudo dissociado
Corpo e mente
No espelho deformado.

Vida:
Apenas junções
De impressões.

Corpo e mente
Separam-se
Estranham-se
Por fim se unem novamente
No ritmo
Do tudo e do nada.

Apenas um encontro providencial.

12/05/14

Imagem Google.

domingo, 11 de maio de 2014

MONOTONIA



MONOTONIA
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O medo de muita alegria
É a reversão em melancolia.

O riso que corre solto
Pode parar num canto absorto.

O sonho que faz sinfonia
Pode num canto da sala
Aquietar sem pensar em nada.

Se a música tem o silencio
A pausa dos sonhos
É violento pesadelo
Que atordoa e amedronta

E o tudo e o nada
Que vivam em oposição

A alegria que passa
Apenas retorno
Com dor e aflição.

O canto da sala
Nem junta poeira
Se perde no nada
E fere e mata.

11/05/14

Tony-poeta