sábado, 3 de março de 2012

TANGENTES







TANGENTES





Sempre são momentos

Não existem paralelas

Só tangentes.



Tangenciar

É a cor brilhante

Antes de desaparecer.



Toque é luz

Cor... Amor...

Chamam Paixão

A explosão de corpos.

Encontro no espaço

Antes de vagar.



Cometa de mil cores

Recital de luz

Desbota lentamente

Perde matizes

Segue a rota

Solitário

Busca nova tangenciação



Amor:

Corpo no espaço

Buscando coalizão.





03/03/12

tony-poeta pensamentos.










QUERO UM AMOR








QUERO UM AMOR





Quero um amor

Azul da cor do céu

Com toda pureza virgem

Das nuvens brancas espavoridas.



Quero um amor,

Ardente como o arrebol,

Vermelho como sangue

Que colora rosado a pele

Da mulher prometida.



Quero um amor estético,

Sinuoso, como as andorinhas

Que na penumbra do por do sol

Fazem fundo circular e uniforme

Brindando as cousas do amor.



Quero um amor infinito

Qual a galáxia distante,

Tão distante... Que na luz fraca

É tão sublime,

Por nos alcançar estando tão longe.





29/04/1969

tony-poeta pensamentos

Publicada em OS ANTÍPODAS










SER E EU - REFLEXÕES







SER E EU – Reflexões





Penso, logo existo...

Inicio da discussão



Meu Eu discute com meu Ser.

Discute sim!

Incrível pode parecer.

Se o Ser só vê a liberdade,

Como ver a limitação da humanidade?

O Eu submisso argumenta:

-Na vida a diplomacia a alimenta.

Mas o Ser, arauto da guerra,

Fala que só a luta reforma a terra,

A terra necessita de homens de visão

E a luta é a solução.

O Eu contra argumenta que o poeta

Nos versos indecifráveis adoça a terra,

Não somos todos iguais como o Ser propaga

Pois os versos de amor a vida afaga.

Mas poema não é progresso!

Proclama o Ser inflamado.

O Eu rebate com emoção

É o carinho que move o coração,

Se a guerra trás transformação

A vida continua lenta

Explica paciente,

E lenta é, porque tem gente

Que sente emoção.

Quem vê só o solo desnudado

Sem de verde e cores adornados

Vê apenas falsa estabilidade

Sem saber que viver é felicidade.

O Ser todo irritado,

Não gosta de ser desafiado,

Fala que a guerra é na verdade

O caminho para paz em cada herdade.

O Eu diante a inútil discussão

Pega o lápis e faz o poema-oração.





23/01/2012

tony-poeta pensamentos.








sexta-feira, 2 de março de 2012

A BUSCA DO HOMEM SEM GUERRA -pensamento





BUSCA DO HOMEM SEM GUERRAS





Qual a glória que um homem busca no curto período na terra?

Qual a vantagem em ser melhor ou pior?

Tanto a filosofia Ocidental, como a Oriental colocam o homem como Homem da Guerra.

Esta é a Lei do Planeta.

Só acredito em evolução, quando esta for conservação,

Não destruição.



Todos buscam a liderança,

Para serem destronados.

Tanto animais, como homens.



Na história

Grandes lideres são guerreiros.

Poucos são os homens de paz.

Os animais são guerreiros.



Racionalidade é a busca da paz.

Racionalidade não é efetuar artimanhas

Para resultados egoístas.

Isto fazem os animais.



Racional não é só criar filhos

Mas criá-los com ética.

A criação da prole é universal.



Racional não é criar instrumentos

De utilidade duvidosa

Esgotando a natureza.

Nem os animais o fazem.



Racional é apenas

Quebrar o ritmo natural

Que é a guerra

E conseguir uma harmonia real

Não de aparências.



A guerra é o ritmo da natureza

Todos os seres vivos se submetem a ela.

Só seremos diferentes

Quando extinguirmos o instinto guerreiro.

A civilização real, da qual estamos longe

É a da paz autêntica.



03/03/12

tony-poeta pensamentos








PRECONCEITO DE IDADE





                              PRECONCEITO DE IDADE





Na civilização ocidentalizada há sim o preconceito de idade. Narrarei como Geriatra o mecanismo e depois relatarei fatos que aconteceram comigo como reforço..

O ser humano tende desesperadamente se manter jovem. É facilmente visível na nossa sociedade nos casamentos famosos, onde aqueles idosos que se encontram condições sociais ou culturais privilegiadas realizam casamentos, muitas vezes abandonando o velho parceiro ou parceira, com pessoas muito mais jovens, com idade para ser seu filho e muitas vezes neta.

Não se trata de um exibicionismo como o falar popular propaga, nem uma sede sexual desmedida. O individuo mais velho vê no mais jovem aquilo que gostaria continuar sendo e já foi perdido. Neste espelhamento forma-se uma paixão descontrolada, que muitas vezes termina em assassinatos, vigilância desmedida com escutas e filmagens secretas e outros mecanismos, buscando uma regressão a juventude absurda, mas no inconsciente do ator completamente lógico e válido.

Numa roda de amigos há algum tempo, não fixei as pessoas, mas sim a fala. Discutiam-se viagens e foi ventilado que na Suécia a intolerância entre jovens e idosos chegava a ponto de contenda, com uma agressividade não disfarçada. Como se sabe o País nórdico tem um dos melhores IDH do mundo, a melhor estatística e o maior numero de suicídios. Isto justifica que uma sociedade altamente organizada, a perda da função social ou produtiva acarrete uma grave descompensação e a insegurança de envelhecer provoque medo. O que em parte justificaria estes índices negativos. Quero realçar que só conheço o País de leitura e duas ou três pessoas nativas que tive contato.

É sabida na psicologia que nosso medo principal não é só a morte. Temos três elementos que se equivalem e interagem, a saber: A velhice, a Loucura e a Morte. Formam um triangulo e um angulo leva ao outro. Portanto quando pensamos em um automaticamente estamos nos reportando aos outros dois.

No contato familiar, pelo fato de amarmos nossos anciões esta relação é pouco percebida, porém plenamente existente. Na minha auto-análise, que realizo solitário há anos, notei perfeitamente que mesmo tentando ser isento, inclusive por profissão, na doença de meu pai, um câncer de próstata tive atitudes que claramente mostravam esta relação triangular. Exemplifico: Quando houve necessidade de orquidectomia (castração) no Sr. Carlos, achei que tudo bem, o mesmo estava idoso e não faria falta a ereção; mesmo a segunda esposa dele sendo mais jovem que eu. Caindo em si, um tanto tarde, já havia falecido, notei que estava entrando na relação que já conhecia. Idoso levando a loucura (falta de necessidade sexual e social) e morte que fatalmente ocorreria como de fato ocorreu com a doença em curso. Mesmo camuflada, existiu.

A origem desta distorção. Chamo esta atitude Ocidental de distorção, deve-se e tem origem no inicio das escolas filosóficas.

O Oriental em Buda ou Lao Tsé, taoísmo, consideraram que a nossa formação era composta do ser e do não ser. O fato de existir o não ser, ou seja, o vazio os orientou numa cultura longitudinal. Explico: A família tem uma constituição hierárquica que o mais velho a comanda, quando morre é substituído pelo filho mais velho e seqüencial, não há quebra da seqüência. Esta regra é seguida nos meios de produção e mesmo no que me relataram no exercício da medicina, onde por mais capacidade que tenha o jovem ele vai aguardar sua vez. Não queima etapas. É uma formação vertical (algumas culturas africanas e indígenas americanas seguem também esta estrutura.). Parte-se do não ser e o ser vai adquirindo habilidades cumulativas. Cultua-se o vazio como integração, como os dois existem não há anulação, ou seja, o idoso passa de ser a não ser. Ele sempre é e não é. Não se perde funções, acumula-se.

Na filosofia Ocidental, o não ser não existe e pensar no nada e no vazio é absurdo. A formação familiar e social é horizontal onde um pode tomar o lugar do outro a qualquer hora. Ou seja, é altamente competitiva. Isto leva que o idoso, na hora que perde o poder é alijado da competição. É aí que entra o triangulo, está perto da Morte, não é senhor de si, ou seja, perto da Loucura e está Velho. Há perda de função.

Quero realçar que a loucura é apavorante para as duas sociedades tal como a morte, mas a diferença se faz na velhice.

Isto explica que numa sociedade competitiva e organizada como a Suécia forme-se esta barreira de gerações. Ou seja, você tem de ser, pois o não ser não existe.

Esta observação foi realçada estes dias numa compra. Citarei o nome das lojas, pois, acho que a net é vista, vou postar e serve de alerta para não agravarmos o problema no país, onde ainda se encontra camuflado.

Meu Notebook está com três anos, o computador a Ana usa e é um perigo em minhas mãos. Começo a imprimir tudo que acho interessante. Portanto é bom que fique longe. Com está idade do aparelho, logo será o não ser, para acompanhar o raciocínio. Será descartado. Tenho férias em abril onde irei viajar alguns dias. Para reforçar assumi um ambulatório de psicossomática em Bertioga, Uma psiquiatra saiu, tinha duas e faltava gente. Como sempre trabalhei com esta parte no consultório aceitei que me triassem os casos de depressão e pânico. Os casos mais graves o psiquiatra cuida. O fichário é manual e há necessidade de um contato mais afetuoso com tais doentes, de modo que um computador de fácil transporte resolveria. Tem computador no Posto, mas cada dia se atende numa sala e o sistema vive dando problemas, como todos.

Havia duas hipóteses de uma máquina fácil de transporta. O tablet e o Netbook. Fui fazer um estudo. Procurei uma loja não tinha, fui a Casas Bahia onde mesmo em falta acionariam o catalogo e me forneceriam as explicações necessárias. Fui vestido de praia, onde moro, de short, camiseta de algodão e chinelo. A vendedora me atendeu com displicência, não mostrou o que queria ver e parou de me atender no meio da conversa para mostrar uma máquina fotográfica de duzentos reais a uma senhora que tinha acabado de entrar. Não quis me indignar, não compensava e julguei na hora que fosse pela roupa. Mas senti que ela concluiu que pessoas mais velhas não sabem fazer uso de computadores.

Pesquisei na internet. O tablete não ofereceria os recursos que precisava apesar do tamanho ideal do mesmo. Resolvi comprar o Netbook.

Já que estava conectado, compro pela net, pensei. A primeira loja que apareceu foi a Saraiva. Meu pai já comprava livros lá quando esta era no largo São Francisco, em frente à faculdade de Direito. Portanto idônea.

Fiz o pedido o aparelho, a capa de transporte, o mouse e os programas que não estavam inclusos. Arredondando deu 1.600,00 reais. O programado.

O site informava que poderia haver uma confirmação de compra. Achei ótimo, não conheço praticamente ninguém que não teve cartão clonado. A verificação costuma ser por amostragem, onde compras que fogem o padrão e devem sim ser confirmadas, acreditava não ser meu caso.

Quarta feira de cinzas, logo depois da compra veio um email e uma mensagem no celular para confirmação. Disquei no numero atendeu a gravação que se identificava por Sara, Dentre as opções tinha a de confirmar, nem a falar com ninguém. Não havia opção de contato pessoal.

 Voltei à página e fui teclar com o serviço de atendimento. Fui atendido lentamente por uma Jaqueline que mesmo a avisando do problema do Call Center não deu solução. No final veio uma página de avaliação, onde assinalei que não foi solucionada minha demanda e dei nota dois para o atendimento. Cheguei à conclusão que o serviço secreto de informações deveria ser estrangeiro, provavelmente de Israel, a Moussad, pois o serviço secreto do Irã ao teria nenhuma Sara ou Jaqueline.

Tinha desistido da compra. Confirmei na Net o extrato do cartão, não havia lançamento.

No outro dia, chegando do trabalho a Carlinha, moça que trabalha conosco tinha recebido um telefonema da Saraiva para que entrasse em contato. Era o mesmo telefone. Ponderei, posso ter errado na digitação de algum numero, já ocorreu.

A balsa Santos Guarujá que teria de usar se fosse comprar em Santos, às vezes demora mais do que ir a São Paulo.Telefonei. O acesso estava consertado. A agente secreta Sara me transferiu. Aguardei alguns minutos a irritante musiquinha, fui atendido por uma agente malcriada. Fez as perguntas de praxe. Começou a perguntar mais detalhes até que pediu o numero do cartão e o código de segurança. Falei que era indevido. No final da entrevista perguntei se estava tudo certo e fui informado que sim, dia primeiro seria entregue a mercadoria.

Hoje, depois de avisar a portaria, a encomenda não foi entregue. Às 23 horas recebi uma notificação de cancelamento de pedido sob a alegação que não tinha dado retorno. Interessante notar que durante o dia veio pelo menos cinco Spam da Saraiva.

Só posso atribuir o presente fato a preconceito, salvo se a funcionária estava tentando obter dados de meu cartão. Estamos caindo exatamente no problema levantado acima, onde após os sessenta o homem está em tal estado de loucura que não pode comprar um netbook. É o mesmo triangulo velhice, loucura e morte. É lamentável.



01/03/2012






















OS POTES crônica








                                                 OS POTES





Encontrei Dr. Eládio Pessoa de Andrade e sua esposa Lourdes na rodoviária. Estava nos primeiros anos de Medicina e comprava a passagem de retorno depois das férias, quando me deparei com ele, Da. Lourdes e um carrinho de bagagens lotado. Estavam voltando de Fortaleza, ambos são cearenses. Cumprimentei meu primeiro professor da faculdade. O primeiro mestre é muito marcante para nós, além de apresentar o curso de Medicina, nos apresenta os cadáveres que iremos trabalhar no primeiro ano e, o mais importante, a Ética que deve ser seguida.

Notei que o carrinho de bagagens era descomunal. Contou que viera de Fortaleza para Congonhas, pegara um taxi e fora para a Rodoviária. Só teria ônibus no dia seguinte.

Percebi a situação, ele a esposa e a bagagem enorme. O local da rodoviária antiga era onde fica hoje a cracolândia. Já era barra pesada. Os Hotéis em volta eram de curta permanência. Com muito custo o convenci a deixar a bagagem no maleiro e ir para minha casa para alimentação e repouso. Assim foi feito.

Dr. Eládio é uma pessoa calma, ponderada e competente. A única vez que soube que ficou mais irritado foi no primeiro ano da faculdade. Contam que ensinava ele sobre liquido sinovial; aquele líquido de lubrificação que dá mobilidade a joelho, cotovelos e outras articulações. Por mais que mostrasse os alunos do grupo em questão, não o conseguiam ver, até que irritado falou com todo sotaque nordestino, - Viste babinha, pois viste sinovia.

Numa classe de paulistas e paulistanos foi o bastante para o apelidarem de Professor Babinha, e ficou pelo menos até onde tive contato.

Em casa sua permanência foi agradável, mas a bagagem ainda me encafifava. O que Dr. Eládio trás de tão importante que não pode despachar, pagando excesso no avião e fazendo tremendo sacrifício na Capital? Não resisti e perguntei.

-Antonio Carlos, me respondeu ele. Tem uma geléia que eu e a Lourdes comemos desde criança, feita nos sítios da região. A gente não a encontra por aqui. Estamos trazendo para o ano todo. Se despachar os vidros quebram.  Na época não havia plástico.

Eu, meus pais que não tinham idéia do volume e o Rubens, meu amigo que sempre estava em casa concordamos, ainda que em dúvida se compensasse tanto sacrifício.

Dia seguinte eu e meu amigo Rubens os levamos a rodoviária, ajudamos acomodar a preciosa carga no ônibus e o casal voltou para Marília.

Não sei o gosto da tal geléia, deve ser muito bom. Dr. Eládio não se desfez de nenhum vidro para a gente experimentar e, o mais importante: devia emagrecer, pois o médico era magro.





02/03/12

tony-poeta pensamentos

UM MINUTO







UM MINUTO







O que querer?

O mundo nunca quer,

É observador passivo!

Corre no tempo

[Para ele inexistente]

Roda...

Apenas roda

Para nunca parar.



O que quero do mundo?

Um beijo...

Um abraço...

Apenas um minuto

O minuto que não existe:

-Este mundo indiferente

Nem ao menos o inventou.





20/09/1993

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quinta-feira, 1 de março de 2012

O TREM DE MARILIA







                                       O TREM DE MARILIA





Sempre gostei de viajar de trem. Esta foi a ultima viagem antes de sua total desativação para o interior de São Paulo.

Quando aconteciam cursos de especialização em São Paulo, era no trem que andava. Alugava uma cabine e chegava descansado ao destino. Considerava um conforto.

Desta feita teríamos eu e Ana, minha esposa, compromissos na Capital. Programei como era de praxe alguém para assistir meus pacientes, normalmente Dr. Érico Cardeal, comprei a cabine. Estava resolvida a viagem. Em casa ainda foi argumentado que o trem estava meio abandonado, que poderia ter contratempos e uma série de dúvidas, as quais prontamente contra argumentei:

- Vou sempre. Tem café da manhã, a omelete é ótima, o que não era mentira e Dr. Nathanael Melo costuma ir nesse trem, vai fazer análise.

Ana conhecia o Nathanael, era falador, divertido e de uma inteligência fora da média, uma certeza de um bom papo. Já escutara meus elogios a comida, ainda perguntou como era a cabine.

Expliquei que esta era pequena possuía um beliche à direita, um vaso sanitário em frente e um espelho a esquerda. Apesar de minúscula era o suficiente para um pernoite.

Consegui vencer as resistências. Estava programada a viagem, a cerveja com o Natanael e a omelete. Tudo certo.

Dia da viagem fomos a Estação, Natanael estava lá. Não tínhamos jantado, o faríamos no trem. Ficamos conversando até chegar o trem de Panorama. Entramos, guardamos as malas na cabine e, não tinha o vagão restaurante. Informaram que tinha quebrado, e o reserva estava inativado fazia tempo.

Mulher brava é difícil, inferniza mesmo. O Natanael começou a fazer seu discurso indignado e eu, tentando por panos quentes. Fomos sentar na primeira classe até a hora de dormir, esperando passar o rapaz que vendia refrigerantes, cerveja e sanduíches.

O rapaz não passava, Natanael reclamou, conhecia todo mundo. Logo depois apareceu. Não tinha a cerveja, ficara no vagão quebrado. O refrigerante estava quente, e o sanduíche de pão borrachento com uma mortadela de péssima qualidade, que para satisfazer o médico viajante habitual pegaram numa estação de parada. A fome era grande, acabamos comendo.

Fomos dormir. 

Sempre dormi na cama de baixo em minhas viagens. Apesar da cama superior do beliche ser baixa, nunca a usei. Como casado há pouco tempo, fazendo a gentileza masculina e diante da fascies de desacordo da esposa achei melhor ser cavalheiro.

Tenho barreira ao equilíbrio, de bicicleta desisti de andar, pois a mesma insistia de oscilar continuamente da direita para esquerda e vice versa. Em cima o trem andando era igual. Achava que ia cair, tentei, tentei, até que resolvi dormir na cama de baixo junto com a Ana, mais irritada ainda.

Não cabiam os dois. Com um irônico:- Machão. Foi para a cama superior e pude dormir.

Chegamos famintos e cansados a casa de meus pais.

Algum tempo depois a linha foi desativada por desinteresse dos passageiros. Acho que não é bem assim.



01/03/12

tony-poeta pensamentos






DESENCONTROS







DESENCONTROS





Sair...

Buscar...

Correr...

Procurar...

Sair buscando,

Correr procurando,

Procurar buscando,

Sair correndo...

Enfim!

Sair para onde?

Buscar o quê?

Correr para onde?

Procurar o quê?





20/07/1967

publicada em Os Antípodas.


AMOR INCANDESCENTE







AMOR INCANDESCENTE  ( uma lenda quase infantil)





Meu amor era tão grande

Mesmo não correspondido

Tornou a lua incandescente

Pelos versos dirigidos.



O sol todo enciumado

Saiu bravo para pensar

Foi passear pela via láctea

Só para tentar se acalmar.



A terra ficou escura

O amor não correspondia

Mas a paixão era tamanha

Por esta musa arredia

Onde a lua, já descorada

Sem cor e sem seu brilhar

Pela falta de uma outra luz

Voltou no céu fulgurar



O poeta a incendiou!



Como pode uma paixão

Não ter lua para falar?

Estando a terra tão escura

Não achando seu doce amar

Iluminou lá, as alturas

Fez a explosão lunar.



Então o rei sol desconfiado

Com brutal competição

Ordenou a musa que amasse

A tal poeta incendiário.

E retornou a seu lugar.



A moça amando seu poeta

A lua pode descansar

E das explosões de amor

Sobraram eternas marcas.



Foram chamadas:

Cratera lunar.



01/03/12

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A ENDOSCOPIA





                          A ENDOSCOPIA





É sabido na área médica que a endoscopia no Brasil começou em Marília.

Dr. Akira Nakadaira foi buscá-la no Japão, aprendeu a técnica, comprou os aparelhos e trouxe para Santa Casa de Marília, onde foi montado o Centro de Endoscopia entre o ambulatório e o Laboratório do Hospital. Sempre supervisionado pela sua brilhante enfermeira e instrumentadora Da. Sonia.

A endoscopia surgiu do avanço das fibras ópticas, onde se tornou possível através de um tubo todo um sistema corporal.

Para divulgação da técnica iniciou-se um curso anual na Santa Casa, de uma semana, onde passaram ora como aprendizes e Dr. Bettarelo, Dr Walter Henrique Pinnoti e Dr. Schilioma Zaterca, entre outros.

Dr. Rubens Silvado e Dr. Osmar foram posteriormente ao País Oriental para aperfeiçoamento. Este curso pioneiro foi freqüentado por médicos de todo País e houve anos que até mestres Japoneses vieram reforçar o estudo.

Em 1975, foi solicitado a mim, que na época era responsável pelos Rurais que selecionasse pacientes para as aulas. Eram doentes, com Raios-X indicando lesão.

 Dr. Akira era muito meticuloso neste ponto. Após concordância dos mesmos seriam submetidos à endoscopia e posteriormente tratados pelos professores. Os pacientes internariam na véspera, o que já estava combinado com a direção e com leitos reservados.

Foi feito conforme a programação e iniciou-se o curso. Tudo andava bem, até que por intolerância a medicação, se necessitou de um novo doente. Portanto fora do programa.

Fui consulado se haveria esta possibilidade, sugeri um doente recém admitido com queixas fortemente sugestivas de doença de estomago ocupasse o lugar vago. Não daria para fazer o Raio-X. Dr. Akira, mesmo um tanto insatisfeito acabou concordando.

Dia seguinte, após visitar os doentes internados fui olhar como estava o curso. Estava muito agitado. Tinha fila para entrar na sala de exames. Fiquei preocupado.

Encontrei Dr. Rubens e indaguei o motivo da agitação. Se tinha acontecido algum acidente. Afinal qual fora o problema?

Prontamente fui tranqüilizado. O paciente encaixado, logo no início do exame, mostrou um câncer de esôfago em fase inicial. A agitação era que, por ser o exame um processo visual tal imagem era muito importante para o curso.

Foi uma coincidência benéfica. O curso saiu enriquecido e o doente substituto pode ser operado com possibilidades de cura.



29/02/12

tony-poeta pensamentos


O ELETROENCEFALOGRAMA







                 O ELETROENCEFALOGRAMA





Ricardo invadiu meu consultório, bêbado pedia um eletroencefalograma. A secretária assustada veio me comunicar: - Doutor este senhor que diz que tem INPS quer um exame e está totalmente embriagado. Não trouxe guia de consulta.

O consultório particular era habitualmente cheio. Tinha conseguido credenciamento para atender a Previdência na clinica particular. Entre consultas e retornos sempre aguardavam vinte ou mais doentes.  Lembro que o ganho que proporcionava era suficiente apenas para viver bem, não dava fortuna.

Fui conversar com o paciente na sala de espera, não o conhecia. Era um homem de aproximadamente cinqüenta anos, vestido adequadamente, uma pessoa comum. Estava agitado, disse que vinham falando mal dele há muito tempo e queria um eletro da cabeça. Afinal era do INPS, frisou de novo.

Receoso pedi-lhe que entrasse na sala de consultas. Tentei conversar. Não havia jeito, queria, porque queria o tal exame.

O procedimento não era rotineiro, quem fazia era o Dr. Mazzafera em seu consultório, precisava de guia, autorização e toda burocracia. Expliquei, em vão.

Tentando resolver pensei: - Da Rua Armando Salles, onde era o consultório até a Av. Rio Claro onde ficava o barracão do INPS era uma boa caminhada. Num dia de calor como aquele, por certo chegará mais sóbrio e em condições de conversar. O Durval funcionário do atendimento é bastante atencioso e experiente. Fiz a guia e continuei meu trabalho. Ele saiu contente com o papel na mão.

No Posto não tinha jeito. O Durval não o convenceu que o exame tinha de esperar. Dr. Adib Haber, da chefia do atendimento não conseguiu convencê-lo, nem examiná-lo. O

Paciente continuava agitado. Chamou Dr. Simão Andrade Ribeiro, chefe da Agência para tentar resolver o impasse. Experiente, com seu jeito político o médico propôs: - Não tenho o aparelho da cabeça, mas o do coração dá para fazer agora. O Senhor Vai até aquela sala, deita quieto sem se mexer, que a mocinha vai por os cabos e fazer o exame.

Ricardo sorriu. Aceitou a troca.

Fazendo o exame, a técnica notou o traçado alterado, pensou:- É o álcool. Mas por precaução chamou Dr. Luiz Quijada o cardiologista responsável.

O homem foi imediatamente internado. Estava evoluindo um grande infarto do miocárdio, que após três dias o levou a óbito.

Na medicina acontecem muitas coisas inexplicáveis.





29/02/12

tony-poeta pensamentos


VIDA E ESPELHO







VIDA E ESPELHO







O tempo passa batido

Eu distraído

Não quero nem saber.

Não olho o espelho

Este reflexo pentelho.

Não quero crescer!

Sou um velho-criança

Que ainda tem esperança

De para a vida nascer.





29/02/12

tony-poeta pensamentos


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A VISITA DOMICILIAR



Entrei em 1975 na Pericia Médica do INSS. Marília tinha participado da criação dos serviços periciais, tendo o Dr. Aurélio da Mota contribuído no Rio de Janeiro para implantação da mesma. Tinha como finalidade, e ainda a tem, evitar fraudes que eram e são freqüentes por envolver grandes quantias em dinheiro e, por outro lado proteger o trabalhador quando doente.

Meu ingresso, de caráter emergencial deveu-se a convite do Dr. Aurélio e Dr. Gustavo Godoy, quando fazia o primeiro curso de Medicina do Trabalho da FUNDACENTRO.

Também trabalhavam na Perícia Dr. Simão Andrade Ribeiro, que fazia a Perícia Externa e Dr Antonio Damião Casella na pericia de acidente de Trabalho e Dr. Sakae Horita. Juntamente comigo também começou Dr. Antonio Aparecido Turato, que também fazia o curso.

A Pericia, na Rua Campos Salles era apertada. Só existiam duas salas, tínhamos que revezar. O problema é que se assinava ponto, e como só teria sala às onze horas para atender, tinha de rubricá-lo as sete, pois a chefe Da. Helga pontualmente a assinava no limite do horário e quem assinasse abaixo estava atrasado. Isto muitas vezes me fez levantar, colocar a roupa sobre o pijama, correr, assinar o ponto e voltar a dormir. Era comum se passar a noite na Santa Casa assistindo doentes graves. Não havia acordo com a chefa.

O Dr. Casella ficava em uma mesa no setor de benefícios, raramente via doentes. Sua função era mais de conferencia de acidentes. O que fez nosso contato aumentar foi uma máquina Facit. Esta máquina de calcular era capaz de realizar, por meio de botões e manivelas, as quatro operações. Era o que havia de mais moderno na época. O nosso perito, enquanto aguardava os processos ficava brincando com ela. Tinha uma na sua mesa. Tentava fazer potenciação, raiz quadrada e outras operações não previstas. Como ninguém entendia o que tentava e, descobrindo que eu fazia cálculos mentalmente começou a mostrar-me suas descobertas. Nem todas as operações eu entendia, mas ouvia. Ele era realmente muito inteligente, com um problema: contestava o mundo. O mundo para ele sempre deixava a desejar.

Certo dia me chamou e pediu para ver um de seus pacientes. Alegou que teria que viajar a tarde e tinha prometido passar na casa da Senhora tal [não me recordo o nome]. Falou ser coisa simples, talvez um resfriado, que a família era muito simpática e acolhedora e que costumava cobrar certa quantia, que era para manter o preço. Normalmente o doente sendo do colega, o preço a seguir é o dele, era assim que funcionava.

Marquei as seis, após o consultório e ele ficou de avisar a família.

Fui à visita, realmente fui muito bem recebido. Tinha uísque, suco e café me esperando, era costume receber o médico com gentilezas. Tomei o suco, fazia calor. Atendi a Senhora idosa, sempre acompanhada de sua filha muito gentil. O cheque estava pronto. A doença banal. Tudo certo.

Alguns dias depois nos encontramos, elogiei a paciente e a filha mas, notei um sorriso enigmático e até maldoso em seus lábios. Pensei até: - Que maldade ele está preparando para estas pessoas tão gentis?

Logo descobri, ele falou:- É minha sogra, estavam exigindo demais e te mandei para pararem de “encherem o saco”. A mais jovem é minha esposa.

Perdi o chão. Não se cobra de esposa de colega, o relacionamento nesses casos é mais afetuoso por parte do médico, afinal trabalhamos juntos, a relação vai mais para o campo da amizade.

Tentei devolver a consulta, mas ele morria de rir. Por fim pedi que não repetisse estas brincadeiras. Ele continuou rindo.

Com o tempo ele se aposentou e nunca mais nos encontramos.






o incesto

                               O INCESTO





Atendia no ambulatório da Santa Casa. Era l976. O atendimento era feito, como até hoje na parte que seria o porão do prédio. Tinha três salas de consultas e uma de curativos, pequenas cirurgias e exame ginecológico. Fazíamos tudo, poucas especialidades eram organizadas e prestava atendimento, a mais constante era a equipe do Dr. Nathanael Mello da vascular.

O volume de consultas era muito grande. Lá ia quem não podia pagar e o Fundo Rural com quem a Instituição tinha convenio. Particulares só se não tivesse médico ou o mesmo não pudesse atender; o que era rigorosamente respeitado e perguntado na recepção.

Geralmente no meu horário em todos os dias úteis, ocupava duas salas. Enquanto a enfermagem preparava as pequenas cirurgias [suturas, extração de unhas, drenagem de abscessos, etc.], ou exames ginecológicos, ia adiantando as consultas; depois me deslocava para o procedimento e voltava uma vez terminado para a sala anterior, enquanto a outra era novamente preparada. A média de atendimentos aproximava-se de sessenta no horário. Realmente era muito corrido.

Num dos dias de atendimento entrou na sala uma família de Bóias Frias. A sala era espaçosa e eles costumavam entrar com a família toda. Na verdade chamá-los de Bóia Fria era atenuante. Já conhecia bem estas famílias não existentes. Era um pessoal que trabalhava em colheitas. Não tinham casas, titulo de eleitor e, talvez nem identidade. O seu viver consistia em acompanhar lavouras desde o Mato Grosso até o Paraná, passando por São Paulo. Em Marília e região na época da colheita de café. Para os lados de Ribeirão e Bebedouro na de laranja e corte de cana.

Nas grandes cidades como Ribeirão e Marília, “os gatos” os acomodavam em casas de madeira nas periferias. Eram grandes casas, geralmente velhas e mal conservadas, onde cada família se acomodava em um cômodo, com cozinha precária e banheiro no quintal. Iam à lavoura em caminhões descobertos, com acidentes freqüentes e com vitimas fatais.

A lei que obrigou a cobrir as carrocerias e o uso de ônibus é bem posterior.

Esta população, portanto era inexistente, não conseguia nem ser oculta. Sem casa, tinha ocasiões que dormiam, quando o patrão era bom, no Galpão da fazenda, já nos displicentes levantavam uma lona no meio da plantação e, lá ficavam dormindo, todos juntos no chão, sem higiene e com precária alimentação. Acabada a colheita, nova peregrinação.

Apesar de pouco citados em livros, esta população era significativa, a ponto de conversando com Irmã Joana, uma adorável freira nissei ela concordou em organizar e distribuir a medicação, as amostras grátis, conforme fosse receitado. O estado não fornecia um comprimido sequer.

Esta família, composta pela mãe, uma senhora sofrida e acabada que parecia avó da moça s ser consultada; seus irmãos de dezoito anos e quatro irmãos menores acompanhavam a paciente que se queixava de dor na barriga. Esta menina ainda não tinha completado catorze anos, tinha certo retardo mental. Confirmado pela mãe.

Examinando percebi uma gravidez avançada. Pela a idade era caso de estupro. Falei:

-Esta menina está grávida, vou ter que avisar a polícia.

Gerou pânico. A mãe entrou em desespero, naquele falar arrastado de zona rural começou a se explicar.

-Doutor, o filho é do irmão. A gente dorme encostado um no outro no frio e aconteceu, sabe, são jovens. O pai dele morreu faz um ano na roça. Ele é o único que trabalha. Se ele for preso a gente vai passar fome. Esta criança não vai conseguir nascer. E continuou veemente na ladainha.

O fato de passar fome, ela, a menina grávida e o rebento a nascer, juntamente com os irmãos me parecerão verdadeiro. Já estavam excluídos socialmente sem nenhum crime. Mas, e o rapaz, recém adolescente? Era cômodo aproveitar-se da irmã deficiente?

Porém como um rapaz de dezoito anos, praticamente um adolescente, semi-analfabeto, sem casa, comida, roupas e, responsável por uma família de seis pessoas encarava as regras sociais de um mundo que o abandonou?

Será que o dormir abraçado no frio e, acontecer um ato sexual pode ser atribuído uma culpa a dois jovens?

 Que direito esta sociedade que joga uma família no total abandono e tira-lhes as condições de existir, tem de cobrar uma regra social que ela mesma não implanta?
Tenho eu, como médico o direito de julgar o certo e o errado e, se punir o infrator, se é que é infrator, jogar o resto da família em uma penúria maior, com risco de matar um ou outro membro de fome?

Se acionar a policia ele seria imediatamente preso, as atenuantes seriam avaliadas depois. Ele seria estuprado na cadeia, como acontece com este tipo de crime e nada resolveria. Não era um maníaco sexual.

Realmente fiquei por um tempo tentando pensar. O dilema era proteger a lei social ou proteger a vida, independente do pobre adolescente adultizado ser ou não responsável.

Não tive coragem de solicitar a lei. Jurei preservar a vida e iria cumprir.

A manutenção da estrutura familiar, em nossa civilização judaico-cristã pertence à mulher. Ela que tem de que acionar ou não a justiça, não eu, cuja função e minorar dor e sofrimento. Não podia aumentá-los.

Passei um analgésico para a gestante. Adverti a mãe para cuidar da moral da família, que era sua obrigação. Orientei sobre o parto.

 Deixei-os andar pelo mundo, a esmo como sempre fizeram, sem nunca serem notados. Não me cabia agora mostrá-los.

Pedi desculpas para os pacientes que esperavam, dispensei-os. Estava com uma enorme dor de cabeça, fui tomar um uísque ainda assustado com o ocorrido.



29/02/12

tony-poeta pensamentos