sábado, 6 de outubro de 2012

O SANFONEIRO CEGO


O SANFONEIRO CEGO


 

 

Era uma quarta feira, estava atendendo os pacientes da Pericia Médica na Rua Campo Salles; como de costume chamava os doentes, os periciava seguindo a ordem das fichas:

- Severino Souza, pode entrar.

Entrou um senhor de 58 anos, cego, acompanhado de uma senhora que se identificou como filha: a Lourdes.

- Pois não, qual a doença do Seu Severino?

- Ele é cego.

- Desde que idade está cego? São as perguntas habituais que iniciam uma pericia.

- Desde muito jovem, teve uma doença.

- E ele trabalhava em que?

- Tocava sanfona.

- Há quanto tempo paga o INPS?  Sempre se imagina que possa haver uma tentativa de burlar a Previdência e, quem nunca trabalhou pague um ano e tente se aposentar.

- Há doze anos, respondeu a filha.

- Sempre tocando sanfona?

- Sim, sempre tocou sanfona.

- Não tem outra doença?

- Não, só é cego.

- Lourdes, se sempre tocou sanfona cego, pela cegueira não posso ajuda-lo.

- Doutor, ninguém mais está contratando sanfoneiro, hoje só querem aquelas musicas barulhentas, e com o K7, muita gente que contratava sanfoneiro para as festas, agora põe a fita. Quando contratam alguém é para tocar discoteca, não chamam sanfoneiros. Nisto Lourdes estava com os olhos cheios de lágrimas, mas não fazia escândalo, nem simulação. Dava para se notar que havia sinceridade.

-Doutor, sou honesto, falou Severino, sempre paguei ao INPS, pois sei que como cego ia ter dificuldade. Mas estou com dois netos em casa, minha mulher toma uma porção de remédios e faz três meses que não arrumo nenhuma festa para tocar. Está muito difícil. Não estou conseguindo pagar as contas. Falou firme, mas aflito.

Pensei por um curto período de tempo, realmente precisava de ajuda, mas teria que ser dentro da lei.

-Sempre foi totalmente cego, Seu Severino?

- Não, antes só enxergava vultos, mas de um tempo para cá nem isso.

-Quando foi no oculista a última vez?

-Faz uns três anos respondeu a filha.

- Foi pelo INPS? Foi aqui em Marilia? Perguntei.

- Sim, foi aqui.

Pensei comigo, um agravamento registrado e um laudo do médico atestando, dá para se tentar ajudar o sanfoneiro.

- Faz o seguinte Lourdes, vai até o INPS, fala com Dr. Simão que é o chefe, pede para ele arrumar uma guia para o mesmo medico de vista da ultima consulta. Procura o nome dele em casa.

- Quando passar na consulta, explica para que é o atestado que você vai pedir, e pede para o doutor colocar o CID da doença. Esta meio difícil, mas vamos ver se dá para ajudar. Quer que eu escreva o que fazer?

- Não, não precisa doutor, entendi direito.

- Vai filha, e quando tiver tudo em mãos, volta. Vou deixar a pericia em aberto. É só me procurar.

Dez dias depois pai e filha voltaram.

- Trouxe o atestado? Perguntei

- Sim, falou Severino.

- Vejamo-lo:

O atestado mostrava o grau de visão de há três anos, data correta da última consulta e o atual, apesar da pequena diferença, mostrava agravamento. O CID estava colocado e o oftalmologista colocou uma observação, já que sabia a finalidade:-

Sério agravamento da visão, podendo considera o doente com cegueira total no presente exame.

Se a variação de grau não era significante, a observação era conclusiva e juridicamente amparada. Nestes casos, que fogem o habitual, costumávamos chamar o Perito Chefe ou o Coordenador, antes de dar a conclusão final. O Coordenador esta a disposição. Chamei Dr. Gustavo Godoi. Ele entrou.

- Severino! Você ainda toca o baião?

- Toco sim, Doutor.

O Dr. Gustavo era uma pessoa que gostava de comer bem, beber uma boa bebida e escutar boa música e, conhecia o Severino de algumas festas. Expliquei-lhe o motivo. Ele olhou o atestado e falou:

- Pode dar andamento que assino e peço para o Dr. Aurélio assinar também. Com cegueira total, cada vez que perder a posição, vai ter uma enorme dificuldade de posicionar as mãos novamente. Não dá para um profissional.

O Senhor Severino teve direito a Auxilio Doença, que é como começa todo Beneficio por doença e, após receber seu dinheiro por dois anos, foi aposentado definitivamente.

 

Comentário: Hoje um caso assim só conseguiria receber a aposentadoria por via judicial e depois de anos de espera; isto se sobrevivesse. A informatização da Pericia, quebrou totalmente a autonomia do médico e igualou as demandas dentro do sistema. Os casos particulares: cabe apenas a Justiça e sua fila, que só aumenta.  A melhoria tecnológica, com seu formidável avança, trata de números. A doença não é o numero do CID e o médico, muitas vezes tem de intervir para que aja justiça. A confiança total na ciência, desprezando o elemento humano é um erro, que cedo ou tarde terá de ser corrigido. Até lá, os doentes que mais necessitam arcarão com os sacrifícios e privações impostos pelo sistema não humano.

 

07/10/12

Tony-poeta

 

 

amor e seus passos

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AMOR E SEUS PASSOS


 

Se penso

Dou meu passo

A procura de alguém

Neste passo

Que eu penso

Descubro que ela não vem.

 

Se penso

Dou meu passo

A procura de amor

Neste passo

Compro uma flor

Para alegrar o meu bem.

 

Se penso

Dou meu passo

Nem eterno caminhar

Neste passo

Com a flor e amor

Não falo, começo a gaguejar.

 

06/10/12

Tony-poeta

adroaldo e a campanha política


ADROALDO E A CAMPANHA POLÍTICA


 

Está se encerrando mais uma campanha politica, com uma saturação de propaganda, em rádios, TV, impressos e carros de som irritantes. Creio que há exagero. Veio em minha memória a história de Adroaldo, que meu pai contava.

As eleições nos anos 50 eram difíceis para os candidatos. Quando muito conseguiam colocar uma faixa na frente das casas que o apoiavam. Não havia outros meios de comunicação.

A votação era feita com cédulas. Um sistema bem complicado. O eleitor levava a cédula, um papel impresso, com o nome do escolhido para o voto, não havia padronização. A seguir ia atrás do biombo e colocava num envelope, depois na urna.

 A apuração era feita pela contagem dos papeis, ou seja, das cédulas. A zona Eleitoral tinha por obrigação oferecer o impresso correspondente de cada candidato, conforme fosse exigido; para tanto era colocada sobre uma mesa uma montanha de papeis, e cada eleitor que procurasse o escolhido.

Como era difícil de encontrar esta cédula na hora da eleição, era permitido que fosse levada pelo eleitor.  Cada candidato começou a posicionar uma mesinha, composta de dois cavaletes e uma tabua apoiada sobre estes, igual às de camelo atuais, mas de pequeno tamanho. Disputavam então um lugar perto do local de votação, para fornecimento das cédulas. O que gerava intenso bate-boca e brigas. Quem ficava de plantão, no caso dos candidatos de menor posse, era a família e os amigos. Provavelmente foi a origem da boca de urna.  

Adroaldo morava pelos lados da Rua Jose Maria Lisboa, no Jardim Paulista, próximo a Rua Pamplona, onde passava o bonde 40 Jardim Paulista. Era dono de um escritório de contabilidade no Centro da cidade, tinha tempo para se dedicar a campanha.

Muito minucioso organizou a campanha da seguinte forma: Comprou dois jogos de camisas de futebol, para doar a dois times de várzea da redondeza. Duas bolas de capotão, que eram importadas, bem caras. Estas bolas eram cheias com uma bomba através do bigolim, muito cobiçadas pelos times, e as ofereceu a dois outros times.

Fez um horário de visitas politicas a seus clientes, onde com uma pasta levava as cédulas de votação e pedia colaboração, inclusive na incipiente boca de urna.

Fora isto, programou as visitas as Igrejas: se mostraria religioso, o que era bem visto para época. Programou três igrejas por dia, onde ficaria rezando por 20 minutos em cada uma.

Para completar, resolveu que chegaria a sua casa de taxi. No ano 50, poucas pessoas tinham veiculo próprio, o que era seu caso. Mas andar de bonde, apesar de trafegar vazio e com razoável conforto, o deixaria diminuído diante da vizinhança: - Afinal seria um vereador.

Por economia, organizou que desceria do bonde na Alameda Jau, menos de um quilometro de onde morava, pegaria o taxi e com ele chegaria a sua casa.

Começou a campanha. O ponto de taxi ficava em frente ao armazém do Seu Joaquim e tinha cinco carros. Os motoristas ficavam fofocando, ora tomando café, ora jogando palitinhos, o movimento costumava ser pequeno. Percebendo a malandragem do candidato, este passou a ser o motivo da fofoca e gozação, que logo se espalhou nas redondezas e chegou à rua onde morava. Mas Adroaldo, tão compenetrado em sua programação, não percebeu e continuou fazendo igual.

Pior de tudo foi a reza. Com uns 50 anos, ficar ajoelhado todo o tempo que programara começou a formar feridas nos dois joelhos. A família tentou fazê-lo desistir desta parte da estratégia, mas alegando que a religiosidade traz muitos votos, não desistiu. Pela manhã fazia o doloroso curativo, passava agua oxigenada; a seguir tintura de iodo e depois enfaixava ambos os joelhos, com bastantes faixas para amortecer um pouco e, permitir, mesmo com dor, que ficasse ajoelhado.

Feita a eleição, teve uma votação irrisória, apesar do enorme gasto, para um pequeno dono de escritório. Ficou desolado, lamentando o dinheiro perdido inutilmente.

Dois dias depois, foi acometido de alta febre devido às feridas nos joelhos, que foi seguida de uma infecção generalizada e, Adroaldo morreu.

 

06/10/12

Tony-poeta

 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

NOVA MOCIDADE


NOVA MOCIDADE


 

A sensação do agora

Reporta-se a outrora

Na mesma intensidade.

Mas o que era esperança

Hoje é viva saudade.

 

Os sonhos que fazia

Fantasias, utopias

Amor, felicidade

Volta agora vibrante

Nos versos contagiantes

Da nova mocidade.

 

Tudo na vida volta

Retorno a um só lugar

Na palavra saudade...

Novo recomeçar

A partir do agora.

 

05/10/12

Tony-poeta

 

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

INCERTEZAS DO AMOR

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INCERTEZAS DO AMOR


 

 

Lucas olhava Estela. Estava embevecido. Achava que tinha se apaixonado à primeira vista. A silhueta elegante se afastava com passos de bailarina, rumo ao estacionamento. Acabara de conhecê-la, marcara encontro para o dia seguinte, era muito bonita, malicioso despi-a com o olhar fazendo devaneios.

Ao deitar começou a lembrar do rosto, delicado, lábios carnudos e sensuais, com arabescos de muita maliciam; olhos que pediam calor e amor na forma de ternura, mesmo quando eram abaixados, o que a deixava tão vulnerável. Viajava em sonhos, ora com uma santa, ora ele como um demônio que ultrapassava todos os limites para fincar seu tridente.

Lembrou-se de Julia, tudo começara assim, com o tempo o amor foi escasseando e o sexo tornando-se obrigação. Seria ele o culpado?

- Ah, minha insegurança, pensou. Nunca soube o que pensava uma mulher, com seus caprichos.  Tinha que adivinhar tudo, os seus beicinhos e as súbitas enxaquecas que atrapalhavam qualquer programa; e seus acessos de raiva. Ainda dizia que tudo era eu. Como! Está certo que sou metódico, mas este é meu dia a dia, se não for assim o serviço não anda. –Ela retrucava que também trabalhava e, dava tudo certo. Duvido! Era metódica também... Mas Estela parece diferente, tão meiga...

-Mas, como será o futuro, será que as linhas não mudam? Ah! Mudam sim. Mas também mudarei. Acho que ela tem uma tendência a Tanajura. Será que ficara muito bundunda, É tão graciosa assim...

Que delicia, ela tirando peça por peça e descobrindo seu corpo para que eu o explore. Quanto desejo e ternura misturados, o jogo de dar e ter, o jogo de sedução onde ora me domina, para depois se entregar em delírios. Quanto tesão. Mas será que com o tempo, a pele lisa, tão lisa, macia e aveludada não formara estrias, e as rugas da velhice, como será? - Estarei igual, nos acostumaremos.

Será que cada vez que formos para cama terá algo de novo para explorar. A mulher é mistério e cada descoberta potencializa o amor, será que com o tempo terá de fazer tatuagens para disfarçar os pequenos defeitos e dar novo movimento a nosso jogo. Pensando bem terei que fazer o mesmo. Detesto tatuagens, não vou ficar pintado de mau gosto. Não vou não!

Ela disse que quer dois filhos, será que haverá novidade nas noites com uma criança chorando e entrando no meio? Mas quero ser pai, é melhor não pensar, eu e ela aguentamos. Que coisa, mal a conheço.

Pode ser que em uma vida de casal, o novo e o escondido, a descoberta do dia a dia esteja não na forma que muda, mas no pensamento que se aprimora com o correr dos anos. O caráter tem que ser mostrado logo de cara. O meu e o dela, mas cabe a mulher a sedução, o suspense, com uma fala diferente, um sorriso indutivo, um gesto de mãos e um jogo de corpo, sentando em meu colo e acariciando meu rosto. Sim, sempre haverá algo de novo. Tentarei me esforçar para não ter rotina. Poxa, sou tão desajeitado! Levar flores todo dia vai ficar monótono, acho que vou a um curso de dança, para dançar junto com ela a melodia do amor, sempre em nova dança e novo ritmo.

Será que alguém tem este estoque de segredos? Será que eu e ela vamos conseguir manter a troca e não cair na bosta que foi com a Julia? Vou dar um jeito nesta monotonia, antes eu era inseguro, agora estou melhor... Será? Dá-se um jeito.

Mas, cada dia que o descobrir o segredo, que ela me esconde será uma explosão de amor... Como ela é gostosa, um sexo inteiro... Completo... total...  Que delicia!

Porra! Meia noite; deixa eu dormir senão amanhã vou estar com olheiras...

 

04/10/12

Tony-poeta

 

 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

uma resposta politica.

Dada a situação "artificialmente" gerada na presente data, onde nas eleições municipais temos todos os tipos de coalizões e gastos, os mesmos que querem condenar um partido, que creio estar cumprindo o possível dentro do proposto; e respondendo a algumas contestações, dei este meu parecer, válido para meu pensar e contrario ao objetivo de meu blog de poesias. Espero não ter que que desviar de minha proposta novamente.
Antonio Carlos Gomes Francisco o novo pais já começou e vou lutar para mante-lo, mesmo sendo um simples médico e poeta e não politico. A classe que dominava, não repartia um só centavo do bolo. Isto assisti como medico. A miséria, que pouco escrevi em meus relatos, veja O Incesto em meu blog, só tinha o direito de trabalhar sem nenhuma perspectiva de vida, num regime[não é só no Brasil] que é apenas uma adptação do feudalismo. Os antigos dirigentes pensam só em si e seu lucro, a palavra patriotismo não existe e o povo serve apenas para produzir lucro para eles. Esta tentativa de desestabilização do partido, e por consequencia do pais não se ancora em ideais de um pais justo e sim em ideias de lucro individual para uma minoria dominante, exatamente ao contrario do que os corruptos de direita pregam. Não ira derrubar como querem, este tipo de governo tem coesão de pessoas como eu não ligadas a politica que dão força.
Guaruja 03/10/2012

PASSADO


PASSADO


 

 

Corre juventude atarefada

Entre conquistas e encruzilhadas

Enfrenta todos os percalços.

Corre agitado

Entre vitórias e fracassos

Buscando o futuro.

Mas quando o futuro anuncia

A sua triunfal chegada

Outra dor te agonia,

No futuro está o teu passado.

 

03/10/12

Tony-poeta

 

VIVER BEM pensamento


                                           VIVER BEM


 

O único objetivo da vida é viver bem.

A maior parte de nossos pensamentos é na verdade delírios e fantasias, sem nenhuma possibilidade de realização. São feitas como devaneios.

Estes devaneios são baseados no que vimos no dia a dia, sejam cenas cotidianas que nos marcam, sejam filmes ou relatos que vemos e ouvimos.  Alimentam nossa imaginação e nos deleitamos de vivenciar ficticiamente outra vida.

São estas fantasias que nos dão o equilíbrio para enfrentar a monotonia e, a repetição irritante que existe no nosso dia a dia.

Não ter fantasias é se envolver de tal forma na repetição da vida que nos leva a neurose e, a uma vida sem nenhum sentido. Como foi muito bem demonstrado, no desenrolar do filme: Tempos Modernos de Chaplin.

Porém na hora da decisão importante, temos que ouvir apenas a nossa experiência e intuição, e deixar as fantasias como tempero para deleite depois da situação resolvida.

Lembremos: a intuição está praticamente provada, é o mecanismo pelo qual nosso inconsciente trabalha com os dados do cotidiano e, evita que façamos bobagens. Deve ser seguida. Não é da categoria do devaneio nem da fantasia. É um mecanismo que defende nosso viver, o que é diferente.

Não desprezar a intuição quando esta der o alerta e, sorrir com as fantasias, faz parte do bem viver.

 

03/10/2012

Tony-poeta

 

 

 

 

 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

ESTÁTICO


ESTÁTICO


 

Não quero movimento,

Não! Não quero!

Quero calma...

Tranquilidade de um mosteiro

Perdido na nevoa do Himalaia.

Não quero solidão.

Quero apenas um vulto

De amor a me acariciar

Mas, com forma e silhueta,

Beijos quentes e fala doce

Uma criatura que saia

Do labirinto de meu pensar.

Não! Não mais vou correr.

Quem corre não vê o caminho

E ignora a recepção da chegada

Apenas se perde nos passos

Que nunca levam.

Não quero a busca,

Pois tesouros não existem

Apenas se escondem em uma ilha distante

Um dia habitada por piratas

E depois submersa pela inviabilidade.

Não! Não quero.

Quero apenas: eu

E o vulto de meus sonhos

Com sua silhueta dançando amor,

Repousar numa alcova de cristal

Refletindo cores do amor

E a cada movimento de carinho

A cada movimento de paixão

Na refração das cores de encantamento

Quero

Delirar no leito

E morrer de amor.

 

02/10/12

Tony-poeta

 

 

 

 

CONTATO COM A NATUREZA


CONTATO COM A NATUREZA


 

 

Meus filhos eram pequenos, estava na casa de Dona Maria, minha sogra. A casa tinha um corredor que ia do portão ao quintal. A entrada na sala e, o acesso na área de serviço era feito pela direita. Este corredor era todo cimentado, havendo apenas pequena área verde no quintal, cerca de quatro metros quadrados.  Próximo à residência havia uma chácara, o restante eram ruas asfaltadas.

A casa de minha sogra era pobre em verde. Nesta pequena área de terra havia um pé de limão cravo e quatro antúrios. Na frente apenas dois arbustos e o restante garagem asfaltada, e apenas, na rua uma árvore, sempre florida, chamada Pata de Vaca, que se dizia boa para diabetes, e meu sogro volta e meia fazia chá. Tentei convence-los a plantar hera nos muros, mas não foi aceito, pois alegaram que acumulava aranhas, formigas e lagartixas.

Uma pequena cobra coral, próximo de vinte centímetros, com lindas cores passava no corredor, exatamente na hora que eu saia. A me ver começou a se arrastar depressa, em rota de fuga. Não tive duvidas, matei-a, pensando que podia haver um acidente com meus filhos. Nem me preocupei em verificar se era verdadeira ou falsa. Fui elogiado pela família, mesmo mostrando-me arrependido, além de não ver se tinha ou não veneno, podia perfeitamente, dado o tamanho, ter capturado e tê-la devolvido ao mato, ao que me chamaram de louco.

Atualmente moro em apartamento, que a área verde foi programada por paisagistas, o grande terreno que me empolgou para adquirir o imóvel, onde garças, quero-quero e outros animais frequentavam foi transformado em cimento.

Nos raros terrenos ainda não construídos que sobraram, tenho como habitantes um casal de beija-flor verde, minha corruíra e raramente um bando de Papa Capim de bico vermelho, que ficam algum tempo balançando e logo se retiram.

Mas tenho meu cão Lacan que além de amigo, foi o único contato com a natureza que me restou. Ainda tenho sentimento de culpa, matei a pobre coral que fugia sabiamente do predador homem. Os outros humanos, que nem eu, estão matando o restante.

 

02/10/2012

Tony-poeta

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PASSAR PELA VIDA

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PASSAR PELA VIDA


 

Passamos pela vida

Cultuando o nada

Achando que é tudo.

Os lampejos de bons momentos

Aqueles que se chamam amor

Jogamos no vazio

Como folha

Amarelamos no final dos anos

Ficamos rígidos

E o mosaico da autoestima

Esfarela

E caímos por terra.

 

01/10/12

Tony-poeta

domingo, 30 de setembro de 2012

MOVIMENTO


MOVIMENTO


 

 

 

A vida é movimento!

 

Movimento igual das aguas

Lagoa em ventania

Vai e volta...  Vai e volta:

O amor é a calmaria

Que acende o fogo interno

E nos tira deste inferno

Com seus sonhos

E fantasias.

 

O movimento continua

Mas aprendemos a andar

Em cada vai e vem

Podemos nos beijar.

 

Deixa a agua balançar...

 

30/09/2012

www.tony-poeta.blogspot.com

 

 

 

 

A TELA


A TELA


 

Olho a tela

A imagem contagia

É forma cheia de vida

Em forma de poesia

Acalanta-me

Meu coração dispara

Como posso viver de poesia?

Pois a forma em fantasia

Se destaca

Mostra-me a falta

E, a dor que dentro habita,

Calada!

 

Desligo a tela

Sina insana

À noite vejo ela

Que no sonho me acompanha.

 

30/09/12

Tony-poeta