sábado, 16 de junho de 2012

FANTASMA NUM DIA DE SOL


FANTASMA NUM DIA DE SOL




Ainda brilhava um sol forte, calmo sorvia meu pensar, nada me afligia. Súbito um vento surdo apertou a alma e comprimiu o coração. Que aflição podia me incomodar?  De uma multidão de fantasmas me vi rodeado, senti vampiros sugarem pensamentos e jogar-me ao vazio. A angústia em forma acelerada chegou. Ninguém a chamou, mas estava ali.

Olhei na multidão sem rosto, mas que sabia ser passado. O que passou afligia. Eram amores roubados, amigos abandonados, momentos de aflição, A multidão de sombras afligia. Não sabia que eram tantas, nunca me recordaria. Procurei um momento bom para amainar o aperto e o frio que corria o corpo.

Vi um sorriso, ah! Um sorriso amigo. Lembro-me. Lembro bem de sua face, mas nem do nome recordo. Foi tão breve!  Apenas uma intenção passageira que findou antes de começar.

Mas o sorriso cobrava. Sorria o passado cobrando a ausência, sendo que nunca houve presença. Um flerte talvez. Uma pequena intenção. Era a menina sorriso que ficava parada na porta da joalheria que trabalhava, esperando-me passar.  Eu andava, sempre atrasado, na Barão de Itapetininga, e nos passos rápidos, retribuía o sorriso, mas nunca parei para receber o presente, a joia que que ansiosa a moça sem nome queria me dar.

Cumprimentei o sorriso, morrendo de medo, a boca sem face estava a sorrir como a debochar.  Um sorriso de desculpas formei temeroso. Sorri com o peito apertado. A boca criou face, olhou com um olhar triste de despedida. O aperto sumiu, o frio passou. Estava triste, era o fantasma de um sonho de amor que a vida transformou. Passou chorando. Voltou como fantasma num dia de sol cobrando a atenção não recebida e foi embora triste. Era o ritual do adeus.



17/06/2012

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PRA TE CONTAR


PRA TE CONTAR





Para te contar...

Não tem importância,

A minha constância

É ser de você.



Na manhã no tostex,

No cabelo o gumex,

No continental

Que trago e faz mal...

No bolinho de arroz,

Na noite... O depois...

Eu durmo... E você...

É o porquê.

E eu gosto...

E gosto...

Gosto.





Sem data

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GRAVIDEZ E DEMOCRACIA


GRAVIDEZ E DEMOCRACIA





A empregada de Dona Eulália estava grávida. Franciene trabalhava há três meses para o casal Eulália e Matheus e teve uma hemorragia.  Telefonou avisando.

Franciene era migrante, um dos muitos que vinham para a região, trabalhavam muito, levavam uma vida controlada e, mesmo com o pouco que ganhavam conseguiam ter o básico, uma casinha, alguns eletrodomésticos e um pequeno conforto. Foi visitar a família, voltou, começou a trabalhar e ficou grávida.

Como estava registrada não preocupou de inicio. Tendo que se afastar, teve o benefício negado pelo INSS, a patroa anterior tinha registrado e não recolhido. Estava desamparada. Mesmo tendo marido, alguma dificuldade era esperada.

A patroa ficou indignada, com a situação que colocaram a pobre moça, começou a comentar a deslealdade e má fé, com suas amigas. Seu Matheus observava. O primeiro telefonema lhe chamara atenção:

- Franciene está grávida falava a patroa

- Credo! Você vai ter que pagar a licença? Respondeu a amiga do outro lado da linha.

Os seguintes seguiram a mesma direção. A educação do patrão era bem clara. Seus pais falavam: - Quem está em baixo do teu teto, mesmo que temporário é de tua honra ampará-lo.  Referia-se a Sodoma e Gomorra, onde a desagregação social fez as duas cidades serem transformada em pó, junto com seus habitantes. 

Como jamais pensaria em desampara uma pessoa a seus cuidados, seu Matheus começou a observar. Olhando na Internet viu que toda doméstica tem direito ao salário maternidade, portanto a maioria daquelas conversas era sem sentido. Comunicou a esposa.

Ouviu ao telefone quando esta comunicava as amigas:

- Mas você tem que continuar pagando os R$ 80,00 do INSS. Falou a amiga da família. As outras para variar falaram a mesma coisa.

Seu Matheus ficou indignado, ninguém perguntou se a moça passa bem, apesar de ser uma pessoa de confiança do casal e, o pior, ninguém citou uma única vez a criança que iria chegar à sociedade. Nasceria no mesmo local, onde todos moravam e teria, portanto a cidadania do lugar; o rumo da conversa a marginalizava antes de nascer; era como não existisse ou fosse nascer um objeto. Pareceu a seu ver que a sociedade tinha só uma estrutura monetária. Todos outros valores pareciam abolidos.

Observava ele, ainda pensando no afastamento da moça, quando viu na série de crimes que passa na televisão, as Policias Pacificadoras, e toda polemica levantada por esta, mesmo a maioria dizendo que era válido, outros alegava que a presença do exercito era antidemocrática. Como, tanto Franciene e as UPPs se referiam ao proceder de um povo, portanto: a democracia. Foi se informar. Abriu um livro. Dicionário de filosofia.

Realmente ele, como o restante da sociedade não estão conscientes do que é democracia moderna foi a primeira constatação. A atual democracia, aprimoramento da democracia antiga, ou seja, feita as correções necessárias, dizia o dicionário:

Popper: [um filosofo moderno, muito critico] Democracia não se trata de ir em direção ao povo ou agir pelo povo, mas tornar o povo protagonista. O problema não é se o povo deve governar, pois o problema é saber COMO governar, e isto significa concretamente que o povo pode desfazer-se do governo, sem derramamento de sangue, caso seus direitos sejam lesados.

Já Benson [um filósofo católico] complementa que democracia implica em uma sociedade fraterna.

Seu Matheus começou analisar, Governo é para administrar, o povo é quem cuida da sociedade. Se há exclusão social, não é só culpa do governo em fazer uma distribuição injusta de rendas, é apenas uma estrutura mal escolhida ou imposta. De qualquer forma consiste numa falha no modo de agir da população, voluntária ou não; onde o poder econômico individual substituiu o lado fraterno, dividindo a população em milhares de camadas, estas estratificadas de acordo com a posse da cada uma e, a coesão social se desfez excluído um ser, antes mesmo de nascer. Lembrou-se de seu pai citando Moisés e o Bezerro de Ouro quando apresentava os Dez Mandamentos. Já sabia ele, naqueles tempos, que o poder econômico não daria coesão a uma sociedade nascente.

Democracia pelo conceito moderno, pensou, é coesão social com inclusão de todas as camadas; o poder político e econômico, não são os fatores principais da mesma e, pelos filósofos modernos pode até ser excluído.

Iria pagar o INSS como sempre pensara, muito tranquilo. Estava contribuindo para a democracia.



16/06/2012




Obs. Não sigo nenhuma religião.

Dicionário de Filosofia Nicola Abbgnano 1ª edição revista e ampliada.

  

MORMAÇO


MORMAÇO





Melodias de negros vultos

Na noite espumosa que corre

Escorre

[na morte]

Socorre

[a sorte]

E num enfoque

[num labirinto

Vê o que sinto.

E que prescindo

E já pressinto]

De alma forte

Onde o marasmo

Mordaça

Amassa.

Consome aflita

A matéria que grita.



07/09/1990

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

O INSETO

LANTANA  - GOOGLE

O INSETO




Acho que era um besouro, um inseto bem pequeno, pouco mais de meio centímetro beijava as flores.

Era um pequeno arbusto de nome lantama ou cambará de jardim, [fui olhar no Google]. Uma dessas flores comuns que, por serem pequenas não nos despertam atenção. Meu inseto também é bem pequeno. Chamou-me a atenção e comecei a observá-lo.

As flores deste tipo de vegetal se apresentam em cachos, cada grupo destes, com várias cores de flores. O pequeno inseto voava incessante e despreocupadamente entre as cores, parecia estar num caprichoso restaurante Chinês, onde os pratos eram servidos numa aquarela multicor para agradar os olhos e, dar o prazer das iguarias.

Eram cinco pequenos insetos que voavam despreocupados, sem pousar em nenhuma flor ou galho dos pequenos arbustos. Tinham uma cor verde metálica de grande beleza, onde conforme a posição que tomavam, se relacionando ao sol que brilhava, variava até o verde. Esta variação de cores deve lhes dar proteção quanto ao ataque de predadores, confundindo-os; tanto é que mesmo olhando-os muito próximo para sorver da magia do colorido dos seres, estes não se importavam com minha presença, gigantesca para eles.

A natureza sedimentou suas defesas conforme suas necessidades, tranquilos apenas desfrutavam do banquete das flores, não se importando com seu redor. Viviam apenas o momento. Era hora de comer.

A lição que a natureza nos dá, já grifada pelos grandes pensadores, de todos continentes e épocas, pode ser resumida em: Viver o momento, com toda intensidade que este pode proporcionar.

O instante seguinte é apenas consequência e, sendo o momento uma hora da festa, a fase seguinte pouco importa.  

Todo dia da vida é um dia de festa, independe do que acontecerá a seguir, pois a festa é a vida.



15/06/12


MOMENTO


MOMENTO




Não sou futuro.

Não sou passado.

Sou agora!

Um momento.

Apenas um momento

Breve,

Uma folha seca

Que cai

E o vento leva.



Meu momento

É sempre espera,

Espero um dia ter

Quem me abrace

E escute meus ais.



O momento sempre se liga ao futuro

Mas é sempre presente.



15/06/12

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

CINDERELA DE HAVAIANAS


CINDERELA DE HAVAIANAS






Ritinha era muito pobre; tão pobre que para telefonar tinha que usar orelhão, não tinha nem o celular, que todo mundo em Rio do Capim já tinha comprado.

Tinha apenas uma sapatilha que comprou no Sacolão do Turco; como tudo que comprava para se arrumar, mas usava mesmo era Havaiana. Dizia que não poderia encontrar um príncipe, pois se perdesse a sandália ele nunca a acharia:- Todo mundo tem!

Vivia com seu pai, o viúvo Seu Jacó, em um sitio que fora de seu bisavô. Seu pai, analfabeto, não pertencia a nenhum movimento verde, mas, não usava adubo nem inseticida comprados, sua família sempre adubou com estrume e não era ele que ia estragar a terra. Era o que dizia. Vivia na pobreza plantando para sobrevivência; pouco restava para vender. O que dava algum trocado era o ovo caipira, que o pessoal da cidade vinha buscar por saber da teimosia do mesmo. Diziam:- Este é caipira realmente!

Na televisão passava o programa “METAMORPHOSE”, do apresentador Nicolas França que consistia em orientar uma moça que se vestia mal; “dar uma banho de loja”, com orientação dos Personal Estilist e, esta saia linda, como: “as de capa de revista”. Ritinha resolveu escrever.

No domingo, com sua melhor roupa, a que ia à missa. Aliás, era o único passeio que fazia, pediu para o fotografo bater uma foto sua. Por vinte reais conseguiu a foto. Achou caro, mas pagou. Escreveu a carta, tinha feito até oitava série; escreveu com capricho. 

Nicolas ao ver a foto já imaginou ganhar algum premio na televisão: - Esta caipira vai me deixar famoso, falava ele. Selecionou-a imediatamente para o programa.

Foi um problema entrar em contato com Ritinha. Tiveram que mandar um emissário. Este foi até Rio do Capim, deu todas as garantias de cuidar bem da moça. –Era moça direita e de família. Só depois de Seu Jacó ficar convencido começaram os preparativos.

Inicialmente filmaram a moça e a casa, uma filmagem rápida. Ritinha só tinha uma muda de roupas e a casa, apesar de grande, era mal cuidada. Os filhos tinham ido embora, a esposa morreu. Só o Seu Jacó e Ritinha cuidavam e, não davam conta.

Na capital Ritinha, que nunca saíra do povoado, estava agora na Capital e ainda, conhecendo o povo da televisão: estava deslumbrada. Foi hospedada num hotel, coisa inédita para ela e, destacaram uma figurante, a Márcia, a mais comportada para acompanhá-la. Como não tinha roupas, foi levada a um Shopping Popular, para que se vestisse para os primeiros programas. Nicolas acompanhou para conhecê-la.

Ritinha ficou deslumbrada com tantas lojas e roupas. Comprou sapatos, calça Jeans, um vestido, umas blusas. Mas onde parava mesmo era nas lojas de Lingerie. Ficava olhando calcinhas e sutiãs.

Roupa intima não estava na programação. Nicolas mandou Márcia sondar a tímida garota.

- Sabe, a moça só tem calcinhas e sutiã do bandejão do Seu Jacó, disse ela rindo para o apresentador, após a sondagem: Disse que após ficar bonita, vai arranjar um namorado e quer chegar à noite de núpcias cheirosa, e bem arrumada, disse Márcia com um sorriso malicioso.

- Vamos dar um jeito, disse sorrindo o apresentador:- compre dois jogos de calcinha e sutiã e, vou falar com a direção. Sabe! A beleza íntima também é importante. Acho que ela tem razão.

Como havia na ocasião o lançamento de uma famosa coleção de moda íntima, o fabricante concordou em destinar uma pequena quantia para o quadro.

- Ritinha, você vai poder ter suas calcinhas e sutiã, o Nicolas conseguiu! Você vai comprar e, vamos indicar as peças que usará para serem filmadas. Falou Márcia contente.

- De jeito nenhum, ninguém vai ver minha intimidade, só meu marido. Sou moça de família, isto não!

Foi comunicado Nicolas, que cada vez mais achava que ia dar um impulso a seu programa. Ele pensou, pensou: - A Soraia! Isto a Soraia. Tem o mesmo corpo e cor de pele próxima ao da Ritinha; o cabeleireiro despenteia o cabelo, deixa-o com cara de casa de sapé, o operador de câmera desfoca o rosto, mostra só as peças. Eles sabem como fazer. Está resolvido.

Ritinha ficou até a primeira apresentação para ver se precisava de algum retoque. O primeiro programa começou com o lingerie, foi um sucesso; aumentou cinco pontos de audiência. A moça olhando todas as calcinhas e sutiãs da nova coleção e fazia uma feição de ternura e prazer espontâneo e marcante cativou os tele-espectadores.

O fabricante pagou a moça mais cinco mil em direito de imagem, foi colocada a foto em outdoors e banners.

Ritinha voltou super feliz para Rio do Capim com Gervásio.

Gervásio  era um ex-namorado do curso primário. Ela o encontrou carregando os fios da filmadora. Ele veio tentar a vida na Capital, o único emprego que arrumou foi este, mesmo tendo estudado o colegial, já na cidade grande. Tinha o apelido de Caipira e não perdia o sotaque. Nunca conseguiu uma promoção. Morava numa pensão com mais quatro no quarto. Tinha que carregar tudo de valor, senão roubavam.

No dia que Ritinha telefonou para Seu Jacó, este pegou o telefone e pediu autorização para casar.  Voltava junto com ela para o casório.

No ônibus, ainda entusiasmada pelos lingeries que ganhou, escolhia com ele o nome dos cinco filhos que teriam. Exigência do Seu Jacó, que queria a casa cheia novamente.



14/06/2012

Tony-poeta












lembranças.....


LEMBRANÇAS





Passou...

Será que passa?

Como pode passar se fica?

Ficam as lembranças,

Os carinhos, a poesia

Martelando a fantasia.

Ficam os sorrisos, sentimentos

Dos bons momentos

Alimentados por cada expressão,

Cada gesto de pessoas alheias

Que passam pela frente na multidão.

Passou e é presente sofrido,

Presente triste, lânguido,

Fúnebres como sinos a bater

Na capela distante

Anunciando o anoitecer.







18/01/1993

TONY-POETA


quarta-feira, 13 de junho de 2012

UMA FLOR




UMA FLOR


Manhã,
O sol começou a soltar seus raios.
Andava,
Andava eu na calçada
Buscando,
Buscando amor.
Na sarjeta,
Onde passou a enxurrada
Das chuvas de outro dia,
Uma flor aparecia,
Era semente trazida
Pelas lágrimas de amor,
Ela sorria,
Sorria para borboleta
Azul e graciosa
Que vinha para lhe beijar.
Olhei a cena
- Como é tão simples...
A vida é amar!

13/06/2012
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PENSAMENTO ECONOMICO, UMA REFLEXÃO


PENSAMENTO ECONOMICO






Meu pai sempre dizia: Não fales o que não entendes, pois falarás bobagens.

Segui a risca. Nunca fiz poupança, não tentei acumular capital, pois nunca consegui entender economia.

A economia, principalmente hoje, é composta por professores formados em Economia e Administração, o que é lógico: tem que haver o conceito e sua aplicação.

Temos ainda um sistema computacional que realiza cálculos milesimais instantaneamente, dando a posição real de qualquer instituição incluindo, governos e débitos da população com o seu país. O que teoricamente é justo. É uma espécie de condomínio de comunidade.

Meu pensar bobagens começou ao ler estas manchetes do PIB – tudo que se produz em um país é somado. Dizem que o cálculo é exato. Falam que certos países da Europa tem de crescer 2,5%, o Brasil 4,5%. Fiquei curioso e fui ver o crescimento vegetativo. Coisas de médico. Se a Nação cresce 0,5% na Europa e menos de 2% aqui, porque crescer a produção o dobro ou o quíntuplo? Vai sobrar mercadoria. Portanto ter lucro. Mas os Países estão sempre devendo, como?

Comecei a prestar atenção nas colunas de protestos e falências em nosso País e em outras Nações. Todo dia tem milhares de inadimplentes. No mundo todo empresas estão falindo diariamente. Se nos detivermos nas empresas, elas não empregam funcionários da área econômica? Só uma faculdade em São Paulo forma 300 Administradores por semestre. [Isto há mais de vinte anos]. Creio que não há falta de Mão de Obra.

Atualmente a Europa e em menor grau, os EUA, estão em dificuldades. Há dez anos era a América Latina e, a África se mantém em penúria desde que foi colonizada [invadida]. Pergunto-me como?

Complicando ainda mais minha ignorância, vejo os Bancos quebrarem mundialmente e, na atual crise terem de ser socorridos; na crise latina tiveram que receber grossas quantias em dinheiro. Mas não são eles que têm os grandes economistas? Os Ministros das finanças não saem geralmente do sistema bancário? As formulas de gerenciar as economias e as regras de cálculo para tanto, não se encontram com eles?

Como penso nesta história desde que comecei a trabalhar, penso nela há meio século e nada mudou. Pergunto:

A formula está errada? Se errada porque não foi modificada?

Dado o numero de insucessos, os profissionais da área são ruins de contas, apesar dos computadores?

O insucesso na área médica é automaticamente atribuído ao médico, independente da culpa. Como é democrático o mundo [este é outro assunto a ser pensado] o tratamento tem que ser igual.

Onde se encaixa este tal Capital, que não aparece, que não tem crise e dá as cartas no Mundo? Quem são seus membros? Onde podemos encontra-los?

Outro dia este tal de Capital fez uma admoestação velada, via um senador, ao presidente dos EUA. Li na imprensa.

Como não entendo nada, partindo de minhas observações cheguei a brilhante conclusão:

A profissão que mais erra é a econômica. Tem erros contínuos.

Os Bancos servem para cobrar juros e taxas.

Os Países tem função de lucro, ao invés de social.

O Capital é um ser Divino, que cansou de colocar reis no mundo dizendo-os seus filhos. Eles Governaram só fazendo trapalhadas. Então este Deus Mitológico deixou de administrar a Natureza e passou a comandar o povo, via dinheiro inventado pelos Reis, que eram na verdade seus filhos, e ficam brincando de fazer maldades sem dar entrevistas para a imprensa.

Ou: Será que está na hora de rever conceitos!



13/06/12


terça-feira, 12 de junho de 2012

O TAROT


O TAROT




- Fausto, você lê nossa sorte? Este pedido era comum nas reuniões de bate papo, do casal Fausto e Irene. Diziam que ele sempre acertava.

Fausto, recém-casado com Irene era um advogado quieto, só falava e, aí era bastante, quando tomava um pouco mais de cerveja ou, ao ler o Tarot.

Na verdade tinha tido uma criação conturbada, sua mãe Clarisse era ao mesmo tempo insegura e autoritária. Simultaneamente em que exigia, proibia por medo. Se algo que não corresse bem não se sentiria culpada. Pouco deixava o filho falar, temendo que este falasse algo inadequado. Não o deixou fazer nada perigoso como: andar de bicicleta, subir em árvore; ou seja, deu pouco espaço para que se tornasse moleque. Isto o deixou retraído e observador e de pouca conversa.

O fato de observar muito, fez com que tirasse sempre conclusões do dia a dia corretas, onde previa as reações e comportamentos futuros, com alguma facilidade. Seu pai, o Sr. Floriano muito supersticioso e crédulo interpretou isto como dom e não criação. Resolveu comprar uma Bola de Cristal para que o filho desenvolvesse as habilidades espirituais com que fora agraciado segundo seu pensar.

Procurou a tal Bola de Cristal: só a achou em antiquários por valores muito superiores a suas posses. Como queria presentear o filho de qualquer maneira no aniversário e, achava que “dom divino” tem que ser aceito, acabou achando um livro de Tarot e o respectivo baralho. Lá estava tudo escrito e o valor da cada carta bem explicado. Como Fausto pouco saia, logo aprenderia e, seria a mesma coisa que a cara Bola de Cristal.

Realmente, Fausto recebeu o presente e, começou a ler, aprendendo a manejar o tal baralho. Juntando com as observações que já fazia, o resultado ficou mais convincente. Começou a usar isto como meio de se socializar com as pessoas, coisa difícil pela criação que tivera.

Já formado e casado levava o Tarot como meio de ser agradável, pois as pessoas pelo modo de ser tem muitas reações previsíveis e, quando escutando “a sorte” não ouvem mais que dez por cento; o restante interpreta pela própria imaginação, o que as faz sempre achar que o vidente acertou. É assim que funcionam os Horóscopos. Fausto na verdade se divertia com tal brincadeira.

Naquele dia tinham recebido dois casais: Rita e João que frequentavam quase diariamente a casa e, Margarida e Junior com quem tinham tido muito pouco contato. Fausto observara que Junior era narcisista, pouco agradava a tímida Margarida, que pouco falara, apesar de o grupo desenvolver uma animada conversa. Tinham tomado mais cerveja que o normal, apenas a moça tímida pouco bebera. Foi assim que começou a ler a sorte.

Leu à sorte de Junior, fez via baralho as observações que tinha captado, falou um pouco da personalidade e profetizou que este logo se casaria.

Ao abrir o baralho para Margarida, as cartas não eram boas, tendo observado pouco a moça e, um tanto alto, começou a falar o que estas diziam não percebendo que sua censura estava prejudicada. Disse:

- Você não casa este ano. Era o mês de janeiro.

- Vai sofrer muito e acabar o namoro, por que teu namorado tem outra.

- Vai mudar de cidade e, aí sim vai casar e ser feliz.

Falou mais algumas “previsões”. Tomaram mais algumas cervejas. Margarida nada falou. Finalmente as visitas foram embora.

Dia seguinte Margarida e Junior interromperam o namoro e não ficaram noivos, ele realmente tinha outra.

As previsões se confirmaram; tudo que foi falado aconteceu.

Fausto rasgou o livro e o baralho. Jogou tudo no lixo e sempre repetia quando lhe solicitavam a leitura de sorte:

- Isto é muito perigoso.



12/06/12

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-












SORRISO DE MULHER



imagem Google

Sorriso de mulher





Mais bonito

Ninguém quer

Que o sorriso de uma mulher.





Jeitinho,

Beicinho,

Boca feita

Como que para beijar,

Qual no sonho

Do ancião



Que como navalha:



Separa,



Mata,



Enterra



Toda razão.







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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A INTOLERANCIA


A INTOLERÂNCIA


Ou, como se arraigou o etnocentrismo.




Em A Tribuna, um bom jornal de Santos- São Paulo, na edição de ontem, portanto edição de domingo, uma matéria e meia página, pagina sete me preocupou. Dizia:

DOCE, JAMBOLÃO AMARGA AS VIDAS DE TAXISTAS. Leva a assinatura de Fernando de Santis.

A matéria em resumo é o seguinte. O Jambolão, árvore originária da Indonésia, foi usado no paisagismo de Santos. O fruto conhecido como Jambolão ou Jamelão, entre outras denominações, é muito doce e frutifica de janeiro a junho. Esta característica atrai pássaros e morcegos, que passam habitar a árvore, que é frondosa, e ali se alimentam. O grande problema da reportagem é que os habitantes fazem suas necessidades nas árvores e, ao comer os frutos estes caem. Tudo isto mancha a pintura do carro. Alem disso por ser gosmento alguma velhinha pode escorregar e cair [a árvore fica junto ao canal e é habito da população andar na calçada oposta ao canal, portanto não vai cair nenhuma velhinha.] A reportagem não sugere diretamente, mas induz ao pensamento que o Jambolão e seus habitantes estão atrapalhando e devem ser despejados.

Quero ressaltar que é mais fácil mudar o ponto do taxi um pouco para cima. Mas acho que eles querem a sombra sem defecações, folhas caídas e frutos. Se for de plástico eles provavelmente iriam adorar. Causa espanto tal matéria e seu destaque, sétima página é pagina importante em um jornal grande.

Vamos fazer uma analise: Dificilmente entre os taxistas estes não cuidem de um animal em casa, cachorro ou gato. Dizer que os mesmos são contra animais seria incorreto. Hoje, os cuidados que possuímos, com os pequenos animais de convivência, costuma ser próximo e amoroso.

A verdade é que o humano cada vez mais se isola e, ignora tudo que não lhe trás lucro imediato, incluindo outros humanos, natureza e objetos.

Após a expulsão do homem da terra, que se iniciou na Revolução Industrial, e este já se achando Dono da Natureza e, portanto no direito de dispor dela como achasse melhor; aja visto a matança de Índios nas Américas; O Brasil tem 0,17% de população indígena, os Estados Unidos 0,75%, e, com a ânsia de produzir em todos os terrenos férteis; o humano se voltou contra o restante da vida animal e vegetal. O numero de espécies em extinção, ou já extintas é preocupante.

A sociedade se fechou em um circulo familiar [aí pode entrar um animal e uma planta], sempre com riscos de se romper; poucos amigos pessoais; que poderão ser motivo de demandas judiciais por quaisquer mal entendidos, de contatos comerciais, sem vínculos afetivos; de amigos virtuais; portanto desconhecidos e o restante totalmente descartável e, se lhe for inconveniente de alguma forma, pronto a ser excluídos, não importando o método a ser usado. É o que sugere a reportagem citada.

Esta é uma típica sociedade de transição, em busca de um equilíbrio. Espero que o clamor deste pequeno grupo mais consciente, que tenta preservar a vida e a natureza, seja ouvido, antes que destruamos toda estrutura de vida do planeta e em consequência nossa espécie.

11/06/12














OLHOS TERNOS


OLHOS TERNOS





Viajar no eterno

Num olhar terno

Ver o que quero:

                                    Indecisão!



Meu coração

Nesta ilusão

Se acelera

Nos olhos ternos.

                                     Abstração!



É viajar na insegurança

Tentar ver o Eu criança

Agigantado crescer.

E num gesto de adulto

Meu Eu brada impoluto

De só em ti querer viver!



Longo abraço...

Este apreço

Deste meu braço

Te enlaçando...

O longo beijo

                                           Te adorando...



O pensamento

Num só momento

Me alertando,

                                              Pois não a vejo.





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PARA VARIAR


PARA VARIAR





Para variar... Espero.

Busca insana:

Ater-se as regras...

Prender-se em laços de quimeras..

Que sina insana

Ensinou a pensar pelos outros

Estando míope e pouco vendo?



Quimeras.

Ah! Se vivesse no reino das fantasias

Iria ao mar buscar,

No fundo

A tiara das sereias...

Toda dourada!

Colocá-la-ia em tua cabeça

Combinando

Com teu vestido de vagas

Sem fim...

Irias a minha frente

Entrando em mim...

Eu pensaria você...

Pensarias em mim...

É a fusão...





14/09/1991

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domingo, 10 de junho de 2012

CUPIDO MODERNO

CUPIDO MODERNO



Municiarei o avião invisível

Programarei um torpedo.

Explodirá em teu quarto,

Com cores e perfumes

Todos de meu amor.