sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PASSARINHO -cronica -



PASSARINHO



Vivia de caridade no pequeno município, com certo retardo mental, órfão, sem parentes, andava pelas ruas cantando o que ninguém entendia. Morava num barraco que herdou dos finados pais, comia conforme lhe davam; sempre uma alma penitente ofertava um prato de comida. Agradecia e cantava.
Pequenos furtos começaram acontecer na comunidade, não se encontrava o autor, culparam o pobre cantor. Mesmo nada encontrando, foi preso ao bem da ordem pública.
Não se abalou na cadeia, tanto fazia para ele, apenas mudou a cantoria, cantava assim
Andar e cantar
Ser preso e cantar
Eu vivo a cantar.
Desafinado e sem ritmo cantava o dia inteiro.
O carcereiro, no primeiro, dia imaginou que ele logo ficaria cansado e se calaria.
Ele continuou a cantar.
No segundo dia mandou que ele calasse a boca.
Não foi atendido, ele cantava como sempre cantou.
No quinto dia deu-lhe uma sova.
O cantor mudou a música e, a cidade achou que o carcereiro estava certo, pois o cantor não seguia as regras do presidio.

31/10/14

Tony-poeta

INTERDITADO - versos livres de uma vida presa -



INTERDITADO - versos livres de uma vida presa –


Se a vida é concessão

Tem que ser autorizada.
Todo não é um interdito?

Interditada
A vida passa
Segue monótona
Seu caminhar...
Perdida no interdito
Só pode ser nada,
Não há um outro
Para a autorizar.

Bate nas paredes
Como bola de criança
Numa sala fechada.
Angustiado
Não sabe se protege o vaso
Ou se chuta a bola,
Ou segura os enfeites...
Para! Apenas para.

E vive em uma sala
Imaginando o que é
Este objeto que quebra
E, torna-se seu escravo.

31/10/2014

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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

ETERNO - poema reflexivo -



ETERNO


Eterno;
Só o momento.
A sequencia
É caminhar...
É a busca
De momentos eternos,
Fugazes....

Lembre-se:
O caminho
que leva a eternidade
bifurca no inferno.
Siga em frente,
Não pare!

30/10/14
Tony-poeta


terça-feira, 28 de outubro de 2014

LACUNA - poema -



LACUNA


Quando o vigor da mocidade
Abandona a vida
Imediatamente
A lacuna é preenchida
Pela solidão.

E ela conversa,
É muito prosa,
Traz recordações
Que desnudas de ilusões
Dão o saber.

Triste saber
Fora de hora
Não conteve na juventude
O ímpeto que A arvora
E, com ares de sapiência
Enfrenta a mudez da fala
Ante a surdez
Dos convivas ocupados.
São jovens, estão agitados.

28/10/14

Tony - poeta

DESEJO - poema -



DESEJO


Olhando-te erótica
Através das roupas
Penetro em teu âmago,
Desnudo tuas entranhas.
Vejo como tu és
Corpo objeto
Transformo-me,
Sou mercadoria
Atraente?
Tu és quem sabe?
E, neste jogo de ter e ser
Nesta camada profunda
Tenho o desejo...
É ardente!

28/10/14
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