sábado, 4 de fevereiro de 2012

DEVANEIOS







DEVANEIOS  [Haicai]







Céu. Estrelas



Uma estrela cadente



Rosa abrindo.







04/02/2012

tony-poeta pensamentos

O PÓLEN







O PÓLEN





Vento

Forte vento

Assolando pradarias

Momento confuso.

Como pode um ser

Que ainda não o era

Por entre tormentas viver?



Vento

Batia em rajadas

Dança macabra

Compassos do trovão.

Folhas e galhos. Arrancava

Por tudo e por onde passava.

Como pode um ser

Voando sem ter ancoragem

Por entre tormentas viver?



Vento

Em redemoinho

Sem nenhuma contenção

Ria.  Riso de escárnio

Sádico, assustador

O raio destruidor

Precedia o trovão

Chuva grossa caia

Arrastando a ilusão.

Como pode em tanta agressão

Um ser que ainda não era

Por entre tormentas viver?



Vento

Não dando tréguas

Ser no mundo jogado

Joguete arrebatado

Brusco. Para. Como explicar

Se o vento, toda força

Não o pode segurar?

Força estranha

Dominando a natureza?

Incerteza. Perdido

Não sabia rezar.

Rodopiou.

Anteparo do vento

Assustado. Já perdido

Seu quase ser,

Sentiu a acolhida.

Flor ferida. Molhada.

Era o nascer!



tony-poeta pensamentos

04/02/12


O RATO E O ESTRESSE







Como de hábito abri o computador.  A parte real do que acontece em todo planeta está visível. Desconsiderando os comentários, vendo somente a notícia, [os comentários sempre implicarão na opinião do autor, portanto sempre serão parciais]. É impossível que se tenha uma imprensa independente, se esta tiver comentaristas. Como a maioria das notícias, não será atraente se não houver comentários; só me resta procurar comentários com analistas que pensem semelhante a minha opinião.

Duas notícias chamam atenção. Uma família da Índia dá leite aos ratos, lá o animal é sagrado; aliás, em todo povo oriental é respeitado, estando inclusive no calendário chinês. A outra é no O Estado de São Paulo um teste para medir o grau de estresse, com algumas perguntas e o resultado obtido através das respostas dadas.

Existe uma estranha relação em nossa civilização Ocidental entre as duas notícias. Nosso povo tem uma repulsa inusitada de ratos e é obcecado por medir estresse, ansiedade e depressão.

Os ratos são comumente associados à ansiedade e medo.

Mas como estas noticias não relacionadas se associam? Darei meu palpite.

O rato representa a invasão do domicilio ou do ser, conforme se veja pela sociologia ou por Freud. O estresse e seus correlatos, ansiedade e depressão, demonstram a fragilidade real ou imaginária do ser humano. Vamos tentar fazer a conexão.

Os ratos têm uma sociedade em muito semelhante a nossa. Tem uma formação familiar parecida, com um casal dominante seguidos por relação de parentesco. Tem uma constituição genética quase igual a nossa, [cerca de 90%], o que faz com que as experiências de doenças e medicações sejam realizadas neles. Sujeitos, portanto a mesmas doenças que nós. Na peste bubônica, se lermos Camus, começou a ser notada pela morte dos roedores, portanto adoeceram primeiro e da mesma doença. Portanto bem próximos a nós.

Esta semelhança fez com que as populações mais voltadas à natureza, como algumas comunidades indianas, os reconhecessem com semelhantes, e assim os tratassem.

Convém lembrar que os Orientais trabalham melhor com esta associação de semelhança com os animais. Ela existe apesar de não existir métodos para estudá-la.

Fazendo um paralelo aos ratos, o homem desde a pré-história convive com cães que são considerados amistosos. É uma relação de semelhança. Para comprovar certas regiões Islâmicas tem aversão a cães, como temos dos ratos. A reprodução promiscua dos mesmos agride os conceitos religiosos, onde esta atitude é totalmente reprovável. Tal fato acarreta a rejeição: por semelhança. Tudo que é proibido é porque já aconteceu ou pode vir acontecer. Característica básica da proibição. Tal forma de reprodução a lembra. É similar, portanto.

A ciência Ocidental não reconhece este tipo de afinidade, mas ele é claramente visível.

Na sociedade Ocidental o fator medo é maior, devido a sua origem. O homem europeu vivendo em montanhas convivia no inverno, com o frio, a fome, predadores e outros homens possivelmente assaltantes. No escuro das montanhas geladas onde tudo representava perigo, aquilo que competisse com ele era de pronto elemento de temor. Imagine os ratos nos celeiros comendo a provisão de inverno. Esta competição não era importante no Oriente.

Além da disputa pelos alimentos, a nossa cultura reconhecia alguma semelhança com estes roedores. Basta ver que Mickey e Minnie têm comportamentos humanos e faz uma crítica a sociedade da America do Norte. Portanto a aversão é fruto da “semelhança” e não da diferença.  Duas maneiras diferentes de ver a mesma coisa tanto no Oriente como no Ocidente.

Aí entre a questão do estresse, ansiedade e depressão. Os dois primeiro são normais no reino animal. A vida no planeta é fruto de uma cadeia alimentar onde nenhum animal está livre de se tornar alimento a outro [incluindo o homem]. Por outro lado, não está isento de morrer por falta de alimentos, seja o elemento considerado predador ou não.

A primeira defesa que foi desenvolvida é o estresse, ou seja, poderá ser atacado a qualquer hora e morrer.  Este alerta diuturno é o que nomeamos estresse. Por outro lado há premência de conseguir o alimento e ou proteger a cria, esta antecipação de necessidades básicas vai gerar uma ansiedade: Explicando melhor- Estou ansioso porque preciso de alimentos e estou ansioso porque meu grupo pode ser atacado e destruído. A depressão seria já a admissão da incapacidade e, portanto seria patológica por natureza.

Grosso modo as populações do Ocidente e Oriente, mesmas sujeitas a estresse e ansiedade encararam de modo diverso a natureza.

Enquanto os Ocidentais, por medo, encararam como inimigos, além dos predadores as populações cujo comportamento lembra o humano. Os Orientais, com melhores condições climáticas, observaram mais e tentaram entender; isto fez com que ratos, macacos, bois e outros animais de vida gregária fossem considerados próximos e respeitados, quando não cultuados. Já os animais selvagens tentaram ser entendidos para melhor contato e controle dos humanos.

O fator medo foi realmente menos impregnante no Oriente. Uma das prováveis causas da diferença. O medo acumulado de milênios de escuro, frio e insegurança não pode, mesmo mudando a um país de clima mais ameno, ser apagado das defesas de uma espécie.

O medo se dirige a outros objetos, neles descarrega e se acentua, numa tentativa de acalmá-lo no inconsciente. Como nos ratos (O esquilo, um roedor do tamanho do rato ao invés de medo dá ternura.). Em quanto estou com medo dos ratos, não estou sendo agredido pela imagem de meus predadores reais, assim pensaria o inconsciente. Isto é classificado como mecanismo de defesa, transferimos para um fator menos agressivo e que nos é semelhante, portanto mais fácil de manejar. O fator real é atenuado, agredindo menos nosso controle interno e dando possibilidade a este de elaborar soluções.

Hoje com a globalização a diferença entre Oriente e Ocidente tende a diminuir; espero que não seja para pior.  

O estresse: chamado mal do século e a ansiedade provem daquele medo crônico inicial de nossa cultura e agravado pelas novas situações do desenvolvimento.

Com as mudanças sociais este pavor não pode ser resolvido facilmente. Não basta ir a mata procurar alimentos; tem que trabalhar, ganhar dinheiro para poder comprar para si e seus. Um risco muito maior que a vida no Inverno Alpino, O que mantém a relação de medo e as defesa necessária.

A antecipação do fracasso ou o vislumbre real do mesmo provoca a depressão, já como patologia social.

Concluindo, estresse e convívio com ratos têm tudo a ver.



04/02/12

tony-poeta pensamentos

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

QUEM É O CULPADO: O MÉDICO, O DOENTE OU A DOENÇA?






QUEM É O CULPADO: O MÉDICO, O DOENTE OU A DOENÇA?





Cada vez encontro mais dificuldade na relação médico paciente. Exercendo a profissão há trinta e seis anos, com hábito, ou até vício de leitura, com especialização em psicossomática e geriatria, que tem como base a relação médico-paciente; vejo a dificuldade crescendo ano a ano. Percebo que meus colegas mais jovens apresentam problema semelhante e, na maioria das vezes partem para especializações, cada vez mais restritas para atenuar o problema. Como conseqüência o paciente acaba ficando dividido em partes. As partes, por sua vez, se subdividem continuamente e aumentam o número de especialistas.

Como conseqüência: começam a faltar médicos generalistas. Médicos e pacientes ficam cada vez mais desorientados. Este ciclo ao invés de se completar aumenta em espiral, sem solução visível.

Numa análise sucinta podemos notar três pontos de realce, que ajudariam entender a situação ora apresentada.

O primeiro refere-se ao médico. Temos a medicina dividida em estatizada, [com toda justeza], e o modelo de medicina empresarial, representada por convênios. Estes fatores acarretaram que o custo começasse a ter destaque em toda formação médica. O que vai se prolongar pelo exercício da profissão. Esta influencia em crescente chegou a um ponto que a tornou o fator mais importante da saúde. Como exemplo, copiarei um artigo [peguei alheatoriamente, é dirigido a médicos e apoio ao paciente. Não citarei o livro ou o autor, pois o artigo está inserido na forma correta, ou que se pensa correto, ao abordar uma doença]. Dia o texto: “A depressão esta associada a altos custos sociais e financeiros. Em 1990, o custo anual com a depressão foi de U$ 44 bilhões; desse, U$ 24 bilhões (55%) representaram custos indiretos pela perda de produtividade, em função do maior número de faltas ao trabalho e pela redução na eficiência profissional.” E por aí vai. Este padrão, presente em todos os artigos, ocupa vários parágrafos da matéria, quantia muito superior ao sofrimento do paciente, se este sofrimento não for omitido, por não haver métodos de mensuração.

Ora, um médico que em sua formação teve esta preocupação desde que viu o primeiro doente e a primeira doença, com toda certeza terá uma visão distorcida. No seu trabalho certamente se confundirá entre o fator econômico e doença; dois elementos totalmente incompatíveis. Este assunto daria uma discussão prolongada que não cabe nesta observação.

Em segundo lugar, temos as novas descobertas, nem sempre aplicáveis de imediato. Com a facilidade de informações atuais, e sua ampla divulgação, ira afetar diretamente o imaginário de um leigo.

É comum, o paciente já vir à consulta pedindo uma tomografia do corpo todo; para ver

se é portador de câncer. Ou se não poderia usar a célula tronco, para tratar sua hipertensão, e outras ricas fantasias imaginárias. Esta desorientação o deixa justamente inseguro e o faz procurar médicos cada vez mais especializados, nem sempre disponíveis e necessários. Temos uma verdadeira maratona a Clínicas e Hospitais.

Em terceiro lugar, a imprensa e provavelmente as seguradoras de saúde, começaram a transferir ao doente a responsabilidade total de sua saúde. Vemos nos meios de imprensa, o que, e o que não se pode comer; quanto, e como este ou aquele alimento é benéfico ou prejudicial. Estive observando o que aconteceu com o ovo.

 O exame de colesterol é muito recente. Temos na sua elevação um maior risco de derrame e infarto do miocárdio, devendo para isso ser controlado, junto com outros fatores de risco: tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse entre outros. Não se constitui propriamente numa doença. Não tem sintomas. No inicio da pesquisa do colesterol, que ainda não está concluída, começou a se procurar um culpado. O primeiro foi o ovo. Numa história digna de romance e, sem se chegar a uma conclusão definitiva: O ovo foi proibido; liberado de uma a três vezes por semana; recomendado todo dia, ou com liberdade para ser consumido. É o que está valendo atualmente. É evidente que uma pessoa normal fique completamente perdida. Se procurar o seu médico, este concordará com a última pesquisa. Ou seja, igual à imprensa.

Em outra observação na Inglaterra, para agravar mais a balbúrdia existente, começou um movimento, no qual o médico tem de discutir com o paciente a medicação prescrita. Numa infecção o paciente vai escolher o antibiótico mais adequado. Isto já está valendo no nosso país com concordância das Associações Médicas. O doente ficou totalmente responsabilizado.

Resumindo: Não há mais doentes e sim doenças. A responsabilidade é toda do paciente e o médico, administra o custo econômico do tratamento em relação à volta ao trabalho, ou as aulas se forem pediatra. Todos perderam lugar na medicina.

 A medicina é definida; “como o bem estar físico, mental e social de individuo” e deve ser atribuição do médico, juntamente com os profissionais auxiliares, para manter a saúde integral da população. A função do paciente é se dirigir ao médico, informar seus sintomas, receber e seguir as orientações proposta e sua responsabilidade acaba aí. A parte monetária só será discutida, se as posses do paciente não permitirem a compra do medicamento, cabendo ao médico procurar uma solução satisfatória.

O que temos hoje é muitas filas, pois quanto mais especialistas maiores o numero de consultas por uma única pessoa. Insatisfação justa, de todos os implicados médicos, auxiliares e pacientes, pois houve quebra da hierarquia.  E o mais grave, o ser humano tem um imaginário mágico. O médico além de técnico tem que ter uma função de “feiticeiro” e se comunicar com estes medos imaginários, fazendo-os fugir. [daí o sacerdócio] A medicina tem que ter ritual.

 Além de responsabilizar o doente de sua própria patologia, tiram-lhe o ritual de exorcização e colocaram o médico e o pessoal da saúde como meros espectadores, sem função claramente definida. É lastimável a insensibilidade da área cientifica. A saúde como um todo tem que reencontrar sua hierarquia. Cada um ocupar um lugar determinado; logicamente usufruindo dos benefícios da pesquisa. Quem pesquisa não vê gente.   



tony-poeta pensamentos

03/02/2012


















ASSIMETRIA









ASSIMETRIA





Escrevo o dia a dia.



Dia a dia não tem métrica



Porém quando sonho



Toma forma e, é simétrica



Como quase nunca sonho



A maior parte é assimétrica.



E meu poema faz floreios



Nos meandros dos devaneios.





01/02/2012

tony-poeta pensamentos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ANTIDEPRESSIVO - Poetrix

ANTIDEPRESSIVO



 Cachorro bravo
comeu árvore da felicidade
continua ranzinza



 tony-poeta pensamentos

CASTIÇAIS



CASTIÇAIS


Claridade, luz de castiçais
Cerrados na penumbra, teu vulto
Sorrateiro vem dirimir os ais
E me acorda com beijo impoluto.

No enlevo, que não existe mais,
Entregas-te a mim, deuses desnudos
No encontro, dois corpos carnais
Suave roçar, dançar entre mundos.

Corpo e ser em acordes magistrais
A semente amor, o sabor degusto
Calma e magias de ledos madrigais
Canto paz, retorno ao absoluto.

Devorá-la em amor ferozmente
E possuí-la em mim eternamente.


02/02/2012
tony-poeta pensamentos

O FILME





O FILME





Vida monótona

Muitos desejos insatisfeitos.

Fez uma Maria qualquer

Ou Mario [homem ou mulher]

Um ser mortal, um sujeito

Sentir-se tão impotente

Pequeno,

Não pertencente

A todo meio que o cerca.



Ficou por dentro amuado

Fraco e coitado,

Incapaz até de pensar.

Não tendo mais nada,

Nem fantasias,

Acordado ou dormindo

De noite ou de dia

Não conseguia sonhar.



Mas...

A vida passando

O vácuo se acumulando

Em sua cabeça vazia

Começava incomodar

E, na tela de plasma

Da novela ao enlatado

Tentou outras vidas começar.

Ali podia viver

Amas, fantasiar.

Olhando fixo à telinha

Deitado em seu sofá

Olha, horas e horas

Até adormecer.

Mas acorda sem sonhar!





22/05/2005

tony-poeta pensamentos












quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O PÁRA RAIOS [crônica]






                                           O PARA RAIOS





Marcão chegou animado. Ia vender pára-raios. Estávamos no Bar Marcassa quando alegremente nos comunicou que tinha ido a São Paulo e conseguido a representação. Marília na época tinha poucos prédios e a indústria era incipiente. Quase não existia proteção a tempestades. Apesar das notícias só referirem casos de acidentes na Zona Rural, a cidade estava realmente desprotegida.

O Bar Marcassa na época era onde se reuniam os jovens da cidade após o trabalho e o estudo. Tinha uma visão estratégica, era a esquina diagonal ao Colégio das Irmãs. Neste horário saiam a normalistas, que eram olhadas, olhadas, e só olhadas. Dentro do bar só homens, o dono, o balconista, o vendedor de bilhetes que fugira da revolução Espanhola, e trazia a letra da Internacional no bolso, o engraxate. Era um observatório masculino. As mesas eram animadas e o papo prolongado.

A nova atividade de Marcão animou a mesa. Entre cervejas constatamos o perigo da cidade sem pára-raios, e Drigão fez uma colocação polemica:

-Meu professor falou que o raio sai do chão. Prato cheio para uma infrutífera discussão. Afinal o raio cai ou sobe. Hora depois, sem nenhuma solução fomos jantar cada um em sua casa.

Dia seguinte: pasta no braço Marcão correu a cidade. Olhou as casas e foi ao jornal tentando colocar um artigo sobre raios e prevenção. Chegou à conclusão que sem pagar um anúncio não teria divulgação. Começou a correr as lojas de matérias para construção para ver se colocava o produto.

Continuávamos a nos encontrar no Marcassa e o impasse persistia. Não tínhamos chegado à conclusão se o raio sobe ou desce e Marcão cada vez mais desanimado, sem nenhuma venda. Conversamos, conversamos e chegamos à conclusão que o mais importante no momento era ir ao Batalhão de Bombeiros. Lá poderia haver uma orientação.

Cedo foi nosso vendedor ao quartel. Os bombeiros são muito receptivos e gentis. Foi recebido com cafezinho, e logo mais chegou o Capitão Souza.

Conversaram longamente, Souza começou a fazer perguntas interessado. Empolgado, ansioso por uma solução, Marcão explicou que dois tipos de pára-raios são indicados para a cidade. O Franklin de três ferros nas pontas, ideal para residências e de pouca abrangência e, o orgulho da linha que protegia um quarteirão todo. Foi mostrado a área e modo de cobertura de seus aparelhos. Tudo sob olhar atento do Capitão.

Meia hora de conversa, finalmente o Capitão se manifestou:

- Gostei. Vou pedir para a Superintendência fazer uma licitação e colocar um aparelho no Batalhão. Não temos pára-raios.

À tarde Marcão tinha desistido de vender pára-raios; e não queria saber se o raio desce ou sobe.





tony-poeta pensamentos

01/02/2012








RODO NA CAMA







RODO NA CAMA







Rodo na cama.

Solidão!

Solidão não tem fantasmas

É morta-viva.

Vive presente

Sem existir.



Rodo na cama

Não existe a energia

Da raiva ou de amor



Até o ódio falta.

Nesta hora

Ele liga... Jamais separa

É sempre presença

Presença é vida.



A amizade

Com suas falsas amarras

Fugiu...

Mudou pro reino do inexistente

Na rota do desconhecido

Na sombra do sempre ausente.



Rodo na cama

Ninguém me chama

Dou um grito

Grito no vácuo

Não existe voz

Vazio total!

Nada abre os tímpanos

Nada move a mente

Enroscou a roda do tempo!



Súbito

O cão me lambe à perna

Vejo-me como andarilho

Correndo a estrada do nada...

Mas dou um sorriso feliz

Sinto que estou vivo

De novo.





31/01/2012

tony-poeta pensamentos






terça-feira, 31 de janeiro de 2012

DOS CELTAS ATÉ HOJE - anti-poema







DOS CELTAS ATÉ HOJE

[não me xinguem]







Poema galês



“neve caindo, o gelo é branco;

O vento é forte; a grama, congelada;

Um escudo jaz inútil nos ombros de um velho.. continua].





Poema neoliberal

Mais ou menos assim



Noite caindo, luzes piscando

O transito é forte, marginal parada

Dia de visita no lar de idosos, ver meu velho...







31/01/2012

tony-poeta pensamentos

Anti-poema

NOVO DIA







NOVO DIA



Há pausa nos átomos

Quando os ruídos da terra

São angustiosos.

Há um lapso na constelação estelar

Dos astros e das formas.

É véspera de explosão!

O grito de angústia

É o estopim

E queima enxofre.

Corroi-se

Diminui

Súbito:

Na luz de novos movimentos

Começa um dia

Por certo novo.





20/04/1971

tony-poeta pensamentos


DU-VIDAS









DU-VIDAS





Acaso se fez vida.

São quatro elementos,

E todos aleatórios:

Era o primeiro ser.



Mas, como entender:

Pode a junção química

Por si conseguir viver?

É mister respirar?

Se a vida é movimento

Não vejo corais andar.

Se respiro o ar livre

Que enche meus pulmões

O peixe o faz na água

Tudo tem variações.



E nas outras junções da química?

Trilhões de possibilidades

Respirar estrôncio ou hélio

Não importa a variedade?



Dois bilhões: Corpos da Via Láctea.

O que até agora encontramos.

Não nos garantem que a vida

Seja só isso que pensamos

Deles: muito poucos têm água

Não temos visão de oxigênio...

Só por isso não se fez vida?

Ou não sabemos o conceito?



Na verdade o homem vaidoso

Que andando pelas cidades

Acha que vida é movimento

Articulação de momentos.

Ele tem é: muita vaidade

E quando fala: Estou vivo!

Mostra logo sua identidade



31/01/2012

tony-poeta pensamentos

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ABERTURA







ABERTURA





Eu fiz um sonho

E não dormia,

Isto era tudo...

Mas na verdade

Não era sonho,

Só anseio de vida.



Foi um tom allegro

Compassado em harpejos,

Cabelos roçando

Lábios colando

Brisa batendo

E num presto crescendo

Em tempo de valsa

Eu vi que o sonho

Que apelidei sonho

Jamais foi assim

Ele era a vida

Somente a vida

Mais nada.



Pois nada mais é a vida

Que compassos voando

Na escala melódica

Da vontade de ser.





03/05/1970

tony-poeta pensamentos

publicado em “os antípodas”


APAGUE







APAGUE





Apague:

O que está findo

Já foi incorporado

Terá que buscar para frente.

Será igual ao que foi amado.

Mas sempre de modo diferente.

Repetir...

Repetir...

Sempre repetir,

Não é bom para a gente!



Busque o novo

Diferente do velho,

Não faça da vida

Um falso evangelho

De meias verdades.

Mister é viver

Mantendo vivo

Apenas...

Um pequeno núcleo

Escondido

Remoído

Abandonado

Que modela o amor.





tony-poeta pensamentos

30/01/2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

considerações sobre o poeta







CONSIDERAÇÕES SOBRE O POETA





O poeta tem delírios

Poéticos

Patéticos

Concretos.



                                       O poeta tem martírios

                                       Apaixonados

                                       Revoltados

                                       Enlutados



O poeta tem visões

Refrações

Ilusões

Alucinações



                                         O poeta tem vida

                                         Vivida

                                          Sofrida

                                          Tumultuada.



O poeta não é do cotidiano.







30/01/2012

tony-poeta pensamentos

ANTIPOESIA COTIDIANO FIM DE SEMANA


Domingo

Família

Três laptops

Uma TV

Os cachorros.

Um apartamento pequeno.

Chove... Chove...



Monologo persistente

Falas interrompidas

Diálogos ausentes

Ausência

Angustia.



Ansiedade

Medo de enfrentar o conhecido.

-Você não vai ao Super Mercado?

-Tá chovendo...

-Tô com fome...

-Tá, eu vou depois...

Medo do desconhecido é fobia

- Já foi no banco

- Não!!!!

-Você falou que ia...

- Não quis ver a cara do gerente.

Medo da tragédia é pânico

-Vão por o titulo no pau

-Fica quieta!

A TV mostra as tragédias...Mais pânico...

Caiu

Assaltou

Bateu

Afundou

Morreu

E o governo...

Comercial.

-Vamos trocar a TV

Desejo é constatar a falta:

-Você já falou sobre o aumento

-Ainda não deu...

-Vai aumentar a escola...

-As notas estão ruins?

-Só matemática

-Seu pai sempre perdeu dinheiro

 Era ruim de matemática

-Não mete minha família no meio

O navio afundou

Morreram vinte

-Não quero mais ir ao cruzeiro.

--Pai to com fome!

-Tem miojo?

- Tem

- Amanhã vou ao Supermercado.

Angustia é quando a ansiedade é consigo mesmo

- Amanhã começo novo processo.

-Tá...

- Acho que vai dar certo

-Gol do Flamengo, golaço...

Toca o telefone

O incomodar é pensar que vai ser a repetição desagradável.

Sempre é!

- Tua mãe

Saída estratégica

-Vou tomar banho

-Mãe, o que faço com ele?

 Ele não conversa...

-Teu pai era assim...

Descanso é conversar alegremente... Nos sonhos

-Vamos dormir.







29/01/2012

tony-poeta pensamentos