sábado, 16 de agosto de 2014

DUVIDADOR DO MUNDO



DUVIDADOR DO MUNDO.
imagem Google

No fundo
Sou duvidador do mundo.

Minha arte é duvidar
Se a vida é superfície
O ser profundo não pode falar...
Só contestar.

Se o passado me amarra
É o presente o mundo onírico
O futuro se desgarra
Não obedece artifícios
Pois, o presente não embala
As fantasias do frontispício
Que minha mente avassala
Com ares sapientes... mas indecisos.

Sou o sonho que flutua
Discordando do sonhar...
Já que as velas que amarrei
Não impedem o velejar
Trazem mascaras do passado
Pro futuro assombrar
E eu cá, ensimesmado
Continuo a duvidar...

16/08/14
Tony-poeta


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

BEM-TE-VI


BEM-TE-VI


 

Um bem-te-vi rouco

Jamais consegue amar,

O homem que fala a máquina

Não consegue gorjear.

Homem que vive a máquina

Tece a vida sem errar,

Na noite a vida se vinga

Começando a martelar,

Que vida é apenas vida

Não tem conta de somar

É um canto livre e solto

Só quem vive pode cantar.

 

13/08/14

www.tony-poeta.blogspot.com

domingo, 10 de agosto de 2014

O LIVRO E O DIA DOS PAIS



O LIVRO E O DIA DOS PAIS.
Carlos da Apparecida Gomes.

Três caixas de livros estavam sem espaço na casa de Frederico, meu filho caçula. Nas diversas mudanças de residência, por motivos profissionais, os mesmos ficaram para trás. Coisas de mais de quinze anos. Chegaram hoje. Como apaixonado e grudado em meus livros corri olhar os que ali estavam.
Entre muitos livros importantes, como os dois volumes de O Capital, que há muito eu cobrava o paradeiro, estavam embaladas duas coleções. Os romances de Machado e a Coleção Cultura e sua história em minha vida.
Nos anos sessenta houve a febre das Feiras no Ibirapuera, parece-me que numa U.D., feira de utilidades domésticas, na época abertas ao público, fui com meu pai à dita exposição. As feiras eram agitadas, os primeiros banners eram distribuídos, junto com amostras e outros cacarecos promocionais, os visitantes ávidos mais por ter lucro, do que por novidades iam ajuntando papeis e brindes, estes mais raros. O evento era muito concorrido com uma multidão afluindo. [Hoje é feito no Anhembi].
Subitamente em um “stand”, fugindo ao tema da feira, vendiam coleções de livros. Duas chamaram minha atenção de imediato. Uma chamada de Cultura e outra de Shakespeare. Na coleção cultura, o que chamou minha atenção foram três livros: A Ilíada, A Odisseia e os Lusíadas. Calhou de Sr. Carlos, meu pai estar com dinheiro disponível e comprou as duas.
A coleção Cultura estava nos livros repostos; a do escritor Inglês havia sido vendida num dos apertos dos tempos de faculdade, acompanhada do devido luto. Sim, a perda de um livro sempre provoca tal reação nos vidrados por livros. Avidamente comecei a recordar os amigos. Tinha ainda “Eram dos deuses astronautas”, livro em moda da época que provocava acaloradas discussões e um livro que trouxe grandes recordações: “O Átomo, de Fritz Khan”.
Estávamos há cerca de quinze anos das inaceitáveis explosões nucleares do Japão. O tema átomo pouco era difundido na época e motivo de mistérios em nosso grupo de adolescentes. O fato de possuir tal livro me colocou em destaque. Lembro de ter lido e relido as matérias em nível acima do meu conhecimento, aliás do conhecimento de todos nós. Abri o livro.
Na verdade com o conhecimento atual era um livro elementar, de conceitos superficiais [acho que entendi por ser elementar], e com umas teorias existentes na época, por exemplo: O edifício Martinelli reunindo os átomos se tornaria uma agulha; mas tão pesada que quebraria o Viaduto Santa Efigênia, ou ainda, uma casa sem porões faria mal à saúde, por não permitir a circulação das partículas.
Dei um sorriso, imaginando o furor das teorias em nossas cabeças e as discussões que provocaram. Mas, o mais importante hoje é Dia dos Pais e este é um presente que continua me agradando apesar do tempo e das separações da vida. Obrigado Papai.
Tony-poeta
10/08/2014