sábado, 31 de março de 2012

TEMPO PARADO


TEMPO PARADO





Andamos no tempo

Tempo parado

Ora rápidos, ora dolentes

Tristes ou contentes.

Sentimos...

Sentimos o aroma das flores

Os gelados pingos da chuva

O suave roçar do vento

Tanto faz...

Qualquer direção

Qualquer rumo

O tempo ignora

O tempo não anda

Andamos e amamos nele

Sempre...

Andamos rápidos

No tempo parado.



31/03/12

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o sitio e a lagarta


O SITIO E A LAGARTA





Quando meus filhos eram pequenos, Ana lecionava na Fazenda do Estado. Como morássemos no Jardim Maria Martha, era só pegar a estrada a alguns quarteirões e dirigir numa reta. Não era complicado. Tínhamos Da. Maria, uma senhora, que já havia criado seus filhos, que olhava nossos três moleques. O que não era fácil com córrego próximo, barro, carrinho de rolimã e toda liberdade que tínhamos combinado lhes proporcionar.

Ali passava padeiro e verdureiro na porta. O Luiz. Este trazia frutas e verduras, e quando não estávamos cobrava depois e entregava para Dona Maria. O curioso é que ele tinha um dia que também vendia frutas e verduras na Fazenda do Estado. Determinado dia da semana, pegava sua Kombi e para lá se dirigia.

Quando Ana me contou, achei absurdo. Perguntei se vendia bem, afinal eram pequenas propriedades. Mas, o retorno semanal nos fez acreditar que sim. Caso contrario não voltaria.

A Fazenda do Estado foi um dos pioneiros projetos de reforma agrária no Estado de São Paulo. Uma Fazenda foi dividida em lotes, providenciado moradias e assentada uma família em cada uma delas. Acontece que o financiamento agrícola era insuficiente e pegar dinheiro nos bancos, sem seguro rural, o que ninguém nem imaginava na época, isto a quarenta anos, era temerário. Dois anos sem safra e a propriedade já era do banco. Grande parte do êxodo rural na época deveu-se a isto.

Portanto, quando Ana lá lecionava uma boa parte dos sítios tinha se transformado em sitio de lazer, sem produção. Havia os que ainda resistiam, com dificuldades.

Pensamos que as verduras eram consumidas nos sítios de recreio, mas os alunos posteriormente informaram que todos, indistintamente compravam verduras do Luiz.

Como verduras pertencem à tradição européia, sendo sua origem no degelo dos Alpes, onde os antigos habitantes, após um inverno rigoroso com poucos víveres, começaram a

consumir as primeiras plantas que surgia no degelo, o que originou as verduras que temos hoje. Acreditei que em se tratando de população local o habito não estava ainda bem sedimentado, já que não temos inverno, e a verdura não era prioridade.

Alguns dias atrás, já no litoral, seiscentos quilômetros de distância de Marília, atendo uma jovem senhora, vinte e poucos anos, acompanhada de seu filhinho, não tinha com quem deixá-lo, e relatou-me intestino preso.

Faz parte do tratamento uma dieta de frutas e verduras. Indaguei onde morava. Contou-me que era de Minas e havia se casado com um sitiante da Serra do Guararu. Esta serra, hoje área de proteção, possuía uma pequena população de agricultores, com pequenas propriedades. Não foram desalojados e as propriedades mantidas, desde que não aumentassem a área. Era numa destas que a moça morava. Imaginei que seria fácil orientar a dieta. Ledo engano.

Ao me referir as verduras; informou-me que em Minas até plantava. Mas as verduras de São Paulo têm bicho e que ela não iria alimentar sua família deste modo.

Falei-lhe que toda verdura sadia tem que ter pequenos bichinhos, caso contrario se estará comendo adubo e inseticida. Que é só lavar e pronto.

Mas ela permaneceu arredia, disse que logo que chegou, plantou. Mas tinha muita larva. E que a televisão falou que não era bom.

As propagandas tem realmente exagerado. Numa um garoto que jogava bola, pegou uma única fruta na fruteira e foi para o Hospital porque não tinha usado o sabonete X. E outras mais que estão veiculadas. Tentei convencê-la, mas a TV tem credibilidade. Encaminhei-a para a nutricionista para ver se esta tem mais sorte que eu.

É lógico que os dois fatos são independentes, mas se entrelaçam em um ponto. Um hábito leva gerações para se consolidar em uma população, e qualquer obstáculo é motivo par que seja deixado de lado ou modificado. Tanto a falta de costume de plantio, que é o primeiro caso, como a propaganda mal formulada, no segundo acarretam desvios, muitas vezes definitivos.

Espero que as agências de propaganda revejam a agressividade de suas chamadas, pois não há Kombis e Luizes suficientes para atender toda zona rural, com verduras isentas de insetos.





31/03/12

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sexta-feira, 30 de março de 2012

O EGOISTA


O EGOISTA






Pobre criatura em sentimentos

Se os tormentos a avassala

Os momentos, que sem alento

De quinquilharias te agasalha.



Sentes só a ânsia de acumular.

Por dentro diz:- coisa pequena

Qualquer ouro pode comprar.

A ânsia de ser feliz te acena



Nada existe em tua inexistência

Teu sorriso é tua penitencia

A tua vida é evitar chorar.



Vais sorrindo este mudo choro

A risada, apenas consolo

Desta dor de a vida buscar.







31/03/12

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O CARRO E O TEMPO


O CARRO E O TEMPO








A estrada parou. Aconteceu alguma coisa. Tem uma grande fila de carros na estrada Guarujá-Bertioga. O trânsito, em sentido contrario não existe. Sim, realmente aconteceu um acidente. Parei no final da fila. Voltar para ir pela BR aumentaria trinta quilômetros e não garantiria ganho de tempo.

Há muito estou brigando para anular o tempo. Conclui que o mesmo não pode me escravizar, pois o tempo que hoje usamos, não é o tempo antigo do nascer e por do sol.

Antes as Igrejas, era época de domínio do catolicismo nos nossos colonizadores, que nas colônias faziam suas Igrejas voltadas ao nascer do sol. Nesse tempo, ou seja, o dia de trabalho começava com o sol. A natureza era a única referencia. Com a necessidade de se produzir cada vez mais, o sol foi desprezado e serve hoje de adorno a postais e a propaganda de hotel para férias; sua vocação para marcar o tempo foi severamente abolida. Hoje tempo é dinheiro e o perseguimos para sobreviver e outros ganharem. Marx que se indispôs é muito complicado.

Portanto, tenho tempo, usando minha veia poética; vamos esperar e, observar.

Sempre achei que a meu lado direito havia uma favelinha. Era onde estava parado. Era um conjunto de quatro ou cinco casas de madeira, a beira da estrada. Lembram em muito algumas favelas das avenidas de São Paulo. Para completar uma das casas virou uma borracharia, creio que muita gente não pare por lá devido o aspecto. Parado em frente observava melhor. De uma casa saiu uma moça vestida normal, sem aspecto de favelada ou excluída. Ora, pensei eu, as maiorias dos favelados trabalham e vestem-se normal. Logo de outra casa saiu uma jovem mãe bem vestida, loira com sua filha, loirinha, parecendo as meninas que certas revistas gostam de postar. Loira de olhos azuis.

Olhei bem de onde saia, era apenas um portão, por certo dava acesso a uma porção de casas. Não era uma favela. Eram apenas caiçaras que por gostarem da terra ou, por serem proprietários daquele terreno, entre a mata e a estrada, por lá permaneceram. Não sei se o tempo os havia afetado. Vestiam-se normalmente, como quem vive nas cidades. Não saberei. Espero que tenham conservado, mesmo sem plantar mais nada, aliás, quando nisso pensava reparei que em latões de óleo, cheio de terra tinham sido plantadas, beirando todo terreno, as folhagens mais delicadas, protegendo-as de pragas, que por certo as sufocariam. O homem também faz isto aos mais fracos. Era realmente gente da terra. Por anos estive errado, era eu e meu carro tentando vencer o tempo.

Avisei pelo celular que iria atrasar. Meu celular só serve para telefonar. Não tem internet nem habilitei aplicativos. Passaram um carro de reportagens e, alguns carros de pessoas que queriam vencer o tempo, tentando furar a fila e ultrapassando a procissão de carros parados. A fila andou um pouco. Alguns carros resolveram voltar e saíram da fila.

Agora parei em frente a um sitio, em minha esquerda que nunca o havia percebido. Cortando alguns arbustos via-se a placa. Propriedade Particular, olhando com atenção percebiam-se ao fundo uma velha e pequena casa tipo rural. Não existia nenhuma plantação. Era apenas uma clareira cortada na mata e, muito antiga. Não se viam animais, nem um cachorro. Em volta Mata Atlântica.

A direita era mata, sendo que entre ela e a estrada havia uma valeta para drenagem de água que descia da serra. Era inicio da pequena serra. Esta é muito úmida e rica em água. A estrada ali praticamente não tinha acostamento, apenas vegetação cortada, mais para dar visibilidade, do que para parar veículos.

Esta estrada é muito antiga, era o único caminho para o Litoral Norte antigamente, estrada de terra e, recentemente foi asfaltada, mas, não duplicada.

Continuei minha observação. A área devastada tinha se refeito, não na pujança da mata original, mas como um jardim. Quando se passa de carro apenas se nota, isto alguém mais observador, um tapete de beijos de várias cores, que se entrelaçam com o verde do mato. Ali parado tudo muda. Começam a se sobressair flores dos mais variados matizes, salpicando as folhagens ora em buques vermelhos, ora brancos, rodeados de flores amarelas, flores mais escuras. Pequenas borboletas passeiam ente elas. Nos cortes do sitio, junto aos barrancos, uma grande renda de samambaias gigantes corrigiu a devastação. Tudo foi refeito. Tudo tem um gosto delicado e sutil.

O carro de reportagens volta. Não filmou, foi minha suposição, não daria tempo. Não deve ser nada grave. Tragédias são filmadas e detalhadas.

Súbito uma luz azul na mata, caiu como folha de papel, era uma linda borboleta. Ao ver o descampado da estrada voltou imediatamente para a mata. À esquerda notei outra, que também se retirou rapidamente. Eram grandes. Tinham mais de um palmo de minha mão, portanto mais de vinte e dois centímetros. Sempre achei que a mata seria difícil para uma criatura de este tamanho sobrevoar, mas ela preferiu. Pensei: na minha infância havia uma febre por se capturar belas borboletas, que se perfuravam sua cabeça ainda com vida com uma agulha e se injetava éter. Viravam quadros de mau gosto que eram vendidas aos turistas do primeiro mundo, que os colocava do lado da lareira achando-se donos da natureza. Coisas de conquistador. Creio que aprenderam a se esconder na mata, para não virarem souvenir.

O tempo andou. Dei partida no carro. Tinha caído uma grande árvore e atravessado a estrada. Os bombeiros já a tinham cortado. A valeta de escoamento e a retirada da mata que a rodeava tinha lhe tirado a sustentação. Não amassou nem carro, nem moto. Apenas atestou que a nossa função de proteger o que restou da Mata Atlântica tinha falhado por displicência. E os animais que nela moravam, há muitos esquilos na Serra do Guararu, que aprenderam que não devem entrar em nossa casa, como as borboletas azuis, perderam seu abrigo e seu ninho. É uma pena.

Entrei novamente no tempo humano.





30/03/12

tony-poeta pensamentos

PENSAMENTOS INFAMES


PENSAMENTOS INFAMES





Olhando no espelho, após tirar carteirinha de idoso.

- Tinha uma beleza anterior.



Com a carteirinha de Pescador Amador

- Já posso contar o tamanho do peixe que sumiu.



Após comprar um Mini-fox

- Não serei mais assaltado

O FACEBOOK E O CELULAR


O FACEBOOK E O CELULAR






O casal conversava na sala via facebook. Era uma piada. Lembrei-me que numa organização comercial o presidente falava com a secretária ao lado por e-mail. Dizia que era para ficar registrado. Tudo bem. Estava eu em um computador e Ana no outro. Só o Lacan, nosso cachorrinho tinha que se comunicar por latidos e lambidas. Coisas da vida.

Como estou passando minha pasta azul para meu blog, realmente o tempo de conexão é longo, mas será assim com todo mundo?

Fui a Super mercado após esta constatação. Comprei o proposto e como tenho mais de sessenta fui ao caixa de idosos que deve ser mais rápido. O estabelecimento estava muito quente, o ar condicionado desligado, provavelmente por economia. Até o saquinho de plástico que é fornecido com moedinhas para troco, as caixas têm que devolver. Frances é econômico. 

Na minha frente estava uma senhora, de aparência humilde com uma pequena comprinha. Arrumei minhas compras, também pequena, na esteira rolante, que estava quebrada, pensei:- Passo logo e continuo o que estou escrevendo.

Falsa esperança. Da pequena carteira a senhora tirou uma folha de caderno amassada, cheia de números e começou: - Este é TIM. Põe doze reais

- Digita o número, falou a caixa.

- Errei

- Digita de novo.

A caixa estava suada e reparei que estava grávida de uns seis meses. Sua feição era de poucos amigos. E na minha ansiosa espera para ir ao computador, na expressão irritada da caixa, a velha senhora colocou créditos para o marido, os filhos e até para netos se tiver. Acho que como o Lacan, só o cachorro ficou esquecido. Foram doze créditos de doze reais.

Dia seguinte, indo para o trabalho, num cruzamento, uma moça de capacete rosa e moto amarela, dirigia e mandava torpedo, ao mesmo tempo, em minha frente. Realmente um grande malabarismo. Não caiu da motinha.

Mais tarde, já atendendo, entrou uma senhora para pedir exames para três filhos que a acompanhavam. Um dos filhos entrou falando ao celular, que pedi que desligasse e curioso indaguei: - Quantos celulares têm na casa?

- O filho de 14 tem um, o de dezesseis tem um, este que entrou na faculdade tem dois, eu tenho um e meu marido tem três.

- E aparelho fixo tem quantos? Perguntei.

- Ah! Este, só temos um.

Como a vantagem do celular estava nítida em relação à FACE na minha pesquisa, cheguei em casa. Na cozinha, sobre a bancada tinha dois celulares, da moça que nos ajudava. Perguntei:

- Você tem dois celulares.

- Sim, mas um tem duas linhas; mas como acabaram os créditos do de uma linha só, peguei o de meu marido que tem mais duas linhas. Hoje tenho quatro linhas.

- E ele, seu marido, ficou sem?

- Não ele tem outro.

O celular levava, nestas alturas uma vantagem enorme sobre o computador. Entrei na pagina de recados e, num de meus contatos encontrei:

- Bosta, retido no 5400 para Santo Amaro há meia hora. Está chovendo.

Realmente, depois de tão importante informação sobre o ônibus, cheguei à conclusão que o celular ganhou.





30/03/12

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NOVA PAIXÃO


NOVA PAIXÃO






Teco...

Teco...

Teco...

Repeteco de pensar.

Mudo...

Mudo...

Mudo...

Não posso poetar.

Quero...

Quero...

Quero...

Novas formas entoar.

Novas coisas

Novas formas de amar...

Sonhar...

Cantar...

Do sentir mais profundo,

Me envolver no mundo

Povoar a solidão

Com um verso... Uma canção.



Quero

Novas formas

Novo Universo

Nova Inspiração

O que quero mesmo...

Quero mesmo...

É nova Paixão





30/03/12

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quinta-feira, 29 de março de 2012

CHEIRO DO CIO


CHEIRO DO CIO





Disfarçamos o cheiro do cio

Com perfumes

Nina Ricci e Paco Rabanne

Beliscamos queijos e azeitonas

Tomamos muitas Champagne

Dormimos cheirando álcool

Acordamos esquecidos.





29/03/2012

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DESENCONTRO DE TI


DESENCONTRO DE TI






Perdi o dia

Não achei a noite

É o nada absoluto.

Resoluto

Tentei me achar...

Mas...

Sem dia,

Sem noite,

Onde me encontrar?



Me perdi em teus seios

Cheios de amor

Não achei teu leite

Não senti teu calor.

Caí no marasmo

De nada encontrar.

Como posso na vida

Ter alguém para amar?



Caí no abismo

Da desilusão,

Não vejo a vida,

Não vejo a morte,

Não vejo o relâmpago

Da grande paixão.





08/04/1995

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DEPOIS


DEPOIS






Sonhamos que somos donos do mundo,

Esquecemos o depois...

E depois?



O depois gera outro depois

É infinito,

É aflito

Não tem volta,

Não adere

 Não dá consistência.

Não é o amor



O amor amarra dois

Tem aderência.

O amor

Não tem depois

Só o agora.



O depois não tem fim,

Não tem descanso,

É despótico, não tem regras

Não tem meio, nem fim...

Infelizmente

Hoje se vive o depois.



PENSE NISTO!








29/03/12




quarta-feira, 28 de março de 2012

MINHA SOLIDÃO


MINHA SOLIDÃO






Tarde escura com garoa e frio

Mar cantando em tom arredio

Lembra-me da solidão.



Este mar bravo e ventania

Que leva longe as fantasias

Causa-me tanta aflição.



Nas mortas espumas das vagas

Refletem lembranças e mágoas

De toda minha solidão.



E quando a revolta as embala

Mostra lá dentro, a dor que fala

A dor de um coração.



Ouço a voz, vagas passageiras,

Na verdade sois mensageiras

De minha solidão.









28/03/12

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RECORDAÇÕES E MEDITAÇÕES



RECORDAÇÕES E MEDITAÇÕES




Manhã chuvosa

Sopra cantante, o vento

Levando meu pensar

A outros pensamentos.

Sigo!

Que reino é este?

Se passado ou futuro, não sei!

Mas interno, me é presente.

Reino real ou de fantasias

Que passa em meu pensar

Nesta chuva fria, Existes?

Sim, eu sei!

É o reino no espaço sem objetos,

O reino da poesia

Do compasso de amor

Da melodia de paz

De tua imagem perfeita,

No nada, acariciando minha face.

E dando amor.



Sei o lugar, o compreendo,

Estou na casa do amor

E lá, ele passeia descontraído,

E me acaricia, para que eu fique

Em sua companhia.

E, ternamente me olha.





28/03/2012

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terça-feira, 27 de março de 2012

MÁSCARAS


MÁSCARAS








Alguns teatros Orientais usam máscaras como parte da representação. Não troca a pessoa dos artistas, trocam-se as máscaras. Faz muito sentido.

Nossa vida é um jogo de máscaras e fantasias. Com certeza muitos se indignarão comigo, mas tentarei demonstrar que o teatro está certo e, estamos em boa parte de nosso tempo, sendo personagens deste jogo.

Quando se recebe um convite; ou nele vem impresso o traje, ou perguntamos imediatamente: Como é lá? Ou seja, cada ambiente tem uma roupa, portanto nos fantasiamos [os vaidosos me perdoem, mas é fantasia. Uniforme é roupa de trabalho, toda igual, fantasia tem detalhes]. Vemos o horário, as pessoas que freqüentam este local, a formalidade do mesmo, a posse monetária dos convidados, o local em si, o grau de sofisticação social do mesmo. Aí é que vamos escolher a roupa. Vamos supor um homem, numa festa de smoking. O terno ou costume é padronizado: calça e paletó preto, com a gola do paletó com um tecido preto brilhante, geralmente cetim. Vai todo mundo igual? Não! Cada um deverá chamar atenção no modelo e desenho da camisa, a camisa de tal conjunto é elaborada e permite variações. Além da camisa, também cada qual procurará uma gravata borboleta diferente do resto grupo.

O que percebemos é que pouco restou de nossa individualidade na roupa, apenas a gravata e a camisa. De resto estamos iguais. Poderíamos dizer fantasiados, apenas destacados por dois pequenos detalhes.

Se continuarmos nossa observação, um homem não vai a uma recepção de gala com barba por fazer, como uma mulher não sairá sem a pintura adequada. O cabelo também terá que ter um cuidado especial para ocasião, normalmente será cortado. Portanto, para irmos a tal recepção colocamos uma fantasia e uma máscara.

Assim entraremos no salão, acompanhado de uma postura condizente com a ocasião. Levantaremos os ombros, encolheremos a barriga, faremos uma feição séria, inteligente e interessada ao mesmo tempo. Nossa fala será mais pausada e mais baixa, para não causar impressão negativa. Manteremos este comportamento até a saída.

Ao chegarmos ao carro, geralmente tiraremos a gravata, afrouxaremos o colarinho, mandaremos o paletó ao banco traseiro e acabou a função. Começou outra, a do comportamento no transito, que mudará no comportamento em casa com os filhos e por fim mudará no quarto com o relacionamento intimo do casal, para por fim mudar no sono.

Este é o teatro da vida. Difícil, com adaptações, pequenas transgressões e pequenas trapaças e muitas encenações para que a aceitação persista e o jogo possa se repetir.

Como a vida atual se expandiu, o ambiente familiar, antes restrito, foi ampliado, em muito, com os dois parceiros trabalhando, os filhos em escola para tudo, além do normal o inglês, a computação, até o esporte que passou a ter escola.

As situações se ampliaram e o grupo de máscaras e fantasias também. De inicio começaram aparecer manuais de Boas Maneiras, com a ampliação tornaram-se manuais de etiquetas. Temos hoje revistas, jornais, programas de televisão e livros que fornecem a etiqueta, incluído roupa, postura, maquiagem e comportamento desde ir tomar um banho de mar, até de como se comportar na casa do embaixador de um país.

Esta ampliação de procedimentos terminou por confundir cada elemento do núcleo social. Como conseqüência, as atividades começaram a se tornar seletivas. A participação em cada evento é hoje avaliada, pois o jogo está muito amplo.

Conseqüentemente o núcleo social ficou cada vez mais instável e inconsistente. Tenta se restringir atualmente a poucos locais e poucas pessoas, geralmente atarefadas, com contato nem sempre facilmente disponível, e constante. Ocasionando isolamento social cada vez maior e solidão com suas implicações e doenças.

Paradoxalmente a expansão das cidades provoca isolamento, pois todo relacionamento não passa de um jogo de identificações e nem sempre temos a fantasia e a máscara disponível para participar.

Realmente, estamos em um jogo de máscaras e fantasias e, muitas vezes estamos nus.





27/03/12

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SER EU DE NOVO



SER EU DE NOVO.




Passe logo esta manhã,

Que chegue à tarde

Talvez o amanhã,

Para que a angustia acabe.



De um sonho

Quem sabe?

Meu ser renasça.

Numa fonte da juventude.

Possa eu rejuvenescer!

E aí:

Terei de volta

O rolar livre

Como folha no campo

Sentir a chuva

O sol e o vento

Louvar a noite.

Ser eu de novo!

Aí serei completo

Sendo

Apenas natureza.



28/08/2008

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segunda-feira, 26 de março de 2012

O que ovocê vai ser quando crescer?

O que você vai ser quando crescer?








Uma pergunta que ninguém deixa de fazer a uma criança: O que você vai ser quando crescer? Na verdade uma pergunta cobrança. Diria assim, traduzida as intenções ocultas: Quanto você vai se esforçar e se programar, para ser alguém de destaque na sociedade? A pergunta despretensiosa é na verdade uma cobrança inquisitiva. Nela exige-se que a criança estude, se comporte, tenha os valores sociais de onde vive e projete um futuro.

Todos nós acabamos de fazer esta cobrança cruel. Na verdade se por um lado tem a qualidade de manter os valores sociais e dar coesão a sociedade. Por outro, tem o defeito de fazer o pequeno ser viver o futuro. É na realidade, uma imposição de futuro uma projeção.

Estamos exigindo que se pense o futuro, portanto. O presente, passa deste modo, a ser apenas um rito de passagem, sem valor real, pois o tempo é o futuro: O que você vai ser? Este assassinato do presente tem, sim, conseqüências. Estamos perdendo o hoje.

Noto em meu trabalho, uma juventude triste. Mesmo curtindo as músicas do momento, vestindo-se adequadamente a época e indo as baladas; no fundo se percebe tristeza nas repostas monossilábicas e no olhar baixo.

A maioria trabalha, nem todos estão estudando, mas já completaram o ciclo básico. Não há, portanto problema de falta de escolaridade. Mas, são evasivos, temerosos. Não podia ser de outro modo.

Ao entrar no mundo do trabalho, no auge da juventude, recebe no seu salário o desconto da previdência. Ou seja, o desconto de aposentadoria. Estão, ao mesmo tempo, no começo e fim. Mesmo não percebendo claramente a relação; que é difícil de associar, pois as atividades são intensas, trabalho, estudo alguns, casamento ou noivado, outros com familiares em seus ombros; pesa ainda a sobrecarga de: o que você vai ser? E: como será sua velhice? O futuro que lhe jogaram na primeira pergunta não chegou, estendeu-se a segunda. Não mais é o que você vai ser, mas também como você será como velho e como vai esperar a morte.

Note-se que é um roubo de infância e juventude. Cada vez mais aumenta as horas na escola. A vida moderna e a necessidade de trabalho dos pais assim o exigem. Quando poderia desfrutar o presente, fazer o que gosta, amar, enfim ter uma vida mais livre, a necessidade obriga dedicação, Você tem que ser o melhor funcionário. E preparo para quando se aposentar, ou seja, ficar dependente e morrer. Não é nada alvissareiro.

A incerteza quanto ao presente tem graves conseqüências. Vemos uma violência e marginalidade crescente em todo mundo e a venda de antidepressivos batendo todos os recordes, como os remédios mais vendidos; necessitando meios de controle. Por outro lado a medicação para potencia sexual, que inicialmente se dirigia a idosos, já é consumida em abundância em jovens, aparentemente sadios.

Nossa sociedade encontra-se em uma fase mais acelerada de transição, tanto o comportamento com nossas crianças e jovens, como suas conseqüências são aceitáveis. Mas, cabe aos governos minimizarem, o que não acontece. Para os governantes revoltas são casos de policia e, cada vez que a sociedade entra em ebulição, ao invés de contê-la e procurar corrigir as causas, coloca-se mais policiais em serviço, aumentam as proibições [toda proibição é burra; demonstra incapacidade de lidar com o problema], aumenta-se o castigo e as penas. Marginaliza-se cada vez mais uma sociedade, que já não tinha ponto de fixação no presente, pois tem que viver num futuro que desconhece.

Ou seja, piora-se o que já não estava bom. Estes governantes demonstram um desconhecimento de história [devia ter exame de historia e sociologia para governar] Pois se a sociedade está em ebulição, ela está dizendo que quer novas mudanças e, que alguns pontos sejam de outra maneira. A função do governante é atender a sociedade e tentar, pelo menos amenizar, as agressões que a mesma está impondo e ao mesmo tempo sofrendo.

Mudanças sempre houve na raça humana, desde quando iniciamos a civilização. Levará mais ou menos tempo para um aparente equilíbrio, dependendo das atitudes de seus elementos. Temos que pensar nisso.







tony-poeta pensamentos

27/03/12




OUTONO


OUTONO




Outono

Caem as folhas

Caem planos

Caem amores.



Morrem?



Renascem!



Cada folha que cai

Reascende no chão

A beleza do amor

Reacende na alma

O sol da primavera

Refaz no pensar

A sabedoria do inverno



E refaz a vida

Eternamente.





26/03/12

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BUSCO AMAR


BUSCO AMAR






Sou poeta

Vejo de outro ângulo

Excêntrico, corro os olhos.

Busco amor...

Em todos os gestos

No movimentar das mãos

Na graça do andar

Na expressão de cada rosto,

No sorrir e no chorar.

Meu Universo

Permite sentir

Amar.

Mas...

Também não amar.





26/04/1985

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domingo, 25 de março de 2012

MORREU DE TANTO FICAR NA NET


MORREU DE TANTO FICAR NA NET






Há três dias postaram esta noticia. [MORREU DE TANTO FICAR NA NET]. Não houve muitos comentários. Creio que gerou alguma preocupação. As pessoas diante de fatos preocupantes e, que podem ter a ver com seu comportamento, evitam falar. Como já estava há horas escrevendo, também tirei a pressão. A pressão é um santo exame. Está com dor de cabeça: Mede a pressão. Bebeu demais: Mede a pressão; Dor de corno: mede a pressão várias vezes; e assim por diante.

A pressão estava normal, como em todos os casos anteriores exemplificados. Era quatro da manhã. Preocupado olhei o monitor. Tinha uma moça.

Moça não, uma fada nua; com olhos de jabuticaba hipnotizantes, boca vermelho cereja formando coração, no delinear fino e delicado dos lábios, que deixava entrever a língua sensual e carnuda em movimentos sutilmente provocantes..

Pensei imediatamente na noticia, imaginando que o infeliz rapaz começara a ter tais visões antes de falecer. Mas a tela forçava minha fixação. Transportou-me a um Paraíso a Dois onde tudo era perfeito. A decoração impecável não era desarrumada, mesmo que tirasse as coisas do lugar. Deixei meu sapato, logo na entrada e prontamente reapareceu na sapateira. Fui urinar e os pingos, fora do vaso imediatamente desapareceram e, como que por milagre um perfume de rosas do campo inundou o ambiente.

A fada nua estava vestida em roupas de festa para me servir champanhe. Preferi uísque e sua veste mudou para uma calça jeans que dava formato perfeito ao corpo e uma blusa super sensual que deixava ver a silhueta dos seios e dos mamilos.

Tudo que passasse ao redor era ignorado. A musa era só carinhos, só caricias e, não reclamava, não fazia dengo, não tinha mal humor. Apenas agradava com o toque sutil de quem tem amor.

Pensei: Ou entro na tela, ou ela vem para o quarto. Ainda lembrei-me de imaginar o rapaz falecido, mas o bom senso disse:- Dane-se!

Concentrei-me. Era melhor entrar na tela. Mesmo sendo uma fada, iria dar trabalho arrumar meu quarto, pelo menos dez pares de calçado estavam fora da sapateira, a cama não tinha sido arrumada. Tinha sobre ela um pijama de frio e um de calor. Tinha esfriado a noite, era realmente dentro da tela o lugar ideal.

A musa deu aquele sorriso super doce do outro lado. Seus olhos brilharam com as cores mais envolventes que eu jamais tinha imaginado. Seu corpo como um bale se moveu a meu encontro, para o encontro divinal. Vivo ou morto, não mais importava. Cores forte apareceram na tela e, de repente...

Queimou o monitor.



25/03/12

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