sábado, 5 de maio de 2012

VERSOS E VERSOS


VERSOS E VERSOS




Se os versos hoje saem fácil,

Correm como água do rio,

Por dentro nada é completo

Não sou cheio, nem sou vazio.



Sou a indefinição definida,

Como é toda história da vida.



Se me entusiasmo com formas puras

Silhuetas das musas do amanhã

Junto trago uma bruxa escura

Que fere com uma febre terçã.



Ao mesmo tempo apaixonado

Faço ao luar, cantos com amor.

Sinto no peito forte angina

Suo e tremo com este angor.



Assim corro a vida e a corri

Não sou nem novo, nem sou velho

Dos amores que louco vivi

Dos não vividos escabelo



Mas, nada sei.  Minhas andanças,

Não as ando, bailo imóvel apenas,

Louco ensaio, delirante dança,

Não me movo, olho a dura pena

Onde vivo e morto, ando e corro.

Estático; fixo ao lugar,

Sou apenas árvore ao vento.



06/05/2012

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LUA - ANTI-POEMA


LUA – ANTIPOEMA






Brilha a lua no céu,

Parece um ovo,

Cortada de nuvens

Enrugadas,

Um tanto alaranjada,

é o ovo perfeito

para fazer omelete

dos amores desfeitos.

Saí das nuvens, oh lua!



05/05/2012

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O VINHO


O VINHO






A vida é anormal,

O normal é a morte,

O inorgânico.

Como anormal

Tomei meu vinho

Estava cansado.

A vida ainda é orgânica.



Sem data

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

SURPRESA


SURPRESA




A surpresa nos atinge.

Tem hora que nos derruba,

Muitas vezes é muito triste,

Arrasa-nos, é dor profunda...



Não é esta tristeza

Que eu estou a pensar.

Deixo para os outros!



A surpresa de meu falar

Aquela que nos pega

De supetão, sem pensar

Com um sorriso amarelo

E por dentro...

Por dentro a vibrar.



Para que seja surpresa

Não se pode programar,

O beijo a namorada

Que planejamos dar

Não tem o mesmo efeito

De distraído, ela nos beijar.



Surpresa não é passado,

Pois tem planejamento

Surpresa é o instante

Que faz o enlaçamento,

De uma coisa distante,

Ausente do pensamento.



Quando,

Entra de forma triunfante

Em menos de um momento

Mudo e extasiados

Não estamos no passado,

Nem futuro,

Estamos no firmamento

Como estrela isolada,

Somos apenas nós

Mais nada.

Apenas momento.



Viver é surpresa!



04/05/2012

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PARA NA FORMA DE CRIANÇA


PARA NA FORMA DE CRIANÇA.



Para na forma de criança,

Pequeno anjo maltrapilho, esfarrapado.

Não tenhas nunca as formas delineadas,

Não te avultem os seios,

Para! Não cresças!

Não podes crescer.



És pequena criança esfarrapada,

Jogada na rua, com risonha inocência.

Não sente faltas de vestes brancas,

Não sentes falta de teto sólido,

Por hora nada importa a ti

O que joga a sorte.

Por hora tudo são risos

Tudo é inocência

Não cresças pequeno anjo.



Quando em ti as formas se delinearem

Quando junto com elas vier a malicia,

Que poderás esperar?

Colherás migalhas como agora fazes?

Farás o que?

Nada de bom te ensinou a sociedade,

Nada poderás apresentar a ela.

Ah infeliz! Serás uma em mil se escapares.



Agora que estás na infância

Não percebes a falta de um lar,

Mas, depois?

Onde construirás teu ninho?

Errarás de plaga em plaga,

Como ser anônimo?

Como viverás?

Haverá horas que a fome apertará,

Haverá horas que vestes caras a atrairão,

Terás horror de tuas vestes rotas,

Terás vergonha, Terás revolta,

Não serás ninguém.

Pobre de ti!



Não cresças criança ingênua e inocente

Que em andrajos, corres pelas sarjetas, despreocupada.

Não cresças! Para! Não te cresçam as formas,

Não procure conhecer a sociedade,

Para na forma de criança em andrajos,

Para na forma de criança inocente

Da qual se esqueceu a sociedade.



1965

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ROSTINHO MAROTO


ROSTINHO MAROTO






Escrevo como poesia

Que canta o canto dos sonhos

O quanto acho bonito

O teu rostinho maroto.

Ele parece fazer artes...

Artes de criancinha

Que ri...

Que ri marota [Como a foto de minha carteira]



Queria dizer:- Te gosto!

Brava ou calminha

Com ou sem dores de cabeça.

Quando brinco

Não me leves a mal

Sou brincalhão.

-Gosto de brincar com quem amo.



10/01/1973

MAIO 05/05/1993

MAIO 05/05/1993




Maio,

Mês tranquilo.

Os dias são mais frescos

A disposição aumenta,

Com ela me proponho

A mudar tudo de novo.

Vou viver daqui pra frente,

Vou mudar todos os meus sonhos,

Fazê-los sempre presentes...

Mas antes,

Tenho que aprender a sonhar.

Só sonhando acordarei

E poderei viver plenamente.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

TALVEZ


TALVEZ




Olho o mundo.

Se o descrevo

Vejo-o de fora,

Não estou nele agora.

Reina o talvez:

- talvez, se fosse bela,

- talvez, se fosse linda,

- talvez se fosse culta,

- talvez, se fosse amor,

- talvez, se fosse vida,

Ou a morte...

Ou um canto

“uma seresta que abre a noite,

Brilha a lua e, me encontra”

Nela, talvez eu entre no mundo

E, pertença a ele,

Juntamente contigo.



03/05/12

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DESENCONTROS MATINAIS


DESENCONTROS MATINAIS






Sentia-se

Meio dia, meio noite.

Presumo.

Era meia poesia.

Buscava emprego?

Buscava amor?

Pegava o ônibus.

Cabelo de noite,

Sapatilha de dia

Se vestia.

Naquela hora

hesitante

Ignorava o mundo

Que a ignorava

Não refletia

Nem se refletia.

Acho que não sabia

Se era dia, se era noite

Apenas buscava

Buscava emprego

Buscava amor

Buscava viver e,

Se conhecer...

Sem nada.



03/05/12

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PENSAMENTO 03/05/2012

PENSAMENTO 03/05/12






Quem fica todo tempo olhando o mundo

Não olha a si mesmo.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

INSTANTES


INSTANTES






A vida é feita de instantes

Do prazer só tomamos consciência

Depois de vivido.

Buscamos a repetição do prazer.

Alucinados, nunca o sentimos

Como imaginamos,

E, vivemos num Desejo insaciável

Em errônea busca.

O Prazer é sentir instantes, sem desejos.

O desejo encobre o prazer.



02/05/12

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A PORTA


A PORTA




É de manhã

Sonolento, abro a porta.

Há algo de irreal.



Olho!

Busco em volta.

Procuro.

Nada!

Espero.

O que estou a procurar?



Um som

Batem a porta?

Abro-a.

Nada existe.

Meu pensamento?



Espero,

Ao lado da porta,

O som das batidas.

Espero o que?

Que importa?

Seja manhã, tarde ou noite.

Que importa

Chova ou faça sol

Há a porta.

Chegará sempre uma noticia.

Qual será?

Que espero?

Por que existe a porta?



30/06/1972

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terça-feira, 1 de maio de 2012

LOBOS E SOCIEDADE


LOBOS E SOCIEDADE




Invejo lobos.

Cultuam a lua no penhasco

Nas noites de lua cheia

Uivam...

Uivam alto,

A matilha se aquieta

Para iniciar o louvor.

Homem solitário não é lobo.

Não consegue comungar,

Nem com a lua serena,

Consegue ele louvar.

Homem troca de roupa

Artista de mil papéis,

Rodopia camarins

Sempre a se trocar.

Olhar a lua, sereno...

Nem pensar!

Cada segundo

Nova representação

Um novo mundo

Sem luar

E sem cantar...

Roda o homem no mundo

Mas, sabe apenas chorar.



01/05/12

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PESSOAS


PESSOAS




Pessoas não passam

Marcam.

Ficam vibrando...

Seres são únicos

Como diamantes.

Marcam no espaço virtual da vida

Um traço

Traço sorriso...

Traço presença...

Não existe ausência

Não existe adeus.

Só momentos eternos...

Coisas da natureza!



01/05/12

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

FAZ FRIO COM RESFRIADO

FAZ FRIO COM RESFRIADO




Caiu a temperatura. O corpo desacostumado deixou que se instalasse uma virose. Um simples resfriado. A noite está escura. A corisa é mais abundante que a normal da rinite, que sempre me acompanhou. A sensação é estranha.

O homem, por mais que demonstre força se fragiliza rapidamente. Não o admite. Dá um sorriso e o tradicional: – Estou ótimo! Mas por dentro sua mente fica confusa. Quer colo, como qualquer criança, que acorda a noite e não vê os pais ao lado. Quando estes chegam tenta abraça-los com um objetivo de captura e, gruda o tempo necessário, até a volta da paz.

Enquanto a mulher fica dengosa e chorosa exigindo atenção, o homem assume a capa de macho e tenta ser autossuficiente e isolado.

O que passa na cabeça de um homem em uma noite fria com um simples resfriado?

O homem, por trás de toda dureza, que tenta parecer, sente-se frágil. Este é o momento que é mais sensível. Se se irrita com qualquer palavra que entende mal, coisas banais e muitas vezes alucinadas, sem a menor intenção de magoá-lo, está apenas mostrando a fragilidade que tenta ocultar. Sua agressividade é um grito. É o chamar atenção para que o olhem e papariquem: coisa inadmissível na sua posição de líder, pelo menos que pensa sê-lo, no dia a dia.

Diria que nesta hora estamos diante do maior poeta romântico do planeta. Sensível sente todas as vibrações de afeto positivas e negativas; esta explosão de afetos,  penetram  em seu âmago . A necessidade de extrapolá-lo, dentro de si, já é um poema. Talvez, neste abandono que lhe impõe a doença, sinta as vibrações do ambiente como acordes de uma melodia que acaricia e o protege.

Se o mundo de hoje exige força, este é o momento de conscientização de sua real vulnerabilidade. Talvez, este vírus episódico, tenha a função de fazer ver o quanto somos fracos e sensíveis e, repensar nosso lidar com o mundo que nos rodeia.

Três dias depois, tudo passa. Tudo é perdido. Há o esquecimento e veste-se novamente a armadura social. Volta-se a alucinar salteadores, onde existem moinhos de vento soprando uma brisa suave de música e poesia.

Boa Noite!

FAÍSCAS


FAÍSCAS




Faíscas são movimentos,

Momentos eternos em segundos

Unindo passado e presente.

Fagulhas que unem mundos.

Na silhueta de agora

Encontro o sorriso de outrora.

Transborda a felicidade!

É muito vivo!

Não é saudade.

É no instante vida Impregnante.

Do gesto gracioso do agora

Da moça flor apaixonada.

Nele revejo todas as amadas

No rosário da poesia.

Como podem amores de outrora

Estarem tão vivos agora?

É na faísca, fagulha agitada

Na mente alucinada de um poeta...

Como caleidoscópio em redemoinho

De cores tão vivas,

Repletas,

Onde instantes que se revigoram

Fundem-se os sonhos de outrora

Com o porvir e o agora.



30/04/2012

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CHUVA


CHUVA




A chuva caia

Na alma batia

Cadenciada a dizer,

Que você pertencia

Ao jorro que corria

Regando meu viver.



Na alma chovia

Era o amor que batia.

Era o amanhecer.



30/04/2012

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