sábado, 12 de janeiro de 2013

PORTAL DO ANO NOVO


PORTAL DO NOVO ANO


 

 

Findava à tarde, chovera como sempre acontece nesta época do ano, o sol já ressurgira forte e vigoroso trazendo suas despedidas do dia. Estava eu meio cabisbaixo, um vazio penetrava meus pensamentos, que de sempre irrequietos haviam se acalmados e praticamente não existiam naquele momento, quando uma coloração no ar fez-se presente.

O ar tomou as cores do tempo, a prata da umidade da chuva fundiu-se com o vermelho do astro rei. Tudo parou, parei totalmente também, os elementos fundiram-se: eu e o visível ar nos integramos. O ar continuou ar e eu continuei pessoa, mas nos pertencíamos. Uma saudade triste e alegre se confundia. Uma estranha sensação de prazer e tristeza associada; estava em outra dimensão e esta era de paz, mas trazia comigo uma vibração longínqua de uma perda, mesmo assim, no total havia tranquilidade. A sensação durou alguns minutos não cronometrados, as cores voltaram ao normal, o ar não mais pode ser notado. Tudo passou.

Parecia um conto de fadas, onde abruptamente abre-se um portal a uma dimensão irreal, levando a um mundo novo, de novos elementos. O mundo real cor de prata e ouro parou e se transformou. Os movimentos não mais se fazem necessários, uma vez que o espaço abrangia e correspondia o todo.

Todo ano tenho, num dia inesperado, sempre nesta época e nesta estação, a mesma sensação. A “visão” se repete há anos. Não me lembro de nenhuma perda ou acontecimento real que possa a ter induzido, jamais sonhei me integrar em cores com a natureza, o que perdi?

Perdi sim, realmente perdi muito, fui uma criança nascida no final de guerra. O País permaneceu em racionamento até meus três anos de idade; faltava o básico, este quando aparecia nas prateleiras era caro: uma vida difícil. Minha única irmã nasceu quando já tinha oito anos, a vida familiar era um misto de religiosidade e discussão econômica.

A religiosidade predominava nesta época de final de ano. Os festejos ficavam restritos ao casal e o filho, eu no caso; meu pai vinha de uma família católica muito devota, Dona Palmyra Lopes Gomes, minha avó, ao chegar ao Brasil construiu uma capela na propriedade da família, em Araçariguama, ao Santo de devoção: buscava o Padre aos domingos para rezar missa e, de meu nascimento fez promessa que eu também seria padre como meu tio, que não conheci.

Já José da Costa Navega, meu avô materno, quando chegou ao Brasil foi morar em Araraquara, conheceu em Matão o Senhor Caibar Schuttel, pioneiro do Espiritismo no Brasil e sob sua supervisão fundou o primeiro centro espirita em sua casa. A rua onde moravam passou a se chamar Rua do Espirita [não sei se conservou o nome].

No Natal a religiosidade se tornava intensa. O pequeno pinheirinho era decorado com carinho. Eram colocadas bolas e as velas coloridas afixadas em um pregador apropriado, comum na época. O que me chamava atenção era a bola prateada. Era uma bola de vidro fino, como todas as existentes nestes tempos, onde uma metade era afundada, ficando interna, sendo esta parte pintada de várias cores, com predominância do vermelho.

Na passagem de ano, todas as portas e janelas eram abertas para que o novo ano entrasse e trouxesse a Paz merecida a todos os mortais do Planeta, a luz era apagada. O menino, ingênuo, realmente era muito ingênuo, diante de tanta religiosidade autêntica, via nos reflexos das velinhas estampados na bola prateada com sua depressão vermelha, um portal de contos de fadas, que se formava neste caleidoscópio com seus reflexos e suas inúmeras imagens de fantasia.

Fazia a poesia de um mundo diferente, onde só a Paz era possível. Neste portal imaginário adentrava, junto ao novo ar que circulava livre pela casa, outro mundo vermelho com reflexos prateados, igual aos que se formaram durante todos estes ano, e me encantam.

Este outro mundo ficou na imaginação do ex-menino; hoje, quando o ar assume aquelas mesmas cores, voltam às fantasias de um mundo de paz, contrastado com a realidade deste mundo de guerras, artimanhas e sabotagens em que vivemos; mesmo assim alegre e triste entro por poucos minutos no saudoso portal de minhas fantasias de criança.

Espero que um dia, um outro menino possa adentrar alegre este portal, bastando para isso que o humano compreenda que: para se humanizar, necessita reconhecer que as ações destrutivas são puramente instintivas, iguais a todo e qualquer animal e, somente as dominando, conseguirá que as mesmas se modifiquem, para merecer realmente a denominação de Ser Humano.

 

13/01/13

Tony-poeta

 

 

SACRIFÍCIO NO AMOR


SACRIFÍCIO NO AMOR

 

 

Doação sempre... Sempre doentia

A vibração sem calor

Nunca aquecerá o dia

Perder-se-á sem ocaso.

 

As referencias: aqui ou lá

Sem luzes e sem sentido...

Perdidas!... Espaço sofredor!

Sem amor ou desamor,

Não será nem tormento

Dos ecos no firmamento

Pois o espaço inexiste

 

Tanto o alegre ou o triste,

O hoje e o ontem, o amanhã,

No recanto escuro: nada!

Sombras sem luz inexistem!

 

Sem data

Tony poeta

 

 

 

 

 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

CEP


CEP


 

O beijo

Que mandei ao vento

Para te encontrar

Voltou

Não achou o endereço

Não deixaste o CEP

Ao me abandonar.

 

Tony-poeta

 

JOIA FALSA



JOIA FALSA

 

 

És jóia falsa, imitação vulgar

Da obra prima, daquele primor

Ao qual meu coração, todo em amor,

Parou obcecado só a lembrar.

 

Certo dia, num sorriso e um olhar,

Outra jóia reavivou aquele amor

Parecendo tapar com ardor

Meu mal de paixão e, o cicatrizar.

 

Mas foi falso, foi uma imitação,

É o mesmo e não é, assim, por que será?

Que quereis duro coração?

 

Pois, se não tens a jóia verdadeira,

Aceita ao menos, por favor,

A falsa que te dedica amor.

 

 

1965

 

 

O QUE QUER UMA MULHER






Noturno,

Soturno,

O que quer uma mulher?



Como saber?



Se não desgastasse o luto

De cada luta perdida?

Como entender?

Se o andar resoluto

Desta busca aguerrida,

Para pertencer,

Chamar de querida,

Neste gesto impoluto...

Somente restou a batida

Languida da um som mudo?...



Mas ainda...



Noturno

Soturno

Busco todas Marias.





quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

RESSACA


RESSACA


 

Vento cantava forte

Nas frestas da janela,

Lembrava toda má sorte

Só falava o nome dela.

 

FECHEI A JANELA

 

O vento seguiu a cantar

Em sua passagem no tempo

Falava que não podia a amar

E da dor que ainda lembro.

 

LIGUEI O SOM

 

A musica e a poesia

Tocando na reclusão

Chorava até gemia

Lembrando esta paixão.

 

DESLIGUEI O SOM

 

Tomei um porre danado

Da mais pura aguardente

Acordei meio chumbado

Mas estava contente.

Esqueci o nome dela

Esqueci esta aflição

A cabeça: Se doía,

Não doía o coração.

 

10/01/13

Tony-poeta

 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

CHUVA E SOLIDÃO


CHUVA E SOLIDÃO


 

 

Bate em cadência

Monótona...

É noite

É chuva

Solidão.

Bate suave

Bate lá dentro

Angústia interna

Falta...

Falta presença,

Tua presença

Tua mão

O mundo é imenso

Como é grande!

Tua mão

Presente

É força

É saber ter alguém

Não ser perdido

Na cadencia que bate

A mesma tecla

O mesmo som

Do meu abandono

Da noite

Da chuva.

 

08/01/13

Tony-poeta

RENOVAVEIS


RENOVÁVEIS


 

Na sociedade as coisas se renovam:

A casa em dois anos necessita pintura,

Em cinco reforma...

O carro pede outro em cinco anos,

O computador em dois,

O celular em um,

O tênis em seis meses...

Como faz quem tem sessenta anos?

 

Tony-poeta.

08/01/13

 

 

PARAISO


                                 PARAISO


 

 

A vida na Terra é continua mudança, porque não dizer: Frenética!

Tudo muda em instantes, não existe nem um ponto de descanso; é mudar, sempre mudar.

A vida dos habitantes do planeta, em suas fases, de larvária até a morte, não permite paradas; nada para, nunca para, é uma constante metamorfose, onde cada segundo é diferente do anterior e do posterior.

A busca do Paraiso é apenas a busca de uma estabilidade que desconhecemos, não temos ideia de seu formato e de suas propriedades.

Todos buscam um lugar de estabilidade, onde a perfeição impere e a mudança não mais seja necessária, porem, este lugar se pensarmos bem será chato e monótono.

Não estamos condicionados a ter nem viver neste local, por assim dizer: Parado.

Conclusão: O paraíso é chato.

O que na verdade queremos é um breve descanso.

 

Tony-poeta

08/01/13

 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

o comprador


O COMPRADOR


 

A placa dizia:

 

VENDE-SE

CORRETOR [A] DE PLANTÃO

 

Linda morena era vendedora

Fui comprar...

Disse-me que não estava a venda

Propaganda Enganosa.

 

Tony-poeta

 

domingo, 6 de janeiro de 2013

O VETOR


O VETOR


 

Somos a somatória dos genes de nossos ancestrais.

Isto faz que nosso comportamento se dirija conforme a pressão vetorial de cada elemento, sendo um vetor desta somatória.

Nossas reações são, portanto vetoriais, adaptadas pelo modo que captamos os ensinamentos sociais transmitidos.

Somos na verdade um vetor de milhares traços genéticos.

Temos reações mais ou menos previsíveis para eventos previsíveis.

No imprevisto não há autoconhecimento, nem uma reação esperada.

É bom pensar.

 

Tony-poeta

 

MEDO


MEDO



Variamos entre o medo e o poder.

Um se equilibra com o outro, muda apenas a posições.

 são duas formas de medo.

Somos seres do medo!


Tony-poeta

PRAIA


PRAIA


 

Ando ao sol

Buscando a sombra

Para não me queimar

Gata deitada

Moça branca

Vai arder sem bronzear.

Ideal seria uma choupana

Para sonhar e amar

Ando no sol

Busco a sombra

Estou só a olhar...

Olho tudo,

Na verdade:

Todos olham...

Onde fica esta choupana

Onde fugimos para amar?

 

06/01/13

Tony-poeta