sábado, 8 de dezembro de 2012

MENSAGEM


MENSAGEM


 

De tudo que tens,

Olhes bem.

Vasculhes todos os ângulos,

Aproveite!

O segredo é procurar.

Procures!

Sempre haverá o novo

No que julgas velho.

Sonhar,

Com o que não se tem

É desgaste.

Curtindo o presente

Prepararás o futuro.

Ele virá espontaneamente.

Curta o agora.

 

08/12/2012

Tony-poeta

 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

FUMOS DO PRAZER


FUMOS DO PRAZER


 

Solto fumaça,

A brasa queima,

Curto o nada

Tenho prazer...

O prazer queima,

O adeus e o nada

Queimou passou

Esfumaçou o ser.

Sou o cigarro

Virei fumaça...

Tu eras o cigarro

Sumiste no ar.

Queimou o amor...

Em cinzas apagadas

Apenas velho cinzeiro

Cinzas mortas

Mais nada...

 

07/12/12

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LADRÃO DOS CORREIOS

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LADRÃO DOS CORREIOS


 

 

O carteiro estava sendo roubado. Fazia entregas com a moto amarela dos Correios e foi rendido por dois homens que dirigiam uma moto sem placa.

- Passa o bagulho que esta levando.

- Só tem este pacote.

- É ele mesmo.

Os meliantes pegaram o pacote e saíram rumo ao morro. Lindomar, nome do carona, reclamou:

- Eta pacote pesado!

- Deve valer muito. Ouvi o professor falar que era valioso. Falou Gentil, apelido do motorista.

- Pesa demais... Insistiu Lindomar.

- Deve ser coisa boa. Reforça Gentil. O professor quando perguntou pro porteiro se o pacote tinha chegado, estava preocupado com a muamba, eu ouvi.

Chegaram ao barraco do Morro do Gringo. Era uma favela, fruto de uma invasão comandada por um tal de Gringo, pois falava arrastado. Só morava trabalhador. O pessoal do crime ali morava e se escondia sem dar na vista. Claudinho, o gerente, não queria a Lei subindo, para tanto proibia roubos ou aprontos na vizinhança, nem que cheirasse ou fumasse em público, muito menos que se andasse mostrando armas.

- Tinha que ser discreto, assim ele dizia.

Ali ele recebia a droga, embalava, distribuía.

Lindomar e Gentil eram “mulas”, tinha mais gente fazendo este serviço. Levavam as drogas a outras comunidades, de moto ou a pé pela mata que rodeava. Com o dinheiro viviam no barraco, quase caído e pagavam o vicio. Quando não tinha serviço roubavam porcarias.

Entraram onde chamavam de sala, na verdade só tinha um sofá velho. Colocaram o pacote sobre ele e abriram com bastante ansiedade.

O papel amarelo cobria uma caixa, esta bem lacrada com fita adesiva grossa. Pegaram uma faca e romperam a fita. Depararam com oito livros encadernados de vermelho.

- Que bosta! Falou Gentil.

- Que fria, completou Lindomar. O que a vente faz com estas porcarias.

-São livros, retrucou o companheiro, deve servir para alguma coisa. Vamos ver.

- Tá escrito em estrangeiro, falou com desprezo Gentil. Não sei o que é.

- Vai se saber?

Passava Guto pela rua. Era um rapaz da comunidade que fazia vestibular. Ali imperava a lei do silencio, ninguém via nada e, nada acontecia. Claudinho era bravo. Ninguém mexia com ninguém.  Nada se falava. Seguindo alei era um lugar calmo e seguro.

- Guto, vem cá, falou Lindomar.

- O que é?

- Que livros são estes?

- Você roubou aonde?

- Eu achei.

- Livro de filosofia? Achar na rua? Conta outra.

- Tá, fecha o bico. É livro de filosofia?

- É, e é de coleção, está encadernado.

- Encadernado?

- Sim, são todos com a mesma capa. Tem um carimbo Dr. Gusmão. É da biblioteca deste homem.

- É por isso que são vermelhos? Indagou Lindomar.

- Sim.

- Vale alguma coisa, continuou o ladrãozinho intrigado.

- E lá eu que sei, te vira. E Guto foi embora.

- Que fria, falou Gentil. Vamos ver se o Cigano troca por algum barato.

- Vamos lá.

Cigano, o traficante da comunidade vizinha, recebia ordem do Claudinho e tinha sua freguesia. Os dois meliantes faziam entregas para ele e, compravam dele também.

- Cigano, olha este bagulho, falou Lindomar.

- Livros, pra que eu quero isto.

- São encadernados, reforçou.

- E daí?

- Deve valer uma nota.

- Não aqui, te manca. Vocês ainda têm credito, se quiserem levem esta farinha e tragam dinheiro. Este bagulho não interessa.

Pegaram o pó, voltaram para o barraco. Sentaram olhando para nada. O rádio tocava, quando deu a noticia:

- Roubo inédito nos Correios. Tem havido vários roubos nos Correios, este chama atenção pelo conteúdo. Foram roubados livros raros de filosofia. Eram da biblioteca de um conhecido filósofo Dr. Gusmão, já falecido. A policia acredita que seja um furto encomendado por algum colecionador, já que se trata de raridades.

- Não falei que valia muito? Flou Lindomar.

- Mas não vende, completou Gentil. Vamos jogar fora o bagulho.

- Aonde?

- No lixo.

- Tá louco? Dá bandeira.

- Vamos enterrar.

- É fria, vale dinheiro.

- Ninguém compra.

- A banca de jornal vende livros, será que não compra?

- Estes eu nunca vi.

Ficaram olhando para os livros. Quando Gentil falou:

- Sujou. Claudinho tá vindo e com capangas.

- Vichi! Vamos esconder o negócio. Falou Lindomar já com medo.

- Aonde?

-Em baixo da cama.

Claudinho entrou chutando a porta e falando:

- Vocês tão dando bandeira.

Os dois tremiam e estavam pálidos, desfigurados, não conseguiam falar.

- Aonde estão os livros.

- Ali, apontou Gentil para debaixo da cama.

- Pega logo, falou Claudinho.

Olhou para os livros e continuou:

- Agora pé de chinelo rouba livros. E ainda na boca da comunidade. Querem que a Lei suba o morro?

- Não, falaram os dois juntos, se desculpando.

- Vocês não prestam pra nada. Desta vez passa, mas da outra, fez sinal de cortar o pescoço.

Os dois continuavam tremendo.

- Vão fazer uma entrega no Buraco da Onça pra pagar a cagada, entrega direito e vê se voltam vivos; seus tranqueiras.

Falaram sim, tremendo e foram correndo pegar a encomenda para entregar.

- Tição, põe os livros no meu carro, falou para o segurança.

Chegou na hora da janta na casa. A casa do Gerente fica no ponto mais alto do morro. É uma casa boa e com visão de estratégica para fugir sob o perigo de qualquer ameaça. Desceu carregando os livros.

- Como pesa!

Foi até a estante da sala, arrumou direitinho numa prateleira. Deu dois passos para trás, olhou e sorriu. Falou consigo mesmo:

- Ficou bonito, vai ficar de enfeite, a lei não sobe aqui mesmo. Meus amigos vão achar que sou estudado. Gritou:

- Moooooo! Vem cá!

- Que foi, falou Jeniffer, sua companheira.

- Olha, aí...

- Tô olhando, desde quando você lê?

- Mas não tá bonito?

- Tá, deixa aí completou a esposa.

- Porque você não lê? Cutucou Claudinho.

- Tu tá viajando? Vai passear...

Ambos foram jantar.

 

07/12/2012

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O VELÓRIO


O VELÓRIO


 

 

Era considerado muito seguro, não gastava dinheiro com nada, mas... Sonhou que morreria em uma semana.

João de Souza, assim era seu nome, acreditou no sonho.

- Foi muito real, dizia, meu pai veio e falou francamente como falava quando era pequeno.

Sentiu-se só e sem amigos. Ficou com medo que ninguém o velasse. Resolveu preparar o velório.

Contratou o conjunto do Zeca para animar, afinal era seu primo e não tinha emprestado dinheiro para que ele comprasse o violão.

- Vamos ver se me perdoa, pensou, não imaginava que tinha talento e faria sucesso na nossa cidade.

Chamou o buffet da Mariazinha com quem não quis casar.

- Pelo menos assim ela vai me ver, pensou. Quase que tive cinco filhos, ainda bem que foi com o Paulinho. Que despezão!

Chamou o pessoal do boteco do Raimundo, aonde nunca ia para não gastar, e o time de futebol da cidade.

- Vamos ver se assim me perdoam de não participar das vaquinhas da compra de camisas e das bolas. Até me proibiram de ver o jogo, pensava. Depois perdoaram, mas ninguém batia papo. Nunca perdi um jogo. Eles deviam ficar contentes com o torcedor. Com a festa eles vão, ah, se vão!

- Quem mais quiser, pode ir, afinal não quero morrer sozinho.

Comprou o caixão, o mais barato:

- Vai estragar em baixo da terra, para que gastar, pensou.

Pagou adiantado o velório e a cova, a última do cemitério:

- Que gasto bobo, ninguém vai gastar vela comigo.

Deitou na véspera esperando a chegada da morte.

Acordou, estava vivo,

- Pode ser durante o dia que vai ter o desfecho, meu pai não mentiria, pensava, mas sentia-se muito bem.

Meia noite: estava vivo, o sonho não se realizou:

- Meu finado pai é um mentiroso, gastei meu dinheiro à toa! Repetia indignado.

 

05/12/12

Tony-poeta

MORTAL


MORTAL


 

Destes muitos cortes

Cobertos com unguentos,

Levanto, fico forte,

Depois me arrebento.

Ando só na ventania

Sempre a vida é igual

É o vento que varia,

Pois sou pobre mortal

Vivo até qualquer dia.

 

05/12/12

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OBJETIVO DE VIDA

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OBJETIVO DE VIDA


 

Conversava sobre o pequeno cão da vizinha, o animalzinho apresentava, segundo o veterinário, um câncer na garganta e, havia sido sugerido seu sacrifício; dado o grau de sofrimento imposto pela doença. Outro profissional seria consultado para confirmar o trágico veredicto.

Foi aí que me ocorreu a pergunta:- Qual o objetivo de vida deste animal?

Como é habito da espécie humana, tudo tem que ter um objetivo traçado e a ser alcançado. Como seria este, num animal que convive com outra espécie, a nossa, tendo que se adaptar a outros hábitos?

Creio que o animal se habituou; aprendeu o modo de vida humano, mesmo com comportamentos estranhos a ele; fez seus horários de brincar, comer, dormir e ser agradado, coisa que se for esquecida ele vem exigir, até com certa insistência. Tem momentos alegres onde abanando o rabo, com vocalizações e gesticulações, faz festa; momentos que se isola, como que pensando em si e, também momentos, onde desagradado por alguma razão se torna malcriado, urinando ou evacuando em locais não apropriados em sinal de protesto.

Quando compro um presente para ele: Ou um alimento que gosta, ou uma bolinha para jogar, ele demonstra espontaneamente alegria, ou devorando avidamente o alimento, ou levando o brinquedo à proteção de sua casinha. Realmente criou hábitos muito semelhantes aos nossos.

Mas seu objetivo de vida? Não há? Existe sim, é o mesmo de todo ser vivo. Tendo um abrigo, não importa qual; alimento, companhia: [Nenhum animal vive solitário, sempre pede outro a seu lado, li um artigo que baratas, isolando um elemento, este entra em depressão].  Se possível outro animal da mesma espécie, para que possa copular e perpetuar a linhagem; tudo mais é acessório. O objetivo de vida é apenas viver. O restante é criatividade adaptativa, detalhes para ter mais conforto, ou seja, supérfluo.

Isto vale para qualquer animal, inclusive ao homem. Muito do que reclamamos não tem o mínimo sentido. É bom pensar!

 

05/12/12

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O NOVO E O VELHO

O NOVO E O VELHO


 

Estamos numa sociedade onde o novo é louvado e proclamado como o futuro presente, e a solução para todos os problemas.

Realmente a fibra ótica e o sistema de computações aproximaram o planeta e destrincharam elementos antes incessíveis ao ser humano nas áreas de geologia, oceanografia e no próprio corpo do homem.

As noticias chegam instantaneamente, o que antes era feito por telegrafo ou cartas, sendo possível ver instantaneamente o que ocorre em qualquer lugar do planeta.

O estudo da reprodução e genoma permite corrigir pragas da lavoura, melhorar o diagnóstico das doenças e já se consegue realizar clonagens de animais com bons resultados.

Quanto à vida humana, esta segue com suas inseguranças e medos, onde a tecnologia explorando misérias e desgraças o difundem de forma alarmante, a ponto de grandes sociólogos se preocuparem com o Império do Medo imposto a população. Veja Baumann e Sennet com ótimos livros trazendo analises consistentes.

Na vida comum dos habitantes, o distanciamento, individualismo e as doenças nervosas principalmente a depressão avançam a passo largo, como efeito colateral do sistema que quer exigir do vivente, a eficiência e a precisão das máquinas recém-descobertas. Cada resultado em desacordo com as normas é severamente admoestado e se houver a mínima possibilidade de risco a alguém, imediatamente é jogado nos meios de comunicação, linchando o agente da falha e espalhando pânico a população.

Já na parte econômica, politica, jurídica e jornalística a situação muda repentinamente. Não há interesse em modernizar o poder. Toda ideia nova, toda possível melhoria, novos métodos de administração, controle, justiça e jornalismo são imediatamente taxados de subversivos e contrários à modernidade e atacados agressivamente pelos meios de comunicação.

Caso a população venha reivindicá-los em concentração e passeatas ordeiras, como aconteceu no mundo árabe, nos EUA e Europa, os manifestantes são presos acusados de desordem pública e baderna.

A insegurança da população e sua perspectiva de futuro não acompanhou o avanço tecnológico, o relacionamento pessoal cada dia mais se deteriora; já se falando de novas formas de família nas discussões sociológicas, já que este modelo se esgotou.

Somos uma sociedade insegura com o amanhã, impossível de programar, com medo e sem planejamento, já que termos apenas tarefas de trabalho e finda as mesmas, muda-se o grupo e temos que aprender novas habilidades, já que o mercado assim exige.

Deste modo temos uma sociedade moldada como “moderna” com costumes impostos, nem de longe adquiridos, como é o normal dos viventes. Um Mercado que impõe todo nosso comportamento e, um sistema administrativo, que se porta como um sistema de domínio totalmente conservador na sua forma de poder, com resquícios dos Impérios.

Há necessidade urgente de revisão.

 

Tony-poeta

05/12/12

 

 

DESPERTAR JOVEM


DESPERTAR JOVEM


 

 

Oito horas, tocou o despertador. Picolé [assim era seu apelido] levantou automático sem pensar. Foi ao banheiro, lavou mal e mal o rosto, passou uma pasta nos dentes, tomou o café que estava pronto.  Sua cabeça continuava vazia, era um montão de letras batendo nas paredes do cérebro sem formar uma só silaba.

Não pensava em nada, nem dava: as letras não se entendiam dentro de sua cabeça, não formavam nem silabas, nem notas para algum solfejo. Ficou parado por tempo indeterminado olhando o nada, só podia olhar o nada, para olhar alguma coisa tinha que nomeá-las e as letras insistiam em ter individualidade e não se juntarem. Deitou novamente.

Meia hora depois abriu os olhos, olhou ao redor sem diferenciar nada, a mente começou a batucar... Tum!...Tá... Tum... Tá... Bem lento e cadenciado. O tambor ficou algum tempo batucando em sua cabeça, mas já havia um sentido, pelo menos uma sequencia.

Tum... Tá... Teca...  Sim! Teca ficou de sair hoje. A musica ficou agitada, mais rápida que a Cavalaria Rusticana em seu movimento máximo. Teca... Teca... Como não lembrei?

Rapidamente vestiu-se e foi tentar vender um titulo, já que era vendedor. Tinha que namorar: à noite e precisava do dinheiro para pagar a conta e dar uma rosa, afinal tinha que ser romântico.

Saiu apressado com sua pastinha, pensando: Hoje juro que não vou emprestar de meu pai...

 

04/12/12

Tony-poeta

 

domingo, 2 de dezembro de 2012

POÇA D'AGUA

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POÇA D’AGUA


 

 

Fora, a chuva cai:

Enxurrada do passado,

Dentro,

Poças de recordações.

O trovão dá o despertar

Que não houve

Ou se fez surdo,

O passado nunca desperta,

Apenas se repassa amuado.

As aguas seguiram...

Ficou apenas a poça profunda

Escura, fechada

Na água estagnada

Pelas paredes.

Apenas empoçada.

 

02/12/12

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