sábado, 26 de maio de 2012

BATE VIDA

arte paulo roberto roos

BATE VIDA




Bate o vento,

O vento bate

Forma até redemoinho

Foi ele que levou

Teu amor e teu carinho.



Bate a vida,

A vida bate

Tritura como moinho.

Foi ela que levou

Teu amor e teu carinho.



Bate o tempo,

O tempo bate

Bate bem devagarzinho.

Foi ele quem triturou

A vida e seus caminhos.



Bate o vento,

O vento bate...



26/05/12

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HÁ DEZ ANOS


HÁ DEZ ANOS




Aos quinze anos

Tentei fazer para você

Uma poesia de amor.

Desenganos!

Até hoje não sei por que

O vento a levou.



Hoje já faz dez anos

Comecei a lembrar

Foi a vida

Voando em desenganos

Que me fez teu nome chamar.



Comecei no borrão

De minha caneta

Fúnebre como eu

Em tinta preta

Descrever o que foi meu.

Comecei a te falar...

Recordar,

Lá no ginásio

Lado a lado na carteira

Teu jeitinho...

Toda faceira

Sempre, sempre a me olhar...

Eu, todo encabulado,

Era moleque coitado,

Não sabia te falar.



Hoje num boteco,

Um lugar qualquer

Habitual a mim

Distante de ti,

[Pois quando a vida quer assim se faz]

Lembro.

A obra prima que escrevia,

Triste recordação!

Foi levada por um vento

Sem nenhuma consideração

Com meus sonhos,

Os tragou a solidão.



Agora escrevo

A fossa da obra prima

Que eu, poeta, tenho a sina

De mil poesias escrever

Para ti,

E nenhuma permanecer.



29/04/1971

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COTIDIANO


COTIDIANO





Por mais bonito que fale

Nunca chegarei ao êxtase da melodia

Ou a perfeição do canto.

A fala falsifica o ritmo da vida.

O recém-nato não fala:

Canta o burburinho dos anjos,

O ritmo de uma vida,

O ritmo da natureza.

A fala se dirige ao Outro,

Ela nos torna Eu,

Só para reivindicar.

Perdendo o ritmo e a harmonia

Foge o Paraíso,

Cai no cotidiano...



Sem data

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amor transparente


AMOR TRANSPARENTE





Vou fazer um verso transparente

Para a mulher completa e diferente

E, jogar no sideral.

Nas galáxias e fracassos

De seres azuis esverdeados,

Rosa choque e algo mais.



Uma mulher transparente

Invisível e diferente

Não é rosa, nem azul,

Não é de marte, nem do sol...





1973

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

A PAZ DO CANAL DE BERTIOGA

A PAZ DO CANAL DE BERTIOGA


Hora mais clara do dia.
 O Canal absorve a paz que ali mora e contagia o redor.
Nada se move tudo tem uma aura. São aureolas finíssimas circundando a paisagem.
 Nada se movimenta
Parou a vida, ali atingiu o Maximo da força.
Neste todo envolvente, que olho e participo sou integrado.
 Há paz. Muita Paz.
 A paisagem e eu como pintura se emolduram.
Nada se move. As águas reposam.
 O vento não mais sopra;
Gaivotas, garças e mergulhões empoleiram-se nas embarcações ancoradas   
Pertencem à paz do Canal.
Não existe sensação igual,
 A paz total eleva o ser à integração e a natureza;
É como o amor pleno e absoluto a amada
Se aninhando nas curvas
O sonho atingindo o não pensar;
É como a passagem do Sábio das Montanhas
Que conhecendo todas as virtudes do Universo   
Integra-se e repousa na Paz absoluta.  
Amor e morte se comungam na paz.
 A Paz do amor total,  
A morte da tarefa vencida com galhardia.
O canal nesta hora é vida e morte.
É amor.
O Canal é a vida.

25/05/12

quinta-feira, 24 de maio de 2012

AS SENHORAS DO PAS


AS SENHORAS DO PAS




Fui atender no PAS. Estávamos no ano de 1994, uma Cooperativa me procurou para atender os doentes de tuberculose.

Apesar de ser na COHAB Arthur Alvim lugar considerado perigoso e a má fama do PAS fui dar uma olhada. O horário das 16 às 19 horas era vago na minha agenda e o salário compensava.  O acesso era por Metro e VAN, muito fácil. Estava no Tatuapé, vinte minutos sem ter que enfrentar trânsito de carro; o Metro na época era vazio. Acabei aceitando.

Era um prédio já antigo, muito grande e mal aproveitado. Cabia um Hospital, mas ninguém percebeu. O Hospital mais próximo da Vila Nhocuné vivia lotado.

 No horário seria o único médico e mais cinco funcionários. Como em muitos dias não tinha nenhum paciente da doença, e tivesse que ficar no posto para não configurar abandono, foi solicitado e aceitei atender alguns doentes de clinica.

Notei que quase diariamente compareceram grupos de cinco ou seis senhoras idosas, sempre vestidas com capricho e perfumadas. Vestiam a melhor roupa que possuíam. Todas eram viúvas, tinham um apartamento no núcleo.

Os apartamentos tinham dois quartos, sala cozinha e banheiro, foram projetados para um casal e no máximo três filhos. Eram portadoras de hipertensão, diabetes ou dor na coluna, enfim doenças da idade.

No mês seguinte todas nos mesmos grupos voltaram, vestidas com carinho, cheias de pó, perfumadas e com algum adereço.

Tinha imaginado que no primeiro mês a frequência era devida a curiosidade do novo médico, as pessoas em comunidades fechadas tendem a ver como é o profissional e trocar informações positivas ou negativas sobre o mesmo. Não parecia o caso, estava diante de um ritual.

Já tinha sido informado do ritual da comunidade onde senhores aposentados, em grupos de quatro a seis se reuniam, liam ofertas de Super Mercados em prospectos e jornais, e como não pagassem ônibus nem metro andavam São Paulo inteiro para comprar no melhor preço e esticar a aposentadoria. Sobre mulheres não tinha ouvido nada.

Examinando estas sorridentes e afetuosas senhoras, notei que tinham um leve cheiro de bebida alcoólica. Fiquei mais intrigado. Estaria frente a um grupo que se alcoolizava? Não parecia.

Mês seguinte resolvi tirar a limpo. Indaguei como era o ambiente familiar, já que as imaginava morando só ou com um filho.  Não foi o que descobri. A situação na época era de desemprego, os filhos e filhas casados destas senhoras ficaram desempregados. Voltaram à casa de mamãe com o cônjuge, os netos e às vezes um ou dois bisnetos. Tudo no apartamento popular.

Mas não encerrava o caso. Com a situação de desemprego, também entraram de sócios na aposentadoria do idoso. Realmente uma situação deprimente.

O ritual consistia então, uma vez por mês, as idosas se reuniam para ir ao médico, se arrumavam como que para uma festa, compravam um litro de Martini, tudo com algumas horas de antecedência. Ficavam batendo papo e depois iam buscar o remédio. Era o lazer mensal das mesmas.

Foram religiosamente a consulta até acabar meu contrato.



24/05/2012

  


FIO DE CABELO


FIO DE CABELO




Arrumava velhos livros separados

De coisas que passaram e já li,

No meio brilhava de modo estranho

O livro que te dei,

E recebi de volta quando te perdi.

Se livros tem uma força estranha

Entram mesmo sem ler em nossas entranhas

Aquele brilhava as cores do passado

Como que dizendo:

Nunca, jamais serei enterrado.

Dentro de ti vivo como sempre vivi.



Tremulo... Saudoso... um tanto choroso

Olhei a joia guardada que lembrava

O passado que sorriu e chorou

E em sonhos me rodeava.

Inseguro: peguei o livro da saudade,

Num repente, a esmo, o abri.

Longo fio de cabelo negro

Estava na página do acaso.


Vivem fios de cabelo eternidade?

Pensei.

Nele te vi.

Era o mesmo cabelo agitado

Que se movia ao roçar do vento



No dia que te perdi.



24/05/12

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

O ACERTO DE CONTAS


O ACERTO DE CONTAS




João estava injuriado, Clarice quase todo dia falava que Marcelo chegara com papo estranho do lado dela. Eram todos do mesmo grupo de adolescentes e os dois namoravam há três meses.

Ele, filho de japoneses imigrados já adolescentes, que mal falavam o português, era quieto e inseguro. Não frequentava muito a colônia japonesa, pois crescera em uma região só de brasileiros, deste modo ficava deslocado nos dois lugares, tanto com os Nisseis como com o pessoal local. Isto fazia com que ele fosse quieto e introspectivo.

Clarice, não ficava atrás em termos de insegurança, sempre fora insegura, isto fazia com que ela medisse obsessivamente o amor que lhe era dispensada, exatamente a atenção que achava que João não fazia, Certa vez leu que se despertasse ciúme o namorado este daria mais atenção. Suas amigas concordaram.

 Marcelo, que fazia cursinho para engenharia e estudava junto com João era falador e galanteador. Com seus um metro e oitenta e, físico atlético fazia tudo para aparecer mais que seu tamanho. Foi o escolhido como o terceiro que despertaria o tal ciúme, e se falasse que a roupa estava bonita, imediatamente dizia para João:

- Ele falou que sou muito bonita. Na ideia dela seu namorado ia se desmanchar em carinhos pelo ciúme despertado.

O mirabolante plano estava dando efeito contrario: se por um lado João ficava com ciúme e raiva, por outro não entendia como Marcelo, que estudavam juntos, que os pais dele gostavam que andasse com João, pois este forçava o grandão a estudar, e até seus pais gostavam dele, ficava atentando sua namorada.  Isto o deixava mais calado e menos carinhoso.

Com a proximidade do vestibular a coisa piorou. Neste ano de 74 houve a unificação de vestibulares das faculdades escolhidas. Aumentou a concorrência, que já era grande, João sabendo as dificuldades da família, estudava com mais afinco, já que seria difícil fazer mais um ano de cursinho.

Clarice, por sua vez, certa que não estava preparada para passar no exame, queria toda atenção, o que não conseguia. De inicio pensou que era por não ser Nissei, os pais de João demoraram em aceitar o namoro. Até pensou que era pelo vestibular. Conversou com suas amigas.

Expos o problema, fizeram mil e uma considerações que as adolescentes costumam fazer, e por fim sua amiga Darlene, a mesma que tinha sugerido o ciúme, falou:

- Você tem que testar se realmente ele te ama. Aumenta bastante o ciúme dele, aumenta mais o que Rogerio falou e daí ele vai cair de carinhos. Senão é que ele não gosta de você e daí é hora de cair fora.

Clarice hesitou em adotar esta politica de choque, afinal gostava de João e tinha medo de levar um fora. Por outro lado todas suas amigas concordaram com Darlene, e ela, mais confusa ficou pensando em como fazer.

Quando foi a São Paulo fazer a inscrição, junto com sua mãe fizeram algumas compras na Rua Direita. Com ela foi ao cursinho, era uma blusinha azul que havia comprado. Era um modelo moderno, dava para notar que não era roupa habitual da cidade. Rogerio, como sempre extrovertido brincou:

- Blusa nova, hein! Está muito bonita. E foi embora.

A noite contou para João que Rogerio falou que ela estava atraente. João ficou super nervoso. Levou-a para casa às nove e meia, não as dez como era o costume deles e da cidade. Mal falou com os pais de Clarice e foi para casa. Estava com pressa. Tinha visto o Rogério tomando cerveja com os amigos.

Foi até o armário e pegou o revolver. Era uma Mauser alemã, relíquia de coleção, que estava guardada para custear seus estudos. Valia oito mil. João sabia atirar com ela, pelo menos ele achava. Deu cinco tiros quando visitaram o tio Yoshi. Ia dar uma dura no Rogerio e se precisasse metia bala.

Com o rosto frio, sem denotar nenhuma expressão, pediu a seu pai para sair. Com a Kombi, carro de entregas da família, que por ser de sustento ficava guardado, sempre se andava a pé. Foi pro barzinho. Rogerio ainda tomava cerveja.

Sentou a mesa e foi falando:

- Você esta cantando minha namorada. Vai se explicar e cair fora, senão eu estou armado... E mostrou a arma com a mão esquerda.

- É uma Mauser alemã de guerra. Meu pai que comprar uma, está pagando doze mil. Falou entusiasmado Rogério, que não estava entendendo nada.

João pensou na faculdade, na dificuldade de estudar, pediu uma cerveja, entegou a arma e começaram a combinar o pagamento.



23/05/2012


















HAIKAI XXIII


HAIKAI XXIII



Doces sonhos voam

Na luz da primavera

Dentro de teu ser



23/05/2012

TEU PENSAMENTO


TEU PENSAMENTO



Voava teu pensamento

Na noite,

Corria

Procurando quem pudesse pensar

Pensar o que ele queria

Que era o que tu querias.



Pela fresta de minha janela

Entrou suave frescor

Era um pensamento que entrava

Buscando eu, pensador.

Era o teu pensamento,

Pedia versos de amor.



Veio como borboleta

Da estação do amor

Que na mistura de cores

Acariciava as flores

Levando amor em gametas.



E em cismas, doce pensar.

Só fiz uma linha

Um verso:

-Eu sempre irei te amar.



23/05/2012

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terça-feira, 22 de maio de 2012

OS TUBOS, AS PESSOAS E AS ELEIÇÕES

OS TUBOS, AS PESSOAS E AS ELEIÇÕES.






O Zezinho não podia mais dar dentaduras, óculos, nem camisetas. Foram acabando com tudo para moralizar a política. Estava difícil de ser reeleito. Eram cinco candidatos.

- Piorou muito, falava ele. A gente está pagando tudo antecipado, político está com fama de não pagar. Agora nem pagando pode fazer. Falava ele várias vezes por dia para seus dois assessores, Gerson que trabalhava pelos votos dos funcionários e Rogério que ficava em contato com a população.

Tinham embelezado toda praia. Todas as cidades do litoral fizeram isto. Turista não vota, mas a população gosta de ver beleza. E continuava no gabinete andando e resmungando:

- Não podemos perder nenhum voto, insistia ele para os assessores.

Judite da Promoção Social pediu para conversar. Sempre trazia problemas.

- Manda entrar, falou o Prefeito.

Da. Judite funcionaria antiga da Prefeitura, da família do Prefeito, prima distante, chegou e, com um problema.

- Sabe se Zezinho, aquele terreno sem muro que de vez em quando jogam entulho e que a gente diz quando reclamam que não é da prefeitura e vamos notificar os proprietários?

- Sim, aquele terreno da Rua Cinco?

- este mesmo. Jogarmos umas tubulações lá e mudou um homem e a esposa grávida para os canos, ainda levaram o cachorro. Não podemos dizer que é terreno da Prefeitura.

- Fala com o advogado, manda a petição que o Juiz manda tirar.

- E mando-o para onde?

- Para o abrigo de desalojados, oras!

- Não dá. A outra mulher dele está no abrigo.

- Outra mulher?

- Sim, quando pegou fogo na Favela, ele é da Bafo de Onça, ele estava preso.

- Então é bandido, manda tirar na porrada.

- Não, não é bandido. Era casado com a Joana Darc e tinha dois filhos, pagava pensão para outra, por mais um filho, e engravidou a prima da mulher atual. Não conseguiu pagar a pensão alimentar e foi preso. Estava preso quando o barraco atual e da Joana Darc pegou fogo. Estava registrado em nome dela e ela passou a receber o beneficio do incêndio. Para complicar perdeu o emprego quando foi solto. Não tem onde cair morto.

- Tem que dar um jeito, nem que for na marra, falou o Prefeito.

- Na marra não dá, interviu o Rogério, todo mundo da Bafo de Onça votou no senhor na outra eleição.

- É não podemos perder nenhum voto, replicou o Prefeito, e continuando. Será que ele vota Da. Judite.

- Não só vota como a família dele tem mais de vinte votos.

- O problema é sério falou Sr. Zezinho, Rogério, arruma uma casa para ele, faz de conta que ele foi sorteado.

- O Sr. Está louco Prefeito, é pedir para não tomar posse, isto descobrem. A lei está dura, por aí não dá para fazer mais nada. Estão olhando até se damos camisetas. Falou o Rogério.

O Prefeito ficou pensativo.

- Da. Judite, falou ele, se ajudarmos ele vota.

- Sim Sr. Prefeito, ele e a família já votaram na outra eleição.

- Vê então o que falta para ele. Onde estão os tubos não tem vizinhança, só turistas e está frio, só voltarão à praia depois da eleição, quando esquentar. Como ele está se virando?

- Toma banho no quiosque que o Sr. fez, construiu um fogareiro de tijolos, e está com um carrinho velho de Supermercados para pegar latinhas e papel.

- A mulher não está grávida? Retrucou o Prefeito.

- Esta de cinco meses, vai dar a luz antes da eleição, falou Da. Judite.

- É muito sério. Ele falou que precisava de alguma coisa, continuou o Prefeito.

- Só disse que te pouco espaço, até brincou que falta um tubo. Mas de resto ele se vira. Disse Da. Judite.

- Se eu ajudar o pessoal vota em mim? Lançou a pergunta no ar.

- Lá votam falou o Rogério.

- Ele disse que tem tempo para ajudar na campanha, está desempregado. Falou Da. Judite.

- Bom, com aspecto triunfante de quem tem uma boa ideia o Prefeito falou.

- Da. Judite, avisa que, nos bicos de campanha vou chamar este senhor para ajudar e, depois vou falar com ele e afirmar que depois de eleito vou arranjar uma casa popular e um emprego comissionado de vigia para ele em alguma escola.

- E até lá ele fica morando nos dois tubos? Perguntou Da. Judite curiosa.

- Não! Falou Sr. Zezinho, ninguém vai dizer que sou desumano com meus cidadãos deixando viver naquele aperto. E dando ordens:

- Rogério, manda mais dois tubos para este cidadão.







-








ANGEL


ANGEL.





Anjos...

Fantasmas angelicais...

Surgem na noite.

Eróticos.

Insinuantes,

Balbuciantes...

{Anja sim...

Tem sexo...

Ângela talvez?}

E...

A noite pequena

Não cabe todo enredo.

Você se insere...

Maliciosa,

Sedutora.

Se esguia

Rodeia

Me envolvendo nas asas,

Voando em minhas fantasias

E,

Vivendo de teus anseios

Apenas evito o dia

Que dá fim aos devaneios.





01/11/2011

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

VISÃO HOLÍSTICA E CICLO CIRCADIANO


VISÃO HOLISTICA E CICLO CIRCADIANO




Meu pai contava que na sua infância, isto antes de 1930 o atendimento médico era difícil e complicado nas bandas de Araçariguama em São Paulo. Nesta época morou ali e em São João Novo, cidade vizinha, sempre na zona rural. Quem resolvia os problemas era Sr. Domingos, seu conhecimento e o caderninho.

Nas anotações deste senhor, um sitiante bem estabelecido, estava o que tinha aprendido de uma benzedeira, que provavelmente aprendera dos índios. Tinha “cura” para quase tudo. Graciosamente e por prazer atendia os trabalhadores adoentados, vibrando com os resultados positivos. Nada cobrava e nem necessitava.

Sua orientação para a cura era somente a natureza. Conversando com o doente, detectava o que o afligia, e entrava na mata para procurar a erva que operaria a cura. O importante alem da planta exata era o horário da coleta. Muitas vezes ia à mata, bastante fechada naquela época, na noite para procurar a erva ou o fruto correto e necessário; correndo todos os perigos da Mata Atlântica.

Mais de meio século depois, exercendo a medicina tradicional, me é apresentado uma medicação para a pressão alta, que deveria ser tomada duas vezes por dia, em horários incomuns para quem é habituado a tomar medicação. Um comprimido para o outro deveria ser tomado em intervalo impar, e em horas determinadas. Achei difícil de ser receitado para a população em geral. Este remédio, diziam os representantes do laboratório, respeitava o Ciclo Circadiano, ou seja, os horários em que o organismo produz substancias, variando de órgão para órgão e com horário fixo.

A propaganda desta medicação foi curta para um lançamento e desapareceu, coisa incomum para um remédio novo, que não apresentou nenhuma contraindicação importante. Como com menos de dez anos de formado trazia comigo a imagem da infalibilidade da ciência e suas pesquisas. Nenhuma nova medicação para outros tipos de doença apareceu em continuação, atribui a esta droga e seu estranho modo de administrar a lendas, como por exemplo, de aumentar o numero de trabalho de parto em mudanças de lua. Não associei ao Sr. Domingos.

Com o passar dos anos na profissão, comecei a notar alguns detalhes que, mesmo citados em livros não mereceram maio destaque, por exemplo: A asma dá seus acessos à noite, a cefaleia da rinite é matinal, o cardiopata geralmente vai a óbito pela manhã antes do desjejum e assim por diante. Havia sim um ciclo. Como explicar?

Em um CD sobre as borboletas Monarca, estudadas nos EUA, constatou-se que as mesmas atravessavam o Golfo do México pelo mar para se reproduzirem, e mais, que se alimentavam de determinado capim com o intuito de seu paladar ficar ruim a qualquer predador se fossem atacadas, e que o estimulo da luz era básico para o voo. Tudo cientifico. Havia um ciclo sim. Busquei no Google, não falava da medicação, apesar de crer que ainda se encontra a venda, citava as borboletas e definia o Ciclo Circadiano. Isto é semelhante ao pensamento holístico, cada ser e, cada objeto da natureza tem sua vibração e seu ritmo, sendo influenciado pelo sol em sua posição, intensidade e calor, pela lua e pelo resto da natureza. Tudo vibra e tudo é dependente das vibrações.

Tenho certeza que o estudo cicladiano está andando, se tiver caminhando, em marcha lenta e sem verbas. Não creio que teremos verbas para pesquisa de vibrações de órgãos, outros seres vivos animais e vegetais; a ciência com seu inegável avanço está imponente, com sua engenharia genética modificando plantas e tentando criar órgãos humanos em laboratórios de clonagem. Mas ao mesmo tempo não percebe a volta de muitas doenças como: a tuberculose e a dengue e não notou que no presente momento é mais fácil encontrar alguém incomodado por uma rinite rebelde, do que sem ela.

A ciência tem que andar em um conjunto: técnica e práxis, o Sr. Domingos e os Xamãs sabiam bem deste casamento.



21/05/12

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XADREZ


XADREZ





Cruzei amor na primeira linha,

Mexi o cavalo do rei,

Iniciei uma charada.

Vi-me olhando a estrada,

Vi-me no pico do monte

E não sabia descer.



Cruzei hesitação na segunda linha

Mexi o cavalo da dama.

Joguei a fieira, rodou o pião,

Fez um buraco,

Uma cratera

Furou a charada

Levei cheque-mate,

Quebrou o pião

Caiu no abismo.

Você?

Confusão...



Sem data

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domingo, 20 de maio de 2012

LUA DE DIA


LUA DE DIA




A lua saiu de dia,

Quatro horas, imagine!

Que faria ela esta hora

Que é domínio do sol?

Mas ela saiu de dia,

Apressada?

Sim!

Está mandando um recado:

Para que te faça um poema.

Para que te lembres de mim..



20/05/2012

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