sábado, 11 de fevereiro de 2012

CAIXA DE CONCRETO







CAIXA DE CONCRETO





Tudo é concreto,

Fugiram as borboletas

Os sapos e seu chorar calaram

A lua se vê como obsoleta

Sem montanhas.



Carentes

Fechados na caixa de gente

Os humanos ruminam


A TV ou uma tela...

Perdeu-se o mundo...

Criou-se o moderno. Pelo decorador!

Decorador de interiores.

Locais interiores.

Onde os interiores dos mortais

Muito complicados

Foram parar numa caixa

Compilados

Fechados

Nem Freud tem mais acesso.





11/02/2012

tony-poeta pensamentos


HOJE É SABADO









HOJE É SABADO





Vinicius fez um lindo poema, inclusive musicado. Porque Hoje é sábado. Lembrei-me dele. Manhã de ir ao Super-Mercado. A lista estava no imã da geladeira, aliás, dois, era grande.

 Quando morei em Marília dava preferência à feira para frutas e verduras, O mercadinho era ao lado de casa e não havia grandes compras, buscava-se conforme ia acabando. Já à feira ia com meus três filhos e era realmente um programa. Tinha o pastel, sem o charme de hoje, as bexigas do Vô Zé. Já havia uma feira do rolo onde sempre se encontrava uma inutilidade que fazia a molecada feliz e a Ana dava bronca. A pipoca do Zé pipoqueiro. Todas as pessoas tinham nomes, e nos também. Era um relacionamento humano.  As verduras e frutas eram colhidas praticamente no dia, durava a semana toda, coisas que não acontecem mais.

Peguei o carro, as sacolas. Fui. Esta proibição das sacolinhas plásticas ainda não a assimilei. Nosso povo é por demais pacatos e nossos comerciantes muito ávidos por lucro excessivo. Em minha opinião são antipatrióticos. Quando o dólar sobe aumentam o preço, quando baixa, nada. Se o governo abre crédito e o povo compra. Eles aumentam preços. Gera inflação, o crédito diminui, o povo compra menos. O lucro já estava garantido no aumento. Não adianta falar que venderam menos, realmente o povo se privou de alguma coisa, mas o lucro destes “espertos” no mínimo ficou igual. Considero isso lutar contra o país, a função social da indústria e comércio não é esta.

Chegando, eu e as sacolas; os filhos já são adultos e longe, vejo um senhor de aproximadamente cinqüenta anos com um grande problema de logística. Estava com uma compra pequena e, uma caixa estreita e alta, de mais ou menos um metro de altura, tentando acomodá-la no bagageiro de sua bicicleta. Óbvio, não cabia. Não esperei para ver a mágica, pensei apenas que as sacolinhas são usadas como sacos de lixo em qualquer casa normal e, descartadas corretamente. Uma caixa naquele formato seria o lixo de difícil descarte, este sim poderia dar problemas nas bocas de lobos.

O supermercado estava agitado, como é o normal, pessoas comprando, algumas com três ou quatro crianças correndo de acompanhantes e, quase todas as mercadorias das gôndolas sendo respostas. Seria normal se os carrinhos não interrompessem o espaço e os repositores não achassem que, pelo fato de estarem trabalhando tivessem prioridade sobre os clientes. Não fazem as prateleiras a noite, quando tem poucos clientes para não pagarem horário noturno.- O freguês não reclama! É a opinião deles.

 Realmente tínhamos um congestionamento dentro da loja. Segui a minha lista, comprei saco de lixo menor, o Para Pia. R$ 7,79. Antes usava a sacolinha. Pensei novamente, se tem pessoas que descartam embalagens, Vão jogar fora todas, não só os sacos do caixa, estas devem ser educadas, Toda Proibição É Burra.

Enquanto não conseguem que a cidadania seja soberana, e o lixo com descarte correto, vamos aproveitar todas as pessoas desempregadas na limpeza pública e dar empregos.

Há três anos fui a Fortaleza e não consegui fumar no centro da cidade, a limpeza era tanta e tão bem feita que me inibiu. Não tinha como descartar a bituca do cigarro sem me julgar porco.

Não admito desemprego, principalmente num país com tantos recursos. Nada me tira da cabeça que este existe por ganância da classe governante. Se o salário mínimo, aliás, insuficiente é de R$ 600,00, não é possível políticos e o judiciário ganhar quarenta vezes mais. (19.000,00 e pouco) Será que são quarenta vezes mais cidadãos que os outros?  Num país mais antigo, a França, por exemplo, a diferença entre o menor e o maior salário encontra-se em sete vezes e não quarenta. Isto é absurdo e a mudança das leis está exatamente nas mãos dos que mais ganham. Nosso povo é muito submisso.  Aumente o que está na base, diminua o salário de quem está no topo (existe uma lei que não pode baixar salários, os políticos a fizeram) e teremos emprego pleno. Não considerar que 6% de desemprego é uma glória, pois não é.

Fui à fila do caixa. Todos os funcionários deste setor estão sendo pagos com as sacolinhas, como já demonstrei. O caixa serve além de sua função original, para pagar contas, recarregar celulares (uma senhora na minha frente fez seis recargas de R$ 12,00, cada uma delas anotada num papelzinho amassado, de difícil leitura e, paga com um cartão de crédito diferente com a senha em outro papel).

 Tudo que puder aumentar o lucro é válido. Finalmente paguei a conta, acomodei nas sacolas que levei.

Terminou a minha primeira obrigação do sábado. Resolvi externar minha indignação por escrito. Temos que melhorar.




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

NOMADE II






NOMADE II





O que procuras: viandante?

Girando na louca viagem

Caleidoscópio, relances

Luzes tresloucadas. Nuance.



Loucuras de amor, faceiro

Abre-te em risos e cantos,

No caminhar passageiro

Coberto de desencantos



Se o ouro engana a vida,

Pedras douradas, dobrões

Ilusões sempre perdidas

Jamais fixa sensações.



Buscas no saber. Quem sabe?

A regra. Felicidade

Que voa breve, nunca se abre

Fugidia é sempre saudade.



Ah! Saudade. Tudo aquilo

Que se perdeu. Não se sabe,

Se existiu ou foi verdade

Andarilho: És saudade.



Tony-poeta pensamentos

11/02/2012






















NOMADE I

 




NOMADE I





Pode um nômade criar raízes?



O rito que o rege

É de passagem.

Vislumbrar a força

A alma, a paisagem

Amar, viver o lugar

E seguir viagem.

Jamais retornar.





10/02/2012

tony-poeta pensamentos

SONHOS DIURNOS


                                                        SONHOS DIURNOS

Não deito à tarde. Tenho pesadelos. Aliás, não há motivos para fazê-lo durmo muito bem a noite. Deito, durmo e só acordo no outro dia. Não levanto de noite. Sou realmente muito bom de cama.

Estava esquecendo, não sonho. Como passo todo dia imaginando o que escrever, [Freud disse que isto é sonhos acordados, ou devaneios]. Concordo plenamente, gasto o estoque de dia, e posso não sonhar a noite. Isto é muito bom, quase não amassa os lençóis.

Nos fins de semana que a esposa viaja e fico sem empregadas, não tenho trabalho para esticá-los. Não gosto de cama desarrumada. Problemas de educação infantil.

Estes dias está muito quente. Como não ligo o ar condicionado pela rinite, coloco um ventilador no chão para refrescar. O de teto também piora a congestão nasal. Mas trinta graus ou acima disso, é o que marca o computador, é muito. Minha artimanha não esta resolvendo.

Por três dias estou fazendo a sesta, apreensivo; certo de ter pesadelos e dor de cabeça.

Mas mesmo assim vou deitar, espero que este sonho reprise, [três vezes seguidas já parece filme da TV acho que é suficiente] não volte. Espero que meu computador interno mude a fita e, não sonhe novamente que sou torresmo pulando na panela.





10/02/2012




para sempre







PARA SEMPRE







Quero que o mundo doce

Num beijo de noite

Venha me buscar.





Leve-me ao som desmaiado

Do grande atentado

Do sol ao luar.



Quero ver

Se o branco e preto

Se o amor que mais quero

Sabe se comportar.



Se o branco de teus cabelos

Tem mais cor que o enlevo

Do prateado luar.



Se o preto de teu penteado

Têm força, folguedos

Do dia a chegar.



Quero

Que o dia e a noite

O preto e o branco

Seja à noite

O dia.

Você.





                                                                                                                        Ana esta é para você!

                                                                                                                 Com amor



30/06/1979

tony-poeta pensamentos










quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PALAVRA ESQUECIDA.

 


PALAVRA ESQUECIDA





Juventude, abarcando o mundo.

Instável. As ilusões vividas

Noites boemias que se faziam tudo

Dias longos. Ressacas doloridas.



Como poeta, um Eu que cochichava

Ditava os versos. O amor escrevia

E quando errado me abandonava

Era cruel, e com isto me redimia.



Tempo passou. As coisas assentaram

Os porres foram trocados por dinheiro

De sobra e de falta, que financiaram.

Na realidade. Falso companheiro.



Casa e família, outra realidade

Trabalho dia e noite sem parar

Ressaca por responsabilidade

Alternavam o que fiz, meu pensar.



Falta sussurrada me seguia

Por mais que quisesse não lembrava

Gritava pro meu Eu. Respondia

Mas não o ouvia. O dia a apagava.



O tempo passa frio a revelia

Do que pode um homem programar

Não posso reclamar.  Sim, valia

Pois fiz o mundo me respeitar.



Hoje, já não tão jovem pensava

Que, não mais correndo posso andar

E os sonhos loucos que acalentava

Os razoáveis. Consegui realizar.



Mas o que ainda me amofinava

O som que oculto a me atormentar

Meu Eu falava, mas não o escutava

Criando esta angustia de algo faltar.



Noite solitária penso a vida,

Objetivo que pude esquecer?

Meu Eu poeta, disse: em voz condoída!

-Foi quase tudo, faltou viver.



09/02/2012

tony-poeta pensamentos






















CLARA







                               CLARA





Sete da manhã. Clara saia. Tinha que estar na cidade às nove. Era seu primeiro emprego. Acabara de fazer dezoito anos e iria trabalhar para Dr. João, o médico mais velho e conhecido da cidade. A família torcia pelo seu futuro.

Sua residência situava-se dentro da Reserva Ecológica. Numa casa na encosta rochosa que servia de atracadouro. Um lugar muito bonito, não tinha praia, os turistas não incomodavam. Moravam cinco famílias, todos pescadores e aparentados. Sempre moraram lá.

Sua mãe tinha nascido na cidade, estudou até a quinta serie. No trabalho precisava ler. Foi quando conheceu seu pai indo morar na vila. Era filha de alemão com Negra, por isso que Clara era tão branca, quase loira. Seu pai caiçara tinha a pele mais escura, mas dizia que tinha um bisavô holandês.

Na verdade chamava-se Ana Bolena, é que sua mãe tinha lido num livro, que era a mãe da Rainha da Inglaterra. Mas por ser branca, com todos os irmãos e primos escuros o apelido ficou.

Para chegar à cidade tinha de pegar uma picada até o caminho, que era outra trilha. Era uma subida de cinco minutos na mata. O caminho para a balsa mais quinze minutos, tudo de terra. Depois, saindo da travessia, duas quadras à frente era o consultório.

Olhou no espelho. Estava bem arrumada. Estava chique a ponto de ir a um baile. Quando acertou com o médico, há uma semana, a Madrinha Maria lhe emprestou o cartão. Ia trabalhar com médico. Tinha que estar arrumada. Foi com ela até a melhor loja da cidade, a loja da Mariquinha. Comprou um vestido mostarda. Não gostou muito da cor, mas era a Moda. Agora estava até se achando bonita vestida nele. Comprou um sapato com um saltão e uma bolsa cara. Mariquinha disse que era Louis Vuitton, mas seu irmão falou que era falsa. Mané era muito falador. Pelo preço devia ser legitima. Ia ter de pagar oitenta reais por mês para a madrinha, por dez meses. Mas ia ganhar.

Começou o trajeto planejando o futuro. Nunca tinha usado salto tão alto, no máximo um saltinho para ir ao culto. Andava se equilibrando sobre a trilha e escorregava cada vez que pisava num pedrisco que se deslocava. Pensava:

-Vai valer à pena. Já acabei o colegial, fui a melhor aluna. Não fiquei pensando em bobagens. A Rita e a Matilde da minha classe já arrumaram filho. Eu não. Só vou namorar e casar quando arrumar um bom menino na Igreja. Vou casar virgem. Não vou fazer bobagens. Vai ser conforme minha religião. Já estou chateada que minha madrinha me fez cortar os cabelos. Levou-me até o salão. Meu pai e o Pastor aceitaram porque era para meu bem. Não sei que mal tem trabalhar de coque. Mas vai dar certo. Dr. João é muito querido e conhece o prefeito. Vou trabalhar direito. Fazer um curso de Técnico de Enfermagem. O Dr. me apresentando, o Ismael falou, consigo o tal de cargo comissionado, vou trabalhar na Prefeitura. Depois presto concurso e fico que nem o Sr. Severino, que fez assim e tem até carro e estudou os filhos.

Escorregou uma pedra que pisava. Quase caiu. Equilibrou-se. Continuou a pensar. Este sapato não é bom. Não sei andar com este salto. Sorte minha que estou andando devagar, não posso suar.  A madrinha me falou que borra o pó. Mas acho que no consultório tem um lugar para guardar as coisas. Depois é só deixar o pó, também os sapatos e a bolsa guardados. Vou andar do jeito que estou acostumada. Me arrumo lá! Chego antes e, pronto.

Chegou à balsa. Os carros estavam entrando. Os pedestres entravam depois. Era de graça para as pessoas. Olhou os carros importados dos turistas. Pensou:

- Que bobagem estes carros modernos. O Vilásio tem uma perua velha, cuida direito, e dá carona para todo mundo que precisa. Quando casar, um carro conservado já serve. Entrou na balsa. Dez minutos depois estava na cidade.

Logo que avistou o consultório viu uma porção de gente na porta. Pensou:

-Tenho que chegar mais cedo, o pessoal vem de madrugada consultar. Chegando à porta lhe avisaram:

-Dr. João morreu dormindo. Sofria do coração. Coitado!

Clara ficou passada. Andou o mais depressa que conseguiu retornando a balsa. Não pensava em nada. Chegou à trilha, tirou o incomodo sapato, voltou a pensar:

- O que Deus faz tá feito, é pro meu bem. Vou arrumar umas faxinas para pagar a prestação desta roupa inútil. E subiu a trilha descalça com o sapato e a tal bolsa de marca incomodando suas mãos.





09/02/2012

tony-poeta pensamentos




velho bar







VELHO BAR





Noite

Noite que se faz tenebrosa,

Cheio de excitações

Sedento. Com ardor doentio

Voltei

Buscando consolo

Lembrando o passado

No mesmo bar da boemia.



Entrei...

Astronauticamente

Como um satélite,

Estranhas crateras lunares

Contavam frivolidades

Do pensamento das mulheres.

Torpor etílico.

As mesas evaporavam

Vazias

Como outrora.



Cadeiras

Como psiquiatras

Recebiam dramas

Espreitavam sorrisos

Do choro que sempre busca a alegria.

Tudo. Uma linguagem estranha



Te conhecia

Ah lugar!

Refugio fétido.

Agora te entendia

Este mundo não era

Mais do que sombras.

De sonhos-pesadelos

De uma vida vazia.





12/1967

tony-poeta pensamentos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

AS SACOLAS DO SUPER MERCADO





                               AS SACOLAS DO SUPER MERCADO.





Como todos sabem que, os Super Mercados retiraram as sacolas plásticas. Causou um transtorno generalizado. Após uma compra eventual fica difícil, sem embalagem adequada, o transporte. Creio que a queixa é generalizada. Houve na imprensa inclusive notícias do seu retorno. Fui fazer compras e este não aconteceu.

Como a lei, [fizeram lei], deverá se estender a outros estabelecimentos.

Conversava em uma padaria, onde o dono lamentava que tivesse desembolsado cinco mil reais em sacolas e, seria perdido. Questionando, descobri que o mesmo faz um pedido anual, para baratear custo. Partindo daí da para fazer o calculo. Quero salientar que é aproximado e hipotético e todos os valores são desta informação.

O preço das referidas sacolas já está embutido no preço das mercadorias. Funciona da seguinte maneira: O Estabelecimento faz um calculo de custos, onde inclui aluguel do prédio ou desgaste do mesmo, caso seja próprio, funcionários e tributos, contas de consumo [água, luz etc.] material de manutenção [vassouras, sabão, panos etc.] e materiais diversos onde entra as embalagens. Seus computadores acrescem todos os custos ao preço de compra da mercadoria a ser vendida. Dando o custo real da mercadoria. É sob este valor que será acrescido o lucro e dará o preço da gôndola. O que o cliente irá pagar.

É interessante notar que este computador parece que só aumenta preços. Quando da extinção da CPMF, parece que o computador travou e não baixou preço nenhum. Continuamos a pagar a mesma coisa e a saúde perdeu a verba.

Mas, continuando em nosso calculo. Se uma padaria gasta 5.000,00 ano de sacolas, o caixa de um hipermercado gastará ao menos cinco vezes mais. Ou seja, 25.000,00 reais ano. Um mil reais por mês. Isto significa o salário aproximado do caixa. Portanto, nosso desconforto, vai pagar o funcionário que nos atende; e mais, teremos que comprar sacolas para acomodar as compras e, sacos para embalar nosso lixo [e como estão caros!]. Isto vai aumentar o lucro, numa época que as vendas estão altas, portanto o lucro já é satisfatório.

Não esperem baixas de nenhum preço; como já falei os computadores deste ramo “TRAVAM” para diminuir preços.

Concluindo: Pelo calculo superficial que apresento, estamos sendo realmente lesados e muito!



tony-poeta pensamento

08/02/2012


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

AMOR E GUERRA











AMOR E GUERRA





Tenho de levar duas roupas

A do amor

A de guerra.

Troco-as continuamente.



Estes seres se revezam

Retesam-se

Se arrepiam

Eu me troco

Me destroco

Me destroço

Fico perdido.



Como posso de amante

A seguir arrependido

Retornar a amante

Retesando arcos

Soltando flecha

Sorrindo amor

Pedindo beijos?



Como posso usar

Roupa de amor e humildade

Se a armadura de guerreiro

É dura de retirar?

Como posso ser solto

Levando armamentos?

Qual a mágica deste alternar?

Se amor e guerra é vida

Qual roupa devo usar?



Será no fim

Amor e guerra

Apenas fantasias

Nuas e cruas

Do caminhar na vida.

Tudo no fim é amar!





tony-poeta pensamentos

08/02/2012










QUANDO COMEÇOU A VIOLÊNCIA?



A imprensa destacou estes dias a violência. Tivemos Manchetes em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, além, das que já tinham destaque cotidiano; nas zonas rurais e nos desmatamentos.

Alguns artigos de esquerda afirmam que se manteve a herança da ditadura. Já os de direita dizem serem fatos isolados, e por ordem judicial, quando são acusados. Na verdade estamos numa explosão de violência?

A meu ver não!

Tentarei explicar usando minhas lembranças, sem recorrer à bibliografia. Valido como depoimento e história.

Apercebi-me da violência na morte de Getulio Vargas, até então era muito criança. Estava indo a aula no Grupo Escolar quando veio a noticia. Fomos dispensados. Foi o que me marcou. Nos meses seguintes falou-se em estado se sitio. Juro que por mais que me explicassem não entendi. Sitio era onde moravam meus parentes em São Roque e Araraquara. Portanto um início muito confuso.

Vim a sentir a repressão antes da Ditadura. Em São Paulo existia a Guarda Civil, que tinha o guarda do grupo. Sempre o mesmo e nos protegia. Era muito bem quisto. Pertencia a Policia Civil, como os delegados. Um dia minha mãe visitou uma amiga, casada com um delegado. A impressão que fiquei é que era muito rico.

Tínhamos ainda a Força Publica, com características Militares e uma força, a qual eu não identificava a que grupo pertencia. Hoje sei tratar-se de Policia Civil. Era a temida. A Vadiagem.

Como funcionava tal força? Era na verdade uma vigilância ao cidadão. Se a pessoa fosse apanhada sem documentos [o que era obrigatório] seria detido e levado a averiguação. Mas não era só. Caso o cidadão não provasse que estava estudando ou empregado, no momento da averiguação, também seria detido até segunda ordem.

Esta força já na época causava problemas.

No inicio de 1960 estudava a noite na Av. Paulista. Trabalhava de dia como a maioria dos jovens da época. Começava-se a trabalhar com 14 anos. Na saída das aulas, ao redor de onze horas, era hábito parar no Nações Unidas, um prédio esquina da Brigadeiro Luiz Antonio com a Av. Paulista, onde batíamos alguns minutos de papo antes de ir para casa. Estávamos papeando na Panificadora Arcadas, na Brigadeiro e havia um motorista de taxi tomando um lanche. Chegou à vadiagem. Os documentos do taxista estavam no taxi, aberto, em frente à padaria. Queriam recolhê-lo por não estar portando documentos. Demorou mais de meia hora para o dono do estabelecimento, nós que estávamos em pelo menos dez jovens, alguns outros clientes demovermos a “autoridade” que a atitude era excessiva.

A Força Publica de São Paulo, na época do golpe de estado (Jango era eleito, havia eleição para presidente e vice em separado), era equipada aparatos de exercito; incluindo carros de combate, que desfilaram durante o golpe. O governador Adhemar de Barros, do PSP, herdeiro do PRP que fez a Revolução de 32, por São Paulo, a tinha equipado.

Adhemar apoiou o golpe e, só foi destituído quando os militares tomaram o comando e dividiram a corporação.

A Guarda Civil, querida pela população mudou de função e, parou de prestar serviços. A Força Pública com o tempo passou a PM e a Vadiagem, investigadores e delegados passaram a fornecer serviços ao novo governo, durante a ditadura. A delegacia da Rua Tutóia era da Policia Civil [e ainda o é] Não houve na época mudança em sua atuação.

Já nos anos setenta estava eu, juntamente com amigos nas Boates da Vila Buarque, quando apareceram do mesmo modo da vadiagem, já extinta.

Apresentei meu documento de estudante [já fazia faculdade], dois desses amigos eram Ingleses e estavam treinando pessoal no Brasil, para inseminações artificiais em gado, também documentados. E alguns outros que estavam conosco ou simplesmente no local. Todos detidos e levados a delegacia para triagem.

Deter estrangeiro é crime. Deter sem motivos também. Um amigo nosso, cartorário na época foi até a delegacia, avisou da irregularidade o delegado. Fomos levados a sala do mesmo e, como já tivesse iniciado a pesquisa de nossos antecedentes, aguardamos até as cinco da manhã para liberação. Não houve, portanto mudança de sistema, apenas ampliação de atuação.

Os fatos que hoje acontecem: desapropriações, desafio de policias ao estado, guerra entre policias como recentemente na Capital paulista, refletem apenas jogo de poder, lembrando um fato ocorrido na idade média. 

A Igreja, numa disputa interna ficou com dois papas. Relata-se que uma cidade, por três vezes, em uma única semana, teve que mudar na porta das casas a bandeira papal, conforme o papa x ou y vencesse a batalha. Bandeiras eram difíceis naquela época.

Saiu estes dias no El Pais, Espanha. Que o povo Líbio prefere um governo sem políticos e sem exercito, sob a alegação que político só serve para fomentar discórdia e exercito para dominar a população em beneficio do governo. Tenho que concordar com eles. Vindo de um regime Tribal, portanto não Feudal, o acerto só se faz com discussão dos lideres que moram em suas tribos. Tem que se chegar a um consenso satisfatório, pois ambos os lados são unidos e armados. Valendo-se do bom senso, entre ganhos e perdas sempre se terá uma solução condizente.

O nosso regime é herdeiro do regime feudal, apesar de  particularmente não ter lido quase nada sobre a segurança dos senhores dos feudos, creio que para jogarem ao relento a população da Europa, como aconteceu na Revolução Industrial. Onde os trabalhadores foram expulsos de suas terras, que cultivavam há centenas de anos e abandonados nas cidades, sem nenhuma estrutura; só porque se resolveu criar ovelhas e eles atrapalhavam. Estes senhores com certeza tinham uma força de segurança treinada e bem armada para fazer tal reintegração de posse.

O problema me parece muito antigo. Não vejo solução em curto prazo.



07/02/2012

tony-poeta pensamentos






 

HAICAI AMANHECER [ontem e hoje]

AMANHECER
-Haicai ontem e hoje

[ontem]

 tempo de calor
canta doce curruira
...
sonho de verão

        [agora-atual]

toca buzina
cala doce curruira
sono,caminhão.

tony-poeta pensamentos
07/02/2012

ERRO







ERRO





Repousar na glória inglória

Das ilusões mal concebidas

E, nos sussurros obscuros

Nem vitória

Nem derrota

Nem tampouco indiferença há.

É sentir o gosto insípido

Do sonho mal sonhado.



Sem saber

Ignoto

Despercebido

Não se notar

Não estar em lugar algum

Não ter rota

Não ter traço

Não ter cor.



Catatônico

Patético

No marasmo

Em tamanho labirinto

Ver-se tão pequeno

Que não se percebe que está vivendo.





31/08/1970

tony-poeta pensamentos

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

QUATROCENTOS









POSTAGEM QUATROCENTOS



Agora, com a postagem do poema BRAVA, completei quatrocentas postagens no blog.

Surpreendeu inclusive a mim. Quando comecei a cursar Medicina (uma das opções que fiz. Normal no comportamento de um adolescente) continuei fazendo poesias. Junto com Francisco Quirici Neto, publiquei o livro AO ANTIPODAS, aproveitando uma generosidade de OTAVIO BARRETO PRADO, O TATA. Um prefeito de uma honestidade que nunca vi. Morreu pobre. Preocupado com a dificuldade de nos mantermos, abriu uma verba para o livro (Colocamos todos os colegas, de todos três anos de faculdade da época na dedicatória. Marketing) O livro foi impresso na copiadora do Didi (Devanir Mansano Jorente) que me tornei amigo e este batizou meu filho caçula. Foram trezentos exemplares, obviamente vendidos.

Continuei ainda escrevendo em menor quantidade. Publiquei alguns poemas em jornais locais (Tive até uma tentativa de plágio de má qualidade, não fui atrás)

Com o correr do curso a dedicação quase acabou e o que escrevia, em guardanapos e maços de cigarros principalmente, foi o que restou do poeta.

Quando me mudei de volta a São Paulo, já com filhos adolescentes, publiquei alguns artigos na A GAZETA DE SANTO AMARO, para me tornar conhecido, entre eles “A Psicossomática do Idoso”. Já no blog. O pouco que rabisquei foi jogado em pastas.

Mudando ao litoral, reuni tudo que encontrei numa pasta azul (não foi de modo proposital, era a que tinha no momento). Com o computador, que então descobri que existia, comecei a postar no Blog Verso e Prosa (fora do ar, não sei o motivo), em Poetas e Escritores de Paz e Amor e Cultura e Humanismo. Foi aí que entrei na Face book. 

Vendo o blog de meu amigo Antonio Pedro Belém, filosofo e pintor. Notei um ícone que permitia montar a própria pagina. Curioso a acionei. Era 10/09/2011. Por acaso a página estava montada. Escrevi na hora um poema de inauguração e coloquei o nome Tony-poeta pensamentos (o Tony era como minha mãe queria que me chamassem. Para tanto chegou a fazer anagramas em todas minhas camisas, para impor o apelido. O cognome pegou, mas meus amigos sempre me chamaram de Poeta.)

Hoje, seis de fevereiro, postei o trabalho quatrocentos, para meu espanto. A pasta azul ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Na hora desta postagem verifiquei doze seguidores e 4873 acessos, sendo a maioria do Brasil, seguidos da Rússia, Alemanha, Portuga e Índia. Como não tenho acesso ao ID, não tenho realmente idéia da penetração e da freqüência dos acessos. Mas o numero inesperado me surpreende.

Quero, portanto nesse momento, agradecer a todo os que me lêem, prometendo com o maior tempo de dedicação disponível [trabalho 36 horas por semana] procurar me aprimorar e fornecer qualidade. Pois o objetivo de quem escreve é ser lido e oferecer o melhor de si.

MUITO OBRIGADO.               

BRAVA- bilhete







BRAVA- BILHETE



Brava!

Não embraveças,

Li teu bilhete

Sorvi tua letra.

Sabes?

Quando falavas de sonhos

Penetrei em teus enlevos

Entrei em teus relevos

Dancei contigo.

Ah! Ritmo tão bonito

Na mais suave canção

No mais doce valsado.



Acendi teu vulcão!



Em tom apaixonado

Passarei na solidão

Sempre em ti ligado

Apertando  tua mão

Nesse bailado

Rodando.

Rodando...

Rodando...







06/12/1972

tony-poeta pensamentos