sexta-feira, 20 de abril de 2012

EU ANTE O TEMPO


EU ANTE O TEMPO




Eu ante o tempo

Fui rio que nasceu do choro

Da rocha alta e imponente.

E se jogou na incerteza

De tortuoso e longo leito.

Pequeno, não falava.

Somente chorava inquieto

Versos da dúvida e medo.

Rimei a fé esperando a vida

Com a incerteza de alcançar

A planície tão distante.



Eu ante o tempo

Sou rio que corre seguro

Sobre um leito profundo

Cantando a toda voz,

Na ânsia das realizações,

Nos abismos dos amores...

Grandes matas percorro

Arrojando-me em cascatas

De tom puro e juvenil.



Eu ante o tempo

Serei rio de muitos meandros

Que já canta melancólico

Valsas que chamam saudades.

Feliz com o saber

Terei calma, paz e amor.

E nas gotas da experiência

Poderei lento e sereno

Arrojar-me no oceano.



20/05/1967

Publicada nos Antípodas

www.tony-poeta.blogspot.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário